Em reunião ministerial, Lula defende soberania do Brasil e sequência de diálogo com os EUA

Presidente critica ameaça de taxação americana, reafirma postura nacionalista e confirma presença em cúpula do G7

Por Kleber Karpov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (03/Jun) que o Brasil não aceitará o tratamento dos Estados Unidos como uma “republiqueta insignificante” e não adotará uma “política de vira-lata” diante das grandes potências. A declaração foi feita durante a segunda reunião ministerial de 2026, no Palácio do Planalto, em Brasília. As falas ocorrem após a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) de taxar em 25% produtos brasileiros, o que levou o governo brasileiro a reagir e a reforçar a importância do diálogo e da soberania nacional.

Lula abriu a reunião ministerial de 2026 destacando a defesa intransigente dos interesses do Brasil. O presidente ressaltou que o país vive um momento decisivo para que a sociedade brasileira e parte da comunidade mundial reconheçam o fortalecimento da democracia e do multilateralismo nacional. Ele criticou veementemente o tratamento dispensado pelos Estados Unidos ao Brasil na última semana.

O governo brasileiro reagiu prontamente à recomendação do USTR de impor uma taxação de 25% sobre produtos nacionais. Em nota à imprensa divulgada na terça-feira (02 de junho), o Executivo expressou sua indignação e apresentou uma série de fatos que desabonam a medida americana. No mesmo dia, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concederam coletiva de imprensa, reforçando os argumentos de defesa do país. “Esse país não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências”, afirmou Lula.

“Nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, eu diria até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes. Nós temos muita história, e nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta semana”, ressaltou o presidente.

Surpresa com novas tarifas

Lula relembrou que, desde julho de 2025, quando as primeiras tarifas foram impostas, o governo brasileiro tem buscado o diálogo com os Estados Unidos para reverter as taxações. Ele garantiu que o caminho da negociação será mantido, sempre com a preservação da soberania nacional. O presidente enfatizou que o Brasil tem agido com estratégia, construindo uma narrativa para demonstrar a insensatez da punição.

“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. O que é que nós fizemos? Nós não fizemos bravata, nós não fizemos discurso. Nós resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos Estados Unidos, mas mostrar a outros países e ao povo americano, a insensatez da punição ao Brasil”, lembrou Lula ao mencionar ainda, um acordo com o ex-presidente Donald Trump, em Washington, no início de maio. Ficou estabelecido um prazo de 30 dias para que representantes dos dois países discutissem as taxas remanescentes, visando a um consenso.

“Na última reunião houve uma divergência entre o meu ministro da Indústria e Comércio, o meu ministro das Relações Exteriores com o ministro do Comércio deles. Eu propus ao Trump, já que não tem acordo entre os dois ministros, de darmos 30 dias para que os dois se entendam. Essa reunião ainda não concluiu nada. Por isso a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil. Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem, com a decisão deles”, ressaltou Lula.

Multilateralismo e presença confirmada no G7

Em um movimento que sublinha a defesa do multilateralismo e da democracia, Lula anunciou sua participação na próxima reunião de líderes do G7. O encontro será realizado na França no próximo dia 15. Inicialmente, o presidente não planejava comparecer ao evento que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Sua decisão visa a “tentar colocar ordem nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições”. Lula defendeu o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que a solução para os problemas globais não está em sua destruição, mas sim em seu aprimoramento.

O presidente reiterou a necessidade de reformulação do Conselho de Segurança da ONU, tema frequentemente abordado em seus discursos sobre governança global. A presença de Lula no G7 é interpretada como um gesto para reforçar a posição do Brasil no cenário internacional e defender a ordem internacional baseada em regras.

“Eu nem ia ao G7. Agora eu vou. Porque é preciso alguém tentar colocar ordem nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo. É fortalecendo a ONU”, afirmou Lula.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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