Direção do HRT ‘agiliza’ remoção de enfermeiro de Pronto Socorro por pedir dignidade aos pacientes

1449


Print Friendly, PDF & Email

Gestão do HRT utiliza demonstração de poder para reafirmar falta de capacidade de gestão e acentuar perda de liderança, sugere Médico da unidade. Mistura a base de nitroglicerina, em se tratando de unidade onde servidores coagidos e desmotivados tentam garantir atendimento digno aos pacientes

Por Kleber Karpov

Na manhã de sexta-feira (19/Jan) dezenas de servidores se mobilizaram para pedir o retorno do enfermeiro Diego Sampaio Gomes Natividade ao Pronto Socorro (PS) do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Porém, no período vespertino, a gerência de enfermagem e a supervisão do HRT ratificaram a transferência do profissional de saúde para o Centro Cirúrgico (CC).

Publicidade

Política Distrital (PD) acompanhou o caso de remoção de Diego Sampaio do Pronto Socorro para outra área do hospital. A direção do HRT, de forma arbitrária fez valer a prerrogativa da gerência de enfermagem, conforme a unidade preconiza a garantia estabelecida pelo “Artigo 8o da Portaria no. 235 de 21 de setembro de 2015”.

Transferência essa, em apuração de PD, que ocorreu, além da falta de aviso prévio, sem anuência tanto por parte de Diego Sampaio, quanto da própria chefia imediata do servidor.

Vale ressaltar que a chefia imediata, por sinal, informou à gerência que a retirada de Diego Sampaio do Pronto Socorro desfalcaria a equipe que atende demandas de urgência e emergência no HRT.

Prepotência e arrogância

Um servidor que trabalhava com Diego Sampaio no PS do HRT, sob sigilo de identidade, lamentou o episódio, ao mencionar que os gestores do HRT “encarnaram o jeitinho Rollemberg e do secretário de saúde [Humberto Lucena Pereira da Fonseca] de gerir a saúde do DF.”, o que considerou, desmotivador.

“É desmotivador pois mesmo com a nossa manifestação, no período da tarde, eles emitiram um memorando para o departamento pessoal  solicitando  alteração da lotação  e execução da escala do Diego e ordem de serviço para movimentação para o Centro Cirúrgico. É como se nós não existíssemos ou nossa opinião não contasse. E talvez não conte realmente”, lamentou.

Um médico também conversou com PD sob sigilo de identidade. O profissional de saúde atribuiu “a esse tipo de gestores” a responsabilidade pelo caos do HRT e outros hospitais do DF começa pela gestão.

Para o profissional de saúde, ações de demonstração de poder dessa natureza apenas reafirmam a falta de capacidade de gestão do hospital e acentuam a falta de liderança dessas pessoas.

“Infelizmente é isso que um servidor exemplar como o Diego que muito nos auxiliou aqui no PS do HRT tem recebido por parte dessas pessoas. E não é só aqui no HRT, os servidores sentem isso na pele em praticamente todos os hospitais. Tentam fazer uma gestão burra, autoritária e com isso desmotiva ainda mais os servidores, que ainda ‘se matam’ para tentar evitar um número maior de óbitos desnecessários de pacientes nas unidades de saúde do DF. Deveriam valorizar essa força de trabalho, em meio a essa total falta de estrutura que vivemos na Saúde do DF, mas parece que eles preferem deixar as pessoas morrerem, por falta de atendimento adequado, no hospital e nas demais unidades de saúde. É isso, infelizmente, quando um servidor tenta sensibilizar a gestão para o problema, é isso que ganha.”, lamentou o médico.

Entenda o caso

O caso ocorreu após Diego Sampaio sofrer retaliação, por parte da gestão, por pedir, durante uma reunião, melhorias no atendimento aos pacientes e nas condições de trabalho aos servidores.

Ao tomar conhecimento da remoção arbitrária, profissionais de saúde entre médicos, enfermeiros e técnicos chegaram a coletar cerca de  200 assinaturas, em que pediram a manutenção do trabalhador no Pronto Socorro, documento esse, ignorado pelas gestoras da unidade.

O que diz a SES

Questionada sobre a manifestação dos servidores em defesa de Diego Sampaio, por meio de nota a Secretaria de Estado de Saúde do DF, reiterou a prerrogativa de a gestão realizar a transferência de servidores. A pasta alega ainda a inexistência de prejuízo ao Pronto Socorro, mesmo com posicionamento contrário, por parte da chefia imediata do PS.

“A direção do Hospital Regional de Taguatinga esclarece que a lotação dos enfermeiros é um ato material de gestão. No referido caso, foi constatada a necessidade da atuação do profissional no Centro Cirúrgico. Diante disso, a Gerência de Enfermagem solicitou o remanejamento interno, sem qualquer prejuízo da força de trabalho do pronto-socorro.Vale esclarecer que, ao fazer o concurso público, o candidato está sujeito a ocupar seu cargo em qualquer unidade da rede pública de saúde. Ao tomar posse, o servidor é lotado em local definido pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas, conforme as necessidades da rede.”.