Por Kleber Karpov
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (02/Fev), a interdição cautelar do leite condensado semidesnatado La Vaquita e apreendeu os suplementos Glicojax e Durasil em São Paulo. As medidas foram tomadas devido à reprovação do leite condensado em testes microbiológicos, que indicaram risco de intoxicação alimentar, e à origem desconhecida e propagandas enganosas dos suplementos, cujos alegados benefícios carecem de comprovação científica.
Leite condensado
O lote do leite condensado La Vaquita foi reprovado após passar pelo teste microbiológico Estafilococos Coagulase Positiva (ECP). As análises fiscais que constataram a irregularidade foram realizadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels, evidenciando contaminação no produto lácteo.
O teste ECP é uma ferramenta importante para verificar a quantidade de bactérias Staphylococcus aureus presentes em alimentos, bebidas e suas embalagens. A existência dessas bactérias em níveis elevados pode ocasionar intoxicações alimentares graves e outras enfermidades nos consumidores, o que motivou a interdição cautelar pela Anvisa.
Inicialmente, a Anvisa atribuiu o leite condensado La Vaquita à empresa Apti Alimentos. No entanto, a indústria alimentícia emitiu uma nota oficial refutando a associação, afirmando que o produto em questão não faz parte de seu portfólio e que a ligação foi feita erroneamente pela agência de vigilância sanitária.
Suplementos questionados
No segmento de suplementos, a Anvisa constatou que tanto o Glicojax quanto o Durasil possuíam origem desconhecida, o que já configura uma infração grave às regulamentações. Além da ausência de identificação do fabricante, ambos os produtos utilizavam propagandas enganosas para sua comercialização.
O suplemento Glicojax, em particular, alegava oferecer diversos benefícios terapêuticos aos seus usuários. Dentre as promessas, estavam o auxílio no controle da glicose sanguínea, suporte cardiovascular, apoio à saúde metabólica e controle da diabetes.
Entretanto, a Anvisa verificou que todas as alegações de benefícios terapêuticos promovidas pelo Glicojax não apresentam qualquer tipo de comprovação científica. A falta de base em estudos técnicos para tais promessas representa um risco para a saúde pública e para os consumidores que buscavam soluções para condições de saúde.
Já o suplemento em gotas da marca Durasil também foi alvo das medidas da Anvisa, devido às suas promessas de aliviar dores e melhorar a função erétil. Assim como o Glicojax, o Durasil teve seu fabricante identificado como desconhecido, impossibilitando a rastreabilidade e fiscalização adequada do produto.
Plataformas de venda online se manifestam
Procurados pela imprensa, as plataformas de vendas online Shopee e Mercado Livre, que comercializavam os suplementos apreendidos, para obter seus posicionamentos. Ambas as empresas se manifestaram sobre as providências tomadas em suas operações.
A Shopee, por meio de nota, declarou que cumpre rigorosamente as regulamentações e leis locais, além de exigir a mesma conformidade de todos os vendedores cadastrados em sua plataforma. “Assim que tomou conhecimento da determinação, a Shopee removeu prontamente os anúncios em questão”, garantiu a empresa, ao reforçar que produtos em desacordo com as normas são retirados e lojas são penalizadas para proteger os usuários.
O Mercado Livre por sua vez, ao se manifestar enfatizou que os termos de uso de sua plataforma proíbem expressamente a venda de produtos não autorizados pela Anvisa. A empresa afirmou que “mantém atuação contínua no combate à venda de itens irregulares, por meio do uso de tecnologia própria, equipes especializadas de monitoramento e canais de denúncia”. Segundo o Mercado Livre, sempre que um anúncio em desacordo com as regras é identificado, o conteúdo é retirado do ar e o vendedor pode sofrer medidas como suspensão ou bloqueio da conta.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










