Moro ameaça deixar governo caso Bolsonaro exonere diretor-geral da Polícia Federal

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Ao presidente, Moro deixa claro intenção de sair do Ministério da Justiça caso Bolsonaro exonere Maurício Valeixo

Por Kleber Karpov

Nesta quinta-feira (23/Abr), após se reunir com o presidente Jair Bolsonaro, para receber comunicado sobre a troca de comando na Polícia Federal (PF), o ministro da Justiça, Sérgio Moro, foi enfático em deixar claro ao mandatário do país que deixa o governo, caso a exoneração se confirme.

Ao presidente, moro afirmou que “Não fará sentido eu continuar no cargo, caso o Maurício Valeixo saia”, disse ao se contrapor a demissão do diretor-geral da Polícia Federal.

Acuado, o Planalto ainda não se manifestou se haverá recuo por parte de Bolsonaro na decisão de exonerar Valeixo.

Encolhimento

Moro ganhou notoriedade após assumir o comando, da condução da operação Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4a Região, em Curitiba (SC). Após a eleição de Bolsonaro, o então juiz abandonou o magistério para assumir a cadeira do então, superministério da Justiça, sob a promessa de atuar para combater a corrupção no país.

Porém, embora seja o segundo político brasileiro com maior índice de popularidade, ainda em maio de 2019, Moro perdeu o controle do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), atualmente, sob o controle do Ministério da Economia. Isso após a Câmara Federal (CF) votar a Medida Provisória 870, que reestruturo os ministérios.

Outro episódio que também teve impacto na popularidade de Moro, foram as revelações do jornal The Intercept Brasil, em junho de 2019. Na ocasião, informações apontaram ligações estreitas do então juiz com o procurador Deltan Dallagnol, sobre o processo da Lava Jato, que condenou mais de 1000 pessoas, o que inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a cumprir pena em Curitiba.