Comissão de Transparência questiona contrato do Iges-DF que chega ao 51º termo aditivo

Por Francisco Espínola

A Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle (CFGTC) teve reunião em que foram apresentados dados referentes ao contrato de gestão firmado entre o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES).

A Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Contrato do Iges mostrou um trabalho de auditoria que identifica vários problemas no contrato, seus aditivos e a sistemática para prestação de contas ou aplicação de penalidades. Como um dos principais resultados do encontro, a Comissão apresentou um requerimento de informação destinado para a SES com objetivo de buscar esclarecer o emaranhado de informações relativos ao contrato entre a secretaria e o IGES. Segundo os parlamentares, atualmente, o que está disponível não permite que seja feita a efetiva avaliação das metas e dos indicadores estabelecidos.

“O termo aditivo não poderia ter sido feito neste momento porque estamos falando de outros oito contratos. E isso traz uma ilegalidade tremenda. A questão não é de metas e indicadores, mas a questão jurídica e legal da situação. Isso será informado ao Tribunal de Contas do DF e ao Ministério Público. Não era para ter sido feito um termo aditivo, mas sim um novo contrato”, declarou a presidente da CFGTC, deputada Paula Belmonte (Cidadania).

Tamanho do IGES

Atualmente, o contrato está em seu 51º aditivo e o Iges assumiu parte relevante do atendimento de saúde pública no DF. Para se ter uma ideia, o instituto realizou 22,33% de todos os procedimentos feitos pelo sistema de saúde pública sob responsabilidade da SES, ou seja, pouco mais de um em cada cinco procedimentos. Já em relação ao gasto com pessoal, o IGES responde por pouco mais do que um em cada quatro reais destinados pela SES para a saúde pública: 26,32%. Além disso, o custo médio geral de procedimentos é 15% maior do que o da SES.

O presidente substituto da Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Contrato do IGES, Luis Roberto Domingues, apontou alguns dos principais problemas durante apresentação feita para os parlamentares da CFGTC. Entre eles, o de que falta precificação efetiva do serviço prestado. “Essa é uma grande briga. Desde que entrei estou brigando porque quando eu vou contratar um serviço, um hospital, tenho que saber quanto custa”, afirmou o auditor de carreira do GDF.

Cirurgias Eletivas

Outra questão apontada foi referente às cirurgias eletivas, que estão com baixo índice de execução, levando a uma fila de espera de mais de 22 mil procedimentos cirúrgicos. “Esse índice está na faixa de 47% só. O maior problema: quando o paciente é chamado para fazer a cirurgia, os exames já venceram”, disse Domingues. Ele ainda completou dizendo que falta métrica para determinar a capacidade instalada do IGES. Sobre penalização, ele foi categórico. “Até hoje não aconteceu glosa nenhuma no contrato. Não há penalização do contrato, somente das metas. Se o Iges descumprir um item contratual, não acontece nada com ele. Só acontece se descumprir meta. Então para que [existe] o contrato?”, indagou.

Paula Belmonte também questionou sobre o cumprimento das metas acerca de intervenções cirúrgicas. “Sobre cirurgias eletivas de alta complexidade, o IGES não vem cumprindo há muito tempo. Acho que nunca cumpriu. É algo que foi a esperança na abertura do IGES para que isso fosse feito. Como esse 51º aditivo tem feito para minimizar isso?”, perguntou a deputada. E a resposta foi: “Nada, porque até agora ele não está nem mesmo sendo implementado, pois saiu com um problema absurdo já que alterou a forma de avaliação, de procedimento e vários processos já no fim do quarto quadrimestre”, contou Domingues.

Já a deputada Dayse Amarilio (PSB) apontou a frustração que tem com a quantidade dos termos aditivos. “Há divergência entre o contrato de gestão original e o próprio termo aditivo. São tantos termos aditivos que eles contradizem o próprio contrato e isso é muito sério. Acho que eles fazem isso para a gente não ter controle mesmo. Isso é um desrespeito”, exclamou Dayse.

Por sua vez, o deputado Gabriel Magno (PT) foi enfático ao dizer que “o Iges age na ilegalidade”. O parlamentar completou: “A lei [federal] 8.080 é a Constituição do Sistema Único de Saúde no Brasil e diz que a ‘iniciativa privada poderá participar do sistema público de saúde em caráter complementar’ e o IGES não entende isso. Na atenção secundária, o IGES basicamente já não é complementar já que cuida de todas as UPAs e falamos de um serviço essencial e regular da rede. Outra ilegalidade é que o IGES passou a receber transferência direta do Fundo Constitucional desde o ano passado [2023] e não consta essa possibilidade em nenhum dos 50 aditivos que nós levantamos. Isso é um flagrante ilegal”, afirmou o deputado.

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...

IGESDF prepara profissionais para tornar atendimento no SUS mais ágil e eficiente

Por Kleber Karpov O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde...

Solidariedade feita à mão leva 80 turbantes a pacientes oncológicas do Hospital de Base

Por Kleber Karpov Um mutirão de artesanato movido pela solidariedade...

Anvisa interdita parte de terminal no Porto de Santos (SP)

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Destaques

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...