Por Kleber Karpov
A ex-ministra da Saúde e ex-presidente da Fiocruz, Nisia Trindade utilizou as redes sociais para desmenir declarações do deputado federal, NiKolas Ferreira (PL-MG), sobre vacinação contra a Covid-19. A ex-gestora, afirmou que a pandemia, durante a gestão do governo Bolsonaro representou um “projeto negacionista” que resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil. Na manifestação, Nisia Trindade defendeu que a abordagem da crise sanitária é uma questão de ciência e saúde pública, e não de posicionamento político, criticando duramente a recomendação de medicamentos sem eficácia comprovada e a falta de políticas de proteção à população.
Cronologia científica contra a cloroquina
Nísia Trindade recordou sua participação em uma reunião da comunidade científica mundial, convocada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em fevereiro de 2020, antes mesmo de a Covid-19 ser declarada uma pandemia. Segundo a ex-ministra, nesse encontro foram listados medicamentos potenciais para serem estudados, e não recomendados para uso imediato pela população. A gestora enfatizou que o propósito era exclusivamente para pesquisa. “Não era para as pessoas usarem de modo algum. Era para se fazer pesquisas, testes, para ver se realmente ajudariam no enfrentamento à nova doença”, afirmou.
A ineficácia da cloroquina, de acordo com a declaração, foi comprovada rapidamente nos meses seguintes. Trindade destacou que uma pesquisa brasileira foi pioneira ao demonstrar não apenas a falta de resultados positivos, mas também o risco de “efeitos graves, podendo levar mesmo à morte de pacientes”.
Apesar das evidências científicas, o governo brasileiro insistiu na recomendação do medicamento. Ela mencionou que a decisão ignorou as conclusões do estudo “Solidariedade”, coordenado pela OMS e com participação da Fiocruz, que já havia definido que a cloroquina não era eficaz contra a Covid-19.
O custo do negacionismo em vidas
A insistência no erro, segundo Trindade, teve consequências fatais para o país. A combinação da promoção da cloroquina com a falta de recomendação do uso de máscaras e a ausência de proteção social adequada levou o Brasil a um cenário trágico durante a crise sanitária.
Ela apresentou dados para ilustrar a dimensão do problema. “Esses fatos levaram a que o Brasil, que tem menos de 3% da população mundial, alcançasse, em maio de 2022, a triste cifra de 11,7% das mortes”, disse, complementando que foram “mais de 700 mil vidas perdidas em consequência de um projeto negacionista”. As ações do governo na época foram listadas como parte central dessa estratégia. Conforme a declaração, a gestão anterior “negou a importância do uso das máscaras, propagou mentiras sobre as vacinas, não protegeu a sociedade como deveria”.
Negacionismo como projeto político
Trindade classificou o negacionismo científico como um “projeto da extrema direita no Brasil e em vários países do mundo”. Ela argumentou que essa abordagem ataca diretamente a ciência e os cientistas, privando a sociedade da proteção que o conhecimento científico pode oferecer. Ao final, a declaração reforçou a visão de que a politização da saúde pública foi um erro deliberado. “Falar de Covid-19 não é uma questão de esquerda ou de direita. É uma questão de ciência, de saúde pública, de defesa da vida”, concluiu.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














