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20 mar 2026 02:50

DF avança para promover políticas de saúde a partir de evidências científicas

Boletim Epidemiológico Anual de 2026 orienta ações e revela dados sobre tuberculose, meningite e coqueluche

Por Kleber Karpov

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) lançou, nesta quarta-feira (18/Mar), a edição de 2026 do Boletim Epidemiológico Anual (BEA) durante solenidade na Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs). A publicação, já disponível na revista científica Comunicação em Ciências da Saúde, visa subsidiar a formulação de políticas públicas com base em dados científicos, aprimorando a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de diversas doenças em um cenário de transição demográfica no DF.

Secretário de Saúde, Juracy Lacerda, ressaltou a importância das evidências científicas para as políticas públicas. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Durante o evento, o secretário de Saúde, Juracy Lacerda, destacou a importância do estudo para balizar as decisões da gestão. Segundo o gestor, o Distrito Federal atravessa um período de transição epidemiológica, impulsionado por mudanças no perfil da população que exigirão novos planejamentos para atendimentos e financiamento do sistema. “Estamos diante do envelhecimento da população de maneira abrupta e o aumento da expectativa de vida”, explicou.

O secretário também mencionou os investimentos em tecnologia para aprimorar a coleta de evidências. A pasta tem distribuído tablets para Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde (Avas), Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) e equipes de Consultório na Rua (eCR), além de adquirir novos programas e softwares para a tomada de decisões.

Da análise à ação no território

A subsecretária de Atenção Integral à Saúde, Raquel Mesquita Alves, ressaltou que o boletim é uma ferramenta para converter informações em ações concretas que impactam diretamente a vida dos cidadãos. “Não estamos apenas discutindo dados. Estamos discutindo decisões que alteram trajetórias de vida”, afirmou.

O subsecretário de Vigilância à Saúde, Rodrigo Republicano, reforçou o papel estratégico do setor na proteção da população contra surtos e epidemias, muitas vezes por meio de ações que não são visíveis ao público. “As ações da vigilância muitas vezes não são vistas, mas são de extrema importância para que a saúde pública seja preservada”, acrescentou.

Responsável pela condução dos trabalhos, a diretora de Vigilância Epidemiológica, Juliane Malta, celebrou a união entre epidemiologia, pesquisa e assistência na elaboração do documento. “Iniciativas como o BEA reafirmam um princípio fundamental da vigilância epidemiológica: a análise qualificada dos dados e a produção de evidências como base para orientar decisões e fortalecer as ações do SUS no território”, finalizou.

Indicadores do monitoramento

O boletim apresenta dados sobre a evolução de diversas doenças. Entre 2019 e 2024, a incidência de doença meningocócica registrou queda, passando de 0,74 para 0,16 casos a cada 100 mil habitantes. Em contrapartida, as meningites causadas por pneumococo aumentaram no mesmo período, subindo de 0,34 para 0,91 casos.

Em relação à coqueluche, a análise do período de 2006 a 2024 revelou que 61,2% dos casos ocorreram em crianças com menos de um ano de idade. O dado deve levar ao reforço de ações de saúde voltadas para este público específico.

O documento também emite um alerta sobre a tuberculose. Entre 2021 e 2023, a incidência da doença subiu de 10,1 para 13,4 para grupos de 100 habitantes. Simultaneamente, entre 2015 e 2023, a taxa de cura caiu de 72,2% para 53,7%, enquanto o índice de abandono do tratamento cresceu de 5,3% para 14,7%.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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