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04 fev 2026 07:27

Letalidade por vírus respiratório em idosos chega a 25% em dez anos

Vacina contra VSR só está disponível para este público na rede privada

Por Tâmara Freire

Apesar de ter mais incidência em crianças pequenas, a infecção por vírus sincicial respiratório (VSR) também pode ser grave em idosos, com maior risco de morte. De 2013 a 2023, a letalidade nesse grupo foi de quase 26%, de acordo com levantamento feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal de Santa Catarina, da farmacêutica GSK e da empresa de informação em saúde IQVIA.

Os dados da pesquisa mostram que 71,5% dos pacientes que morreram tinham pelo menos uma comorbidade, entre as quais as mais comuns foram as doenças cardiovasculares, seguidas pelo diabetes e pelas doenças pulmonares. A proporção foi semelhante à de todos idosos internados, independentemente do desfecho: 64,2% já tinham alguma condição cardíaca, 32% tinham diabetes e 26,5%, alguma pneumopatia.

“Este é um vírus que causa um processo inflamatório intenso, e o paciente cardiopata tem dano direto. Um estudo com pacientes na Inglaterra revelou que pacientes saudáveis que se infectaram com o vírus tiveram miocardite, que é a inflamação do coração. Com o VSR, o paciente que já tem insuficiência cardíaca descompensa, o aporte de oxigênio diminui, e ele tem que fazer muito mais força pra bombear aquele coração, que já é doente. Pessoas com doença arterial coronariana, que têm risco de infartar, tiveram três vezes mais risco depois de uma infecção”, explica a infectologista da GSK Lessandra Michelini, uma das autoras do estudo.

Em números absolutos, a infecção por VSR em idosos parece um problema menor, já que apenas 3.348 internações nessa faixa etária foram registradas por unidades públicas ou privadas no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe, durante este período de dez anos. Lessandra explica que a testagem para o vírus sincicial só começou a ser feita de forma mais recorrente a partir de 2017, mas até hoje muitos adultos com a doença passam despercebidos.

“A criança tem uma carga viral em orofaringe maior, então é mais fácil o exame diagnosticar o vírus no swab. Já o adulto precisa estar muito no início da infecção para ter uma carga viral alta. E quando ele tem sintomas como febre, geralmente ele fica em casa por uns 3 ou 4 dias, esperando melhorar, antes de procurar o hospital. A não ser que ele já comece muito grave e precise se internar. Aí tem chance maior de fazer o exame”, complementa Lessandra.

Mesmo assim, a pesquisa mostrou que a taxa de hospitalização passou de 0.3 para 2.1 de 2013 a 2023, sete vezes maior. Além disso, 32.6% dos pacientes tiveram que ficar em unidade de terapia de intensiva e quase 70% precisaram de suporte respiratório.

Vacinação

O VSR pode ser prevenido com vacinação, mas por enquanto as duas opções autorizadas para uso em idosos no Brasil só estão disponíveis na rede privada: a Arexvy, produzida pela GSK, e a Abrysvo, da Pfizer.

O Ministério da Saúde anunciou a incorporação da Abrysvo no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do segundo semestre deste ano, mas apenas para gestantes, com o objetivo de proteger os recém-nascidos. À época do anúncio, o governo informou que está estudando ampliar a imunização também para grupos específicos de idosos, mas sem estimar prazo.

Estudo recente feito pela GSK para avaliar a eficácia da Arexvy ao longo de três temporadas de circulação do VSR identificou que a vacina teve cobertura de 82,6% contra infecções e de 94% contra casos graves no primeiro ano e que a proteção acumulada ao longo de 31 meses foi de 62,9%.

Os dados provêm do acompanhamento de cerca de 25 mil idosos vacinados em 17 países.

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