MPF investiga Bolsonaro e Maia durante votação da Reforma da Previdência e áudio de deputada pode colocar ‘lenha na fogueira’

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Em áudio atribuído à deputada Carla Zambelli (PSL-SP), vazado no Twitter, parlamentar aponta recebimento de recursos em troca de voto favorável à Reforma da Previdência.

Por Kleber Karpov

O Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal publicou no Diário Eletrônico do MPF, de quinta-feira (16/Jan), a Portaria 11, de 13 de janeiro de 2020 em que informa a abertura de inquérito civil contra o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (PP). Investigação corre em segredo de Justiça e tem o prazo de um ano, com a a possibilidade de renovação, pelo mesmo período.

A investigação está sob condução do procurador da República, Carlos Bruno Ferreira da Silva, foi solicitada pelos deputados federais do PSOL, David Miranda (RJ), Edmilson Rodrigues (PA), Fernanda Melchionna (RS), Áurea Carolina (MG) e Glauber Braga (RJ). O motivo, eventuais “interferências indevidas”, no processo de aprovação da Reforma da Previdência.

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Toma lá, da cá

Embora corra em segredo de Justiça, durante a votação da reforma da previdência, foram várias as denúncias por parte de deputados, contrários a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 06/2019 sobre eventual condicionamento de liberação de recursos para pagamentos de emendas paramentares.

Um dos casos, amplamente divulgados por diversos veículos de imprensa, a exemplo da Reuters, Exames, Brasil 247, dentre outros, apontados, foi a liberação de R$ 441 milhões realizado pelo Ministério da Saúde (MS).

Em nota ao Estadão (16/Jan), o MS, explicou que anualmente, “recebe cerca de R$ 10 bilhões em emendas parlamentares para execução de seu orçamento. Ainda de acordo com o Ministério, tal recurso se tratava de uma “execução regular de suas atividades”.

A pasta explicou ainda que a execução ocorreu após encontros de secretários de saúde de todo país, municipais e estaduais, e também de 10 audiências públicas realizadas na Câmara Federal e no Senado “e uma agenda rotineira de reuniões com parlamentares e representantes locais para a definição de ações nas diversas regiões do país”.

Lenha na fogueira

Deputada Carla Zambelli (PSL-SP) – Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Porém, um áudio atribuído a deputada Carla Zambelli Salgado (PSL-S), que veio a público, no Microblog Twitter (17/Jan) pode colocar ‘lenha na fogueira’. Nele a congressista faz um relato, supostamente direcionado ao secretário de Saúde de São Carlos (SP), em que lamenta a indisponibilidade de verba parlamentar para destinação de emendas, por ocasião do primeiro mandato. Isso, na mesma ocasião em que apontou o acesso a recursos destinados pelo governo federal, em decorrência do voto favorável à Reforma da Previdência, por parte dos congressistas.

“Infelizmente o deputado no primeiro ano de mandato não tem verba. Eu só consegui essa verba e indiquei mais R$ 5 milhões para saúde e pro Estado porque houve uma verba suplementar por conta da Reforma da Previdência. Então todos os deputados que votaram a favor da previdência tiveram alguma verba, que poderiam tirar de alguns ministérios para poder mandar para algumas cidades.”, lamentou.

Escândalo

O áudio atribuído a Carla Zanbelli, que deve ser anexado aos autos do processo do MPF, foi classificado pela deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP), como um “escândalo”. Posição essa que é considerada uma confissão de ter recebido recursos em favor da Reforma da Previdência.

“Somado a diversas manifestações públicas de parlamentares e também do governo, o áudio de Carla Zambelli revela que a reforma da previdência só foi aprovada a partir da liberação de dinheiro público para compra de votos. Um verdadeiro esquema sujo de “toma lá, dá cá”.”, postou Sâmia Bonfim.

Confira o áudio

Deputada refuta áudio

Também no microblog Twitter, na manhã de sábado (18/Jan), a deputada federal, refutou o áudio que vazou nas redes sociais. Segundo Carla Zambelli, a referida mídia, proveniente de uma entrevista a uma rádio paulista, foi deturpada e retirada do contexto. “Não existia toma lá, dá cá. Não tem isso no governo Bolsonaro.”, afirmou.


Atualização 19/01/2020 às 2h06