Por Kleber Karpov
O Distrito Federal registrou 1.445 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre janeiro e o início de abril (20/Abr). O aumento, influenciado pela circulação antecipada de vírus respiratórios em todo o país, afeta majoritariamente crianças menores de 10 anos, que concentram 80% dos diagnósticos. Apesar do nível de alerta, dados do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam um cenário de estabilização, com a maioria das infecções sendo causada por agentes virais que não são influenza ou Covid-19.
A análise dos casos mostra que outros vírus respiratórios, como o rinovírus, o metapneumovírus e o vírus sincicial respiratório, são responsáveis por 56,8% das infecções. A influenza (gripe) representa 3,5% do total, enquanto a Covid-19 corresponde a 2%. Em uma parcela das ocorrências, o agente causador não foi identificado.
Em relação aos óbitos, as autoridades de saúde confirmaram uma morte por influenza A e outras cinco sem a identificação do vírus responsável.
Quando a gripe se torna grave
A SRAG é caracterizada pela evolução de quadros gripais comuns. Sintomas iniciais como febre, coriza e tosse podem se agravar, resultando em dificuldade respiratória. Grupos como idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas apresentam maior risco de desenvolver as formas graves da doença.
O clínico geral Gabriel Rabelo explica que sinais como febre persistente e falta de ar exigem atenção. “Os principais sintomas que diferenciam um quadro mais grave são a febre persistente e o desconforto respiratório, especialmente a falta de ar”, destaca. Ele orienta que, caso os sintomas não melhorem com o tratamento inicial, é fundamental retornar ao médico para investigar outras possíveis doenças.
Crianças exigem atenção redobrada
Com 80% dos casos de SRAG concentrados em crianças menores de 10 anos, pais e responsáveis devem estar atentos aos sinais de agravamento. O principal indicador de gravidade, segundo especialistas, é o padrão respiratório.
“O que mais observamos nas crianças é o desconforto respiratório. O aumento da frequência respiratória ou a presença de retrações no peito e no abdômen são sinais importantes de alerta”, explica o pediatra Ricardo André da Silva. O médico também alerta para a facilidade de transmissão no ambiente doméstico.
“Muitas vezes a criança adoece porque alguém próximo está gripado. Pode ser um parente, amigo ou vizinho. A criança se aproxima, e isso facilita a transmissão. Por isso, é importante evitar contato quando alguém estiver doente”, disse Ricardo André da Silva.
Vacinação é a principal proteção
A vacinação continua sendo a estratégia mais eficaz para prevenir casos graves e mortes. A campanha contra a gripe no Distrito Federal segue até 30 de maio, com doses disponíveis gratuitamente nas unidades básicas de saúde (UBSs).
Os públicos prioritários incluem crianças, idosos, gestantes, profissionais de saúde, professores, povos indígenas e pessoas com comorbidades. Gestantes a partir da 28ª semana também podem receber a vacina contra o vírus sincicial respiratório, que ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
Prevenção e locais de atendimento
Medidas simples de prevenção são recomendadas para reduzir o risco de transmissão, como higienizar as mãos com frequência, evitar aglomerações e não sair de casa ao apresentar sintomas gripais.
É fundamental procurar uma unidade de saúde diante de sinais de agravamento, como respiração acelerada, esforço para respirar, febre persistente, cansaço excessivo ou dificuldade de alimentação. O IgesDF oferece atendimento pediátrico 24 horas em unidades como as UPAs de Sobradinho, São Sebastião, Ceilândia I e Recanto das Emas.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











