Por Kleber Karpov
A família do brasileiro Matheus Silveira, detido pelo serviço de imigração e alfândega dos Estados Unidos (ICE), cobra explicações sobre a demora na extradição do jovem para o Brasil (30/Jan). O brasileiro reside nos EUA desde 2019 e já possui autorização judicial para deixar o país, mas permanece sob custódia desde novembro. Recentemente, agentes americanos transferiram Matheus para um centro de detenção migratória no estado da Louisiana, dificultando o contato com a defesa.
Denúncias de tratamento degradante
A mãe do jovem, Luciana Santos de Paula, relata que o tratamento nas unidades de detenção é desumano. Segundo ela, a alimentação é insuficiente e a família precisa arcar com custos elevados para garantir comida e comunicação básica. A transferência para a Louisiana deveria ocorrer como etapa prévia ao embarque imediato, mas o cronograma de saída voluntária não foi cumprido pelas autoridades americanas.
“O tratamento é horroroso, é desumano, ele fica lá perdido. A alimentação é péssima, é pouca, a gente têm que pagar pela comida. A ligação é muito cara e não pode ficar ligando porque tem que pagar. O combinado era para ele ir para esse outro centro de detenção próximo ao aeroporto e dois dias depois embarcar”, disse Luciana Santos de Paula.
Histórico e situação jurídica
Matheus Silveira é casado com uma cidadã americana desde 2024 e foi detido logo após a última etapa do processo para obtenção do visto de residência permanente (greencard). Após a prisão, o brasileiro optou por desistir do processo migratório e solicitou a saída voluntária do país. Apesar de o juiz responsável pelo caso ter determinado a saída de Matheus dos Estados Unidos, o serviço de imigração mantém o jovem encarcerado sem apresentar justificativas técnicas para o atraso.
A defesa do jovem afirma que não recebe atualizações sobre o andamento do caso por parte do ICE. O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota oficial, que acompanha o episódio e presta assistência consular ao brasileiro e aos seus familiares. A família questiona a permanência da detenção, uma vez que o objetivo do órgão americano é justamente a retirada do estrangeiro do território nacional.
“Não era para ele estar passando por isso. O juiz determinou a saída dele do país. Se eles não querem ele lá, por que estão prendendo ele lá? É muito cruel isso. A gente não entende isso e ninguém dá uma explicação”, disse Luciana Santos de Paula.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










