Cristovam Buarque fala sobre Organizações Sociais em sabatina da ABBP

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Hoje pela manhã (05/12), na Comissão de Educação no Plenário 15 da Ala Alexandre Costa do Senado Federal. Ocorreu a Sabatina Política com os Blogueiros e Blogueiras da Associação dos Blogueiros de Política do DF(ABBP), com o Senador Cristovam Buarque PPS/DF.

Trata-se de uma iniciativa da ABBP, com seus associados em entrevistar as personalidades políticas do Distrito Federal, sendo a primeira com o Senador Cristovam Buarque.

Sabatina foi transmitida ao Vivo pela rede social da ABBP no facebook,  matéria do Jornalista associado Edgar Lisboa

Prisioneiro das Dificuldades

Um erro que eu não cometi e acho que Rodrigo Rollemberg comete é ficar prisioneiro das dificuldades. Disse para ele que quando assumi fiz uma lista de projetos transcrise. Entreguei ao governador recém-eleito, uma cartilha de erros cometidos quando fui governador. Todos enfrentamos crises. Não tão brabas como as dele, mas nós todos enfrentamos crises. Ele não fez essa lista. Na primeira reunião dele com todos os partidos que o apoiaram eu ainda perguntei, qual é o legado que o senhor quer deixar. Porque equilibrar contas não é legado até porque outros podem quebrar como o Agnelo (ex-governador Agnelo Queiroz) quebrou também. O legado já foi embora e ele terminou caindo na armadilha da falta de recursos que é uma armadilha real. Armadilhas são verdadeiras, nem todas são ilusórias. Tem coisas que dá para fazer sem dinheiro.”

Saúde em Casa

Citou como exemplo, o Saúde em Casa que podia ter sido trazido de volta. Mas o governador preferiu cair na armadilha da falta de recursos. De fato, não tem dinheiro para construir hospitais. Mas o maior problema do Brasil não é mais o hospital. Eu não construí hospitais mas disponibilizei muitos leitos. Uma maneira simples, você bota o médico a atender nas casas ali perto. Não precisa de hospital se a pessoa for atendida antes “, argumenta Cristovam Buarque.

Para o senador do Distrito federal do PPS, o governo hoje não tem legado para deixar. Estão aí as dificuldades para pagar as contas, pagar o 13º, tudo herdado, mas que poderia ter sido trabalhado, deixado alguns legados e evitado uma série de problemas.”

Câmara Legislativa

A pouco mais de uma semana para a eleição da escolha da Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito federal, num momento que o legislativo distrital passa por turbulência com problemas com polícia, ministério público e justiça o senador e ex-governador, Cristovam Buarque, fez uma avaliação crítica dura dos deputados distritais.

“Eu quero dar um recado aos cidadãos de bem desta cidade. Vocês têm que se candidatar a deputado distrital. A dois anos atrás eu tentei criar uma bancada de notáveis (ninguém gosta da palavra). Procurei diversos nomes da imprensa, das universidades, procurei personalidades em outras áreas de profissionais e não consegui. Todos dizem: não quero entrar aquela coisa chamada Câmara Legislativa. Como não querem entrar deixam para quem está aí. Acho que tem dois anos, quase dois anos, para preparar uma nominata de grandes personagens desta cidade para assumir o cargo de deputados distritais”, defende o senador.

Por ouro lado, explica, os escândalos todos não são muito diferentes dos últimos anos. “Desde que eu estava no governo já existiam esses escândalos. Esse ano teve mais talvez porque vocês têm sido denunciantes, deram visibilidade aos problemas. Se não fosse vocês talvez alguns desses escândalos não tivessem sido denunciados ou ficariam mais discretos ou escondidos em algumas páginas dos jornais. Vocês fazem a diferença. ”

Mao opinião de Cristovam, “quando a gente lê num jornal, lê e pronto. Depois conversa com alguém na igreja ou num boteco. Na internet, tem o replay. Os escândalos são bem mais divulgados e vocês estão fazendo muito bem esse trabalho”.

Recado ao novo presidente

“O recado que eu dou ao futuro presidente da Câmara Legislativa, respondendo à pergunta é que “ ele tem que saber o que a opinião pública está querendo, deve chamar os parlamentares e buscar saber o que a gente faz com a Câmara Distrital que é orgulho do DF. Como está funcionando não pode ficar”, concluiu Cristovam.

Congresso Nacional

“Quero dizer também que o Congresso não está orgulhando o Brasil. Eu falo da Câmara Distrital, mas com certo constrangimento de pertencer ao Congresso Nacional, de ver manifestações, em todo o País, contra o Legislativo. ”, assinalou, acrescentando: “As manifestações de ontem (04) pela primeira vez não foram contra o governo. Nem contra a Dilma. Foram contra o Congresso”.

Reforma da Previdência

Cristovam Buarque defende a reforma da previdência. “Tem que haver uma reforma. O tempo que um aposentado fica sem trabalhar, hoje, é dez vezes maior que a 10 anos atrás. Então tem que haver reforma. A reforma pode ser tendo que aumentar a contribuição do valor percentual mantendo a mesma idade, pode ser manter a contribuição aumentando a idade mínima. A partir daquela idade você não recebe mais. Tem que fazer uma reforma e essa reforma vai implicar em ter que aumentar a idade mínima. Hoje nós temos pessoas se aposentando com menos de 50 anos e vivendo mais 30. Então tem que haver uma reforma. E essa reforma passa pelo aumento da idade.”

Igualdade de Tratamento

E também pela procura de justiça que hoje não tem entre o setor privado e o setor público. Precisa ter um sistema que trate todos os brasileiros da mesma forma. Entretanto tem profissões e profissões. Por exemplo, o pescador que trabalha no mar, não pode se aposentar com idade alta até porque a esperança de vida dele é menor. O agricultor que trabalha de sol a sol tem que ter uma idade especial para aposentadoria. Militar é possível que tenha que ter uma idade especial.

O ideal talvez seja diminuir o número de horas de trabalho. Será que a injustiça não está em trabalhar muito? É uma questão de se analisar. O professor, por exemplo, ao longo da história, nós nos acostumamos a pagar pouco e deixamos que se aposente cedo. E isso está trazendo um prejuízo grande à educação. Tem pessoas que no linear de sua vida intelectual se aposentam. Talvez seja melhor aumentar o salário e ficar mais tempo trabalhando. O militar tem que analisar se pode reduzir o tempo de trabalho. Pode ser justo também. O que não pode é trabalhar mais horas que as outras pessoas e se aposentar com a mesma idade. O mais certo seria militar trabalhar as mesmas horas que todos os brasileiros. O funcionário público tem que ganhar muito bem mas tem que ter.

Problema Habitacional

Foi cobrada uma posição do senador do Distrito Federal sobre o problema habitacional. Nos últimos dois anos “20 mil pessoas” foram desalojadas de suas casas. A forma como a polícia tira a força quem não sai, e o governo deixando as   pessoas sem nada pois não da alternativa habitacional para ninguém foi apresentada ao senador. Ele recebeu críticas pela classe política estar “muda e silenciosa”. No Senado, o senador Hélio José promoveu uma audiência pública; na Câmara Federal, o deputado Izalci Lucas, realizou uma audiência pública. Na Câmara Legislativa, pior ainda. Ninguém faz nada”, criticaram os blogueiros.

Cristovam Buarque respondeu que “habitação é fundamental, saúde é fundamental, eu, talvez por vocação, foco na educação. Na minha opinião, os problemas de habitação, de saúde, são resultados da falta de educação temos 30 milhões de adultos analfabetos. Por isso, sou senador da República, da Educação. Não sou senador, reconheço, da Habitação. ”

Direito de Invadir

Para Cristovam Buarque, “o problema em Brasília é que as pessoas acham que tem direito de invadir. Eu concordo com o governador tem que coibir. Talvez a maneira não seja a correta. ” O senador explicou que “teve governador em Brasília que deu terra para ganhar voto. Não concordo com isso. Há uma confusão entre política habitacional e política fundiária. Temos que fazer habitação fundiária, dentro da lei. É um problema que vai muito além do governo. Minha crítica não é diretamente ao governador Rollemberg. Ele não tem poder para isso. Qualquer outra cidade a gente, para construir, tem que comprar o terreno. Aqui é, como se o terreno não tivesse dono. O método de como fazer tem que ser levado em conta. ”

Questionado sobre a educação começar em casa, o senador Cristovam Buarque afirmou que hoje não é mais como antes. Hoje, as famílias saem para trabalhar. Por isso, a importância ainda maior da escola na formação das crianças.”

Federalização da Educação

“Tenho a muito tempo uma proposta de como ter no Brasil, uma revolução na educação que é através da federalização da educação. O professor tem que ser funcionário público federal. Se não for assim, a desigualdade vai continuar. Os municípios são muito desiguais.”

Esses professores, nesta nova carreira, terão que ter dedicação exclusiva naquela escola. Além disso, a estabilidade será mantida, com uma avaliação a cada cinco anos, com salário alto para atrair pessoas que tem vocação abnegação.

Perguntado se será candidato à Presidência da República disse que não sabe. E explicou: “Desejo é uma coisa que você não pode ter para uma coisa muito grande. Estou preparado e toparei se meu partido quiser. Mas não vou ficar brigando por isso, já passei até da idade de ficar brigando. Se vier, me sinto preparado e com disposição para isso.”

Vantagens da Medida Provisória

A medida provisória não traz prejuízos, ao contrário, traz muitas vantagens, diz o senador. “Tá longe de ser o ideal também. Ao longo de 30 anos, o governo federal vem adotando as escolas nas cidades.”

Acho que educação física não deve estar dentro da escola e filosofia não é para aprender filosofia, é ter filosofia. Tem que trazer o ensino profissionalizante para dentro das escolas. Não só das escolas técnicas mas para todas as escolas. É a utilização do notório saber. Só professores são contra isso, mas tem que olhar pelo outro lado. Em Brasília, tem uma quantidade imensa de engenheiros aposentados que poderiam dar aula de matemática. Tem aluno sem professor de matemática.”

Críticas ao Renan

Fez críticas ao Renan Calheiros, pela tentativa de urgência na votação da PEC de abuso de autoridade. Tenho sido um crítico em relação ao Renan por querer de qualquer maneira provar um projeto dele de abuso de autoridade e que no fundo é para proteger a autoridade. E segundo, querer aprovar com urgência o que foi descaracterizado, nos dez pontos e que teve o apoio de 2 milhões e 300 mil brasileiros. Não é hora de confrontar.”

Defendendo-se de uma cobrança dos jornalistas de que os senadores não estavam dando a devida atenção à Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, Cristovam Buarque disse que, no Senado, não dá para dar a atenção necessária as corporações até porque cada vez que a gente fala, da Polícia Militar, os outros senadores chegam e mostram para a gente os contracheques dos policiais deles que são pagos com o dinheiro do governo do Estado enquanto no Distrito Federal é pago com dinheiro do governo federal. Está cada vez mais difícil buscar recursos para o Distrito federal. Os outros senadores dizem: “ meu estado é mais pobre que o DF e a gente tem que se virar com o dinheiro da gente”. É um trabalho que tem que ser feito mais discreto. Porque levar para o debate as questões da segurança da saúde e da educação do DF para dentro do Senado pode ter efeito diferenciado.”

Pagar em Dia

“Hoje o Brasil tem que escolher. Pagar em dia os salários e congelar os gastos ou aumentar os gastos e não pagar em dia”, assinala Cristovam. “Tem que entender que o Rio, por exemplo, não está pagando os salários. O 13º está atrasado em 70 cidades. O Brasil se acostumou com a ideia de que o dinheiro é elástico. A gente fez copa, estádio e escola. Não dá para fazer tudo. Ou faz estádio ou faz escola, ou faz estrada ou faz hospital.

O setor privado vai ter que cuidar das estradas. Não dá para o governo prometer estradas, saneamento, escolas. O teto não congela dinheiro de nenhuma rubrica, congela do todo. É uma beleza. Sou a favor da educação, mas também sou a favor das estradas, da copa, de tudo. Isso é falso. Agora quero ver quem defende a educação. Vai ter que tirar subsídio do automóvel e vai atingir nós que compramos automóvel.”

Segundo o senador, não dá par aumentar salários de senador e de professor. “Vai ter que escolher um dos dois.”

No cálculo do senador, “nós temos que ter mais eficiência. O Brasil tem que gastar 10 salários por ano, por aluno, para ser razoável. Hoje paga 6.5.”

Argumenta que “aluno tem que usar mais computador, mais ensino á distância. Nós temos um vazamento nas universidades. A universidade não está formando dentro da necessidade que se precisa. Tem que tapar os ralos e definir prioridades. Mais eficiência e mais prioridades para a educação. São coisas que o teto vai provocar. Na política, você tem que ser sério e simpático, tem hora que tem que escolher um ou outro. Eu escolhi a seriedade.”

Jogatina no Brasil

Sobre os jogos de azar a serem votados esta semana no Senado, Cristovam Buarque foi enfático: “Tenho posição radicalmente contra os jogos não jogatina. Qualquer jogo mesmo o legal. Acho que ao redor vem muita coisa ruim. Votarei contra, tentarei impedir a aprovação e não adianta trazer argumentos de que vai gerar empregos. Vamos gerar empregos por outros meios. Daqui a pouco porque vai gerar emprego vamos legalizar a cocaína também”.

Organizações Sociais

“Sou favorável às Organizações Sociais porque o mundo hoje não pode se privar de atuar estado e setor privado respondeu o senador a uma questão sobre as OS. “Acabou o tempo em que uma coisa era privada e a outra estatal. Hoje a gente está vendo que tem coisa estatal que não serve ao público. A saúde estatal no DF atende ao público. Para mim público é ninguém ficar na fila se está doente, ninguém sai doente do hospital e não precisa pagar.”

“Se o Hospital for uma gestão privada qual o problema se o estado pague?  A gente vai ter que enfrentar isso. Porque um médico, em seu consultório, não poie ser considerado público se eu for lá e não tiver que pagar a consulta? O estado pagar. ´E público. Acho que as OS a gente vai ter que fortalecer e ficar em todos os setores. Público não é sinônimo de estatal. Mas tem que fazer com cuidado. Sou simpático a ideia de parcerias público privadas.”

O que faria diferente

Respondendo sobre o que faria diferente de quando foi governador, respondeu que “ escolheria primeiro os administradores das cidades e não os secretários. Faria uma consulta à população para escolher os administradores.”

Outro ponto que não repetiria é dar aumento de 65% aos professores logo. Depois chegaram novos professores e eles não tiveram o aumento. Dando o aumento, incomodei o sindicato que não pode dizer que tinha conseguido o aumento. Comprometi as finanças com o aumento.”

Outra coisa que Cristovam não faria “é colocar como meu assessor para as relações com sindicatos, um sindicalista. Com isso, levei para dentro do Palácio a briga interna de sindicato com professores.”

Cursos para Síndicos

O senador disse que hoje é presidente da fundação Astrogildo Pereira, do PPS. Vai propor que a fundação realize cursos para formação de síndicos.

Concluiu avaliando que “a comunicação hoje é feita através dos blogs, muito mais que os veículos nacionais. Hoje, o político não pode ficar esperando as informações do final de semana. A informação tem que ser instantânea, no minuto que ela acontece. E nisso os blogueiros cumprem um papel relevante para a sociedade”, finalizou.

Fonte: Portal ABBP

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Kleber Karpov

@KleberKarpov Jornalista (MTB 10379-DF) Perfil Acadêmico e Profissional Pós-Graduando em Auditoria em Serviços de Saúde (ICESP-DF) Graduado em Jornalismo (ICESP-DF); Ciências Políticas (Veduca/USP); Consultor em Tecnologia da Informação; Consultor em Marketing Político; Coordenador de Campanhas políticas ou institucionais; ex-Assessor Parlamentar na Câmara Federal; Vice-Presidente da Associação Brasiliense de Blogueiros de Política (ABBP); Projetos Pessoais e Sociais: Criador do projeto www.queromeucarrodevolta.com.br (2012), para vítimas de roubos e furtos de veículos; Editor e Apresentador do telejornal Quero Meu Carro de Volta Apresentador do Panorama Político (Rádio Federal) Envie sua sugestão de pauta: Whatsapp: (61) 99606-2984 E-Mail: karpovls@gmail.com

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