A pressa de ser depois

Por Gustavo Frasão

Dezembro mal esquentou o tamborim do Natal e lá estavam as serpentinas nas vitrines, acenando para um Carnaval que parecia querer pular sobre os dias, atropelando o Réveillon sem nem pedir licença. Antes que a última marchinha soasse nas ruas, surgiam os coelhos e ovos coloridos, anunciando que a Páscoa vinha correndo, desesperada, tropeçando nos confetes. E agora, mal o coelhinho teve tempo de esconder suas últimas pegadas, já é o Dia das Mães que sorri das prateleiras, de braços dados com o Dia dos Namorados, porque amar, afinal, nunca sai de moda.

Foi num passeio despretensioso pelo shopping esse fim de semana com a família, entre uma loja e outra, que percebi: a vida anda com pressa de acabar. Não digo acabar no sentido dramático, mas no sentido de sempre querer estar no próximo capítulo, no próximo feriado, na próxima campanha, na próxima vitrine… até o fim. Vivemos como quem assiste a um filme adiantando as cenas para ver logo o final, sem tempo de rir das piadas, aproveitar o trajeto ou chorar nos momentos certos.

O comércio é o espelho mais gritante dessa ansiedade coletiva. Queremos ser felizes no próximo sábado, no próximo presente, na próxima liquidação. Um empilhamento de promessas que nunca cumpre a alegria do agora. Enquanto isso, o presente — esse instante precioso — fica esperando do lado de fora da loja, segurando a nossa sacola cheia de futuros.

Vejo crianças que ainda brincam com ovos de chocolate sendo puxadas pela mão apressada da mãe, que já olha os perfumes em promoção para a avó. Vejo casais planejando jantares românticos enquanto engolem os últimos bombons da Páscoa. Vejo vitrines que gritam “compre, ame, celebre!”, mas cochicham no fundo: “corra, que o próximo já vem aí.”

Quando tudo passar — e vai passar —, quando as vitrines forem só poeira e etiquetas amareladas, como vamos sair desse ciclo? Que saldo restará? Talvez a memória de um abraço apertado que foi dado sem pressa, de um almoço de domingo onde ninguém mexeu no celular, de um passeio pelo shopping onde o maior presente foi a risada compartilhada, de momentos intensos, sinceros e infinitos com o que dinheiro nenhum no mundo compra.

O agora é um presente — desses que não entram em caixa, nem ganham laço, nem estão em liquidação. Aproveitem a vida. O Natal vai voltar, o Carnaval também. Mas o hoje, esse não tem reposição.


Gustavo Frasão
Jornalista


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