Por Kleber Karpov
O empresário Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (14/Mai), durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero. A ação, que cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, aprofunda as investigações sobre uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos.
O grupo ‘A Turma’
A nova etapa da operação tem como alvo integrantes da chamada “A Turma”, uma estrutura que seria utilizada pelo grupo para intimidar desafetos. Investigações da terceira fase da operação, deflagrada em março, apontam que o grupo era coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, que seria responsável por organizar o monitoramento de pessoas e a obtenção de dados sensíveis.
Segundo a apuração, o grupo realizava vigilância e coleta de dados sobre indivíduos de interesse do esquema, além de atuar para pressionar pessoas que se posicionavam de forma crítica ao banco ou seus dirigentes. Em uma mensagem interceptada pela PF, Daniel Vorcaro diz a Mourão para “dar um sacode” em um chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário. “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, diz Vorcaro na mensagem.
Em outra conversa, Vorcaro pede a Mourão para “moer” uma empregada que o estaria ameaçando. “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”, escreveu. Mourão então pergunta o que deveria ser feito, e Vorcaro responde: “Puxa endereço tudo”.
As investigações indicam que Mourão recebia uma remuneração de R$ 1 milhão por mês pelos serviços, que envolviam consultas em bases de dados abertas e sistemas restritos de forças de segurança. Ele morreu na superintendência da PF em Minas Gerais após ser preso. Em despacho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que Mourão exercia “papel central” na coordenação do grupo.
Histórico da operação
A Operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025, quando a primeira fase resultou na prisão de Daniel Vorcaro e outros executivos, além do bloqueio de R$ 12,2 bilhões. A segunda fase, em janeiro de 2026, mirou familiares do banqueiro e bloqueou R$ 5,7 bilhões em ativos.
Em 4 de março, Daniel Vorcaro foi preso novamente na terceira fase, que focou na investigação dos crimes de ameaça e corrupção praticados pela organização criminosa. A quarta fase, em 16 de abril, apurou irregularidades na relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), resultando na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro.
A quinta fase, deflagrada em 7 de maio, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária, com o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens dos investigados.
Defesa se manifesta
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão de prisão se baseia em fatos cuja legalidade ainda não foi comprovada no processo. Os advogados criticaram a medida, considerando-a grave e desnecessária antes que explicações pudessem ser oferecidas. “se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje”, disseram os advogados.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










