Por Kleber Karpov
Uma especialista da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) emitiu um alerta para o risco de reintrodução do sarampo no Brasil, orientando a população a manter a vacinação em dia e a ter atenção redobrada aos sintomas. O aviso ocorre com a Copa do Mundo de 2026 em andamento e considera o aumento expressivo de casos nos países-sede do torneio — Estados Unidos, Canadá e México —, o que amplia o risco devido à intensa circulação de pessoas.
Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), mais de 248 mil casos de sarampo foram confirmados globalmente em 2025. Nos países que sediam a competição, os números são preocupantes. O Canadá registrou 5.062 ocorrências no ano passado e já soma 871 em 2026.
No México, os registros saltaram de sete casos em 2024 para 6.152 em 2025, atingindo 9.207 neste ano. Os Estados Unidos, por sua vez, notificaram 2.144 casos em 2025 e outros 1.738 em 2026, reforçando o cenário de alta circulação do vírus nas Américas.
“Nos últimos anos, temos observado um aumento significativo dos casos de sarampo nas Américas, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse cenário está diretamente relacionado à redução de pessoas vacinadas, situação que aumenta o número de indivíduos suscetíveis à infecção e favorece a circulação do vírus”, explica a pediatra da Gerência de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis da SES-DF, Marília Higino.
Vacinação como principal barreira
O Brasil mantém o status de país livre da circulação do vírus do sarampo desde 2024. No Distrito Federal, foram registradas 71 notificações de casos suspeitos em 2025, com uma única confirmação importada, sem transmissão secundária. Em 2026, 20 suspeitas foram notificadas, mas nenhuma foi confirmada até o momento.
Os dados reforçam a importância da imunização, já que, em 2025, 94,7% dos casos confirmados no país ocorreram em pessoas sem histórico vacinal. O calendário do MS preconiza duas doses da vacina tríplice viral para pessoas de 1 a 29 anos e profissionais de saúde, e uma dose para adultos de 30 a 59 anos.
“A vacinação continua sendo a medida mais eficaz para prevenir, controlar e eliminar o sarampo. Por isso, é fundamental que toda a população mantenha o esquema atualizado”, reforça Marília Higino.
O imunizante está disponível em mais de 170 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do DF. A SES-DF também informou ter intensificado a capacitação de profissionais para a identificação rápida de casos suspeitos e adoção de medidas de resposta, especialmente após a Copa do Mundo.
Sintomas e tratamento
O sarampo é uma doença infecciosa e altamente contagiosa, transmitida pelo ar. Os sintomas iniciais incluem febre alta, coriza, conjuntivite sem pus e manchas vermelhas na pele que começam no rosto e se espalham. As manchas de Koplik, pequenos pontos brancos na mucosa oral, são um sinal característico.
“Os primeiros sinais podem ser confundidos com outras doenças respiratórias. Por isso, a presença de febre associada ao surgimento de manchas na pele deve servir de alerta para que a pessoa procure rapidamente uma UBS para avaliação”, orienta a médica.
Não há tratamento antiviral específico para a doença. A terapia consiste no alívio dos sintomas e no suporte ao sistema imunológico até que o organismo elimine o vírus naturalmente. Grupos como crianças menores de 5 anos, gestantes e pessoas imunocomprometidas são mais suscetíveis a complicações.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











