“Estão aguardando outro bebê morrer para liberar uma vaga” afirma a mãe do pequeno Ghael sobre falta de leito de UTI no HMIB

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Médico lembra que PD fez matéria sobre Ghael e pede ajuda ao blog para chamar atenção do descaso da Secretaria de Saúde

Por Kleber Karpov

Internado na unidade semi-intensiva do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) no dia 12 de outubro, os pais do pequeno Ghael Davi, de um ano, voltam a viver dias de aflição. O bebê, que nasceu em maio de 2016 com sequelas, por omissão da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), volta a necessitar de uma vaga no leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O caso foi denunciado ao Política Distrital (PD) por meio de uma médica, que pede sigilo de identidade. A profissional de saúde alertou para a fragilidade do pequeno e a falta de ‘empenho’ por parte da SES-DF para garantir o acesso de Ghael a um leito de UTI.

“O menino está com os rins parando, entretanto ainda não foi encaminhado à UTI, nem do HMIB, nem de outra UTI infantil. Trata-se de um problema sério de doença e o menino está há muito tempo for a da UTI. Receio que ele venha a óbito, dado o quadro atual e os precedentes. O senhor já publicou o caso dessa criança há, mais ou menos um ano, no seu site e viabilizou uma entrevista televisiva com a família.”, disse ao se desculpar “Desculpe-me pela insistência, mas como se trata de um problema sério de doença. Estamos todos aflitos.”, concluiu.

PD teve acesso ao relatório do pequeno Ghael, onde o médico responsável pelo atendimento de Ghael aponta um quadro de insuficiência respiratória, cianose, extremidades frias e desidratação grave. O bebê apresentou ainda crises convulsivas, parada cardiorrespiratória, foi entubado, contraiu infecção generalizada e está em coma, onde respira com ajuda de aparelhos. Porém, ainda assim o paciente permanece internado, no semi-intensivo do HMIB, à mercê da própria sorte.

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Em contato com  a mãe de Ghael, a designer Adriana Correia da Cunha, 36 anos explicou que após ser internado  no HMIB o bebê precisou de um leito de UTI. Adriana teve que recorrer à Justiça e obteve uma liminar, com determinação de internação do bebê, porém, sem vagas, permanece no desespero.

Adriana e o pequeno Ghael – Foto: Divulgação

“Nós conseguimos uma liminar na Justiça garantindo uma vaga para ele, mas até agora, nada. Disseram que deveria surgir uma vaga até às 18 horas [de domingo (15/Out)]. Mas me disseram que estão esperando outro bebê morrer, para abrir a vaga para ele. Olha que absurdo isso.”, disse ao observar que a Justiça determinou um prazo de 48 horas para cumprimento da decisão “mas nós não temos esse tempo”, desabafou.

Segundo Adriana, o pequeno Ghael está com infecção generalizada e corre contra o tempo pois a  sepse já atingiu os rins e agora os pulmões. “O estado dele é muito grave. Ele está parando, com a pressão baixa, quase não faz xixi e está precisando fazer hemodiálise.”, afirmou.

Caos

Adriana explicou que o HMIB é o único hospital do DF que dispõe de pediatras, porém, além da superlotação, faltam insumos básicos na unidade. Ainda de acordo com a mãe de Ghael, devido a falta de leitos, os médicos são obrigados a realizar procedimentos na própria sala do Centro de Terapia Intensiva (CTI).

“Todo dia tem uma briga aqui na porta do hospital com os pais querendo entrar e os médicos não têm como atender. E a culpa cai nos médicos e não no governo. O único lugar que tem atendimento de pediatria é aqui no HMIB. Aqui tem gente de tudo que é lugar. E o pior, a falta de estrutura é total. Eles não têm uma seringa número três, os próprios médicos acabam comprando. Não tem algodão dentro do hospital, para você ter noção. Estão fazendo procedimento médico aqui, dentro da sala da CTI, porque não tem lugar apropriado para fazer os procedimentos. É crueldade o que estão fazendo com os pacientes e com os servidores também.”, desabafou.

O que diz a SES-DF

PD acionou a Secretaria de Saúde (14/Out), sobre a disponibilidade de vagas na UTI do HMIB ou de outra unidade de saúde, porém, até o momento da publicação da matéria, a pasta não se manifestou sobre o assunto.

Sobrevivente

No final de julho de 2016, PD abordou o caso do pequeno Ghael, então, recém-nascido. À época, Adriana recebeu encaminhamento para que o bebê, que nasceu com sequelas, fosse atendido por uma neuropediatra no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar (HCB). Porém, após quase dois meses, a família sequer chegou a receber contato do HCB para agendar consultas.

À época o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB) sustentava que o HCB era referência de gestão por meio de Organização Social (OS). Porém o caso do bebê Ghael foi imprescindível para PD descobrir a existência, no Sistema de Regulação (SISREG) da SES-DF,  de uma fila de espera de cerca de 15 mil crianças para atendimento no Hospital da Criança.

Hospital da Criança é modelo de OSs, mas para o pequeno Ghael, não

Atualização: 16/10/17 às 2h37 para correção de informação