Por Kleber Karpov
Quem acredita que a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro (PL-DF) seja ‘carta fora do baralho’, na disputa ao Senado, pode estar tremendamente enganado. Considerada uma das mulheres a se cultivar, ao longo dos dois últimos anos, o espólio de um dos principais ativos políticos junto ao eleitorado feminino e evangélico da direita brasileira, a governadora do DF, Celina Leão (Progressistas), juntamente com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) conversaram com peelista e ratificam a permanência da pré-candidata ao Senado Federal e garantem: ela nunca deixou o jogo, ao contrários de rumores que pregam o contrário.
Mesmo com uma uma das agendas mais lotadas de um chefe do Executivo, Celina Leão, abriu um tempo extra, na sexta-feira (03/Jul), para deixar claro que a pré-candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado continua, mesmo que tenha se recolhido para cuidar do marido, o ex-presidente, Jair Messias Bolsonaro (PL-RJ). Manifestações essas realizadas tanto em agenda oficial no Palácio do Buriti quanto em entrevistas à imprensa.
“Michelle é pré-candidata ao Senado pelo PL. Ela está somente em um momento mais reclusa para cuidar do presidente Bolsonaro. Ela nunca falou que não seria candidata. Ela é candidata, mas decidiu se afastar do PL Mulher para cuidar do marido”, afirmou Celina Leão.
Unidade no partido
Em entrevista a GloboNews, Celina Leão ressaltou a necessidade de unidade partidária, em torno da construção da campanha do senador, Flávio Bolsonaro (PL/RJ), caso de fato o PL queira levar adiante uma campanha eleitoral de disputa da presidência da República.
“É um momento delicado, sim. Acho que tanto a coordenação da campanha presidenciável, do pré-candidato Flávio Bolsonaro, quanto nós que estamos mais presentes com a ex-primeira-dama temos que ter essa maturidade de entender que, qualquer que seja a divisão, ela só prejudica, mesmo, nosso campo. É um momento muito delicado, mas é m momento que precisa se repensar na fórmula de abarcar verdadeiramente as mulheres em uma campanha eleitoral”, disse Celina Leão ao observar, em relação as falas do senador “qualquer mulher, independente do campo, fica ofendida”, concluiu.
Respeito às mulheres
Para além da disputa eleitoral, o levante de Celina Leão e de Damares Alves em defesa de Michelle Bolsonaro, vão ao encontro a amizade cultivada entre as bolsonaristas. Mas, sobretudo, a efetivação de uma agenda que tardiamente, deve impor em especial no meio político, respeito às mulheres. Nesse contexto, PDNews, por diversas ocasiões, registrou a bandeira, a luta e os levantes da Leoa, sobre necessidade de as mulheres se imporem e conquistarem o empoderamento feminino, em todas as esferas de poder, em especial no meio política.
Nesse contexto, Michelle Bolsonaro, que lida com um duplo ataque, o primeiro, após publicar vídeo em que denunciou ataques misóginos e tentativa de ostracização por parte dos enteados, em relação a atuação política. Situação essa que levou a ex-primeira-dama a renunciar a presidência do PL Mulher. O segundo foi a a amplificação de ofensas direcionadas a ex-primeira-dama, patrocinadas por apoiadores da extrema direita, após a publicação.
Sob essa ótica, em entrevista ao Estadão, Celina Leão foi categórica em apontar o erro por parte da legenda, que encampa uma pré-campanha majoritária à presidência da República, ao distanciar o principal ativo do Partido.
“Eu não posso ver um quadro como a Michelle Bolsonaro, que fez o que ela fez no Brasil, que construiu uma história com as mulheres do P.L. no Brasil, falar em desfiliação, e a gente não ter um diálogo sobre isso. Nós tivemos oportunidade ontem, eu e a Damares, de falarmos muito com ela, porque hoje ela não representa mais, ela não é só mais a esposa do Bolsonaro, o trabalho que ela fez durante dois anos, a habilitou a ser um quadro político, e poderia aparecer muitas coisas numa desfiliação dela, uma divisão do grupo, um abandono, entendeu? Mesmo sendo que a vontade dela era só realmente de cuidar do marido. Eu acho que a construção da coordenação da campanha, inclusive do próprio presidente Flávio, tem que ser uma construção de unidade, precisa de se buscar essa unidade, essa unidade ela é urgente, ela não pode ser menosprezada, ela não pode ser negligenciada, é um voto muito frágil desde a campanha passada, o voto das mulheres, então isso tem que ser um ponto de alerta”, disse Celina Leão.
Autossabotagem e fogo-amigo
Para além dos episódios que estremeceram a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, em que o senador, sucessivamente comete erros e produz provas e pautas contra a própria corrida presidencial. O senador, conta ainda com fogo-amigo de ‘artilharia pesada’, a exemplo dos principais articulares da campanha eleitoral, nos Estados Unidos, o empresário e influenciador Paulo Figueiredo, ou ainda o blogueiro Alan dos Santos, que protagonizaram, ao longo da semana, ataques a Michelle Bolsonaro, e por tabela a todas as mulheres do país.
Figueiredo, para além de ataques diretos à vida íntima de Michelle Bolsonaro, verborragizou excrecências, ao afirmar, por exemplo, que mulheres não sabem votar, ou as votam ‘certo’ são as casadas por seguirem os votos dos respectivos maridos. Mais que isso, o influenciador chegou a realizar uma classificação desconexa ao sugerir que o feminismo é “demoníaco e marxista”. Situação essa a levar o jornalista Reinaldo Azevedo a classificar o neto do ex-ditador, João Baptista Figueiredo “de ser uma espécie de Olavo de Carvalho, dos dias de hoje, com a diferença de alguns milhares de livros lido”. Com a ressalva as teses abjetas de Carvalho “especialmente a dos últimos anos”.
Posições essas, a contar com uma tardia reação de Flávio Bolsonaro e, dois dias depois quando vieram, foi interpretada como uma espécie de ‘jogada ensaiada’ entre o ‘Zero Um’ e Figueiredo. Atraso esse, conforme indicou Celina Leão ao ser questionada pelo jornalista na entrevista à GloboNews, não passa despercebido.
Visão de PDNews
Ao acompanhar o cenário político brasileiro, em especial de erros e auto-sabotagens da própria campanha cometidas por Flávio Bolsonaro, em especial no episódio em relação a tentativa de se esquivar do jornalista de The Intercept Brasil, de negar recebimento de dinheiro de Vorcaro e tentar descredibilizar o profissional de imprensa, para poucas horas depois ter que admitir o pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro, PDNews foi categórico ao afirmar, em artigo publicado em 3 de junho, intitulado Michelle Bolsonaro deve disputar Presidência da República contra Lula.
A este articulista, o abraço de Celina Leão e Damares Alves, vai para além de reforço ou consolidação de uma amizade. Mas, ao aceno que as mulheres devem somar forças e, com uso da liberdade poética, por parte deste articulista, para em clara paródia às falas de Figueiredo, jogar por terra, discursos maxistas demoníacos.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do PubliqueAI, plataforma para produção de textos jornalísticos com uso de Inteligência Artificial.









