Rollemberg cospe no prato, nas leis e no povo…

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Será herança da cadeira deixada por Agnelo Queiroz?

Por Kleber Karpov

Essa semana o Distrito Federal o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB) deu mais uma demonstração de uma ação, ou inexplicável ou com pretensões dúbias para 2018. Isso ao interferir, sem cerimônia, na segunda votação da reeleição da deputada distrital, Celina Leão (PPS), para a recondução à presidência da Câmara Legislativa do DF (CLDF).

Após angariar para a legenda do PSB na CLDF, os distritais Luzia de Paula (ex-PEN) e Juarezão (ex-PRTB), e de ampliar a base de apoio à custa de cargos em secretarias e administrações regionais, o governador não se furtou a ‘passar a rasteira’, já anunciada na primeira votação, em dezembro.

Na ocasião Rollemberg fez questão de exonerar o secretário da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDHS), Joe Valle, para que o deputado pudesse assumir o mandato de deputado distrital pela Rede, para tentar impedir que Celina Leão recebesse os votos necessários que garantiria a manutenção da presidência da CLDF. O parlamentar reassumiu a SEDHS, imediatamente, após a derrota do governo no plenário da Câmara Legislativa.

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Parceira

Celina Leão se reelegeu em 2014 graças à oposição incondicional ao ex-governador, Agnelo Queiroz (PT), juntamente com as distritais, Liliane Roriz (ex-PRTB atual PTB) e Eliana Pedrosa (PPS). Na época, sob a chancela do PDT, Rollemberg teve na Leoa, como é carinhosamente chamada, uma grande parceria. Unidos, o PSB contou ainda com o PSD e o Solidariedade (SD), coligação que deu vitória à Rollemberg.

Ao assumir o mandato e, passado o desafio da eleição de Celina Leão para a presidência da Câmara, Rollemberg teve em Celina Leão, uma grande parceira para tentar transpor o obstáculo de gerir o GDF sem recursos. Primeiro por causa do rombo deixado por Queiroz, inicialmente estimado pela equipe de governo de R$ 3 bilhões e segundo pela falta de articulador político no Buriti.

Nesse contexto, e mesmo após se desentender por definitivo com o ex-chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, que deixou o governo, Celina Leão foi determinante para garantir o mínimo de governabilidade de Rollemberg. A presidente da CLDF se encarregou e conseguiu com êxito o apoio e a solidariedade dos membros de Legislativo para ajudar o GDF a tentar obter recursos.

Injeção de Recursos

Entre eles a Antecipação da Receita Orçamentária (ARO); o reajuste dos impostos sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Transmissão de Bens e Imóveis (ITBI), Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) da gasolina.

Mesmo ‘pisando em ovos’ sob o discurso de garantir a governabilidade do DF, Celina Leão mobilizou os outros 23 deputados e conseguiu aprovar  outras medidas impopulares na CLDF a exemplo da transferência de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev/DF) para saldar dívidas com o funcionalismo público, e até mesmo o reajuste do preço das refeições em restaurantes comunitárias e entrada do Jardim Zoológico de Brasília.

Suporte à Saúde

Celina Leão deu outra demonstração da capacidade de articulação política entre os colegas do Legislativo em que os deputados distritais direcionaram para a Saúde do DF, R$ 356 milhões das emendas parlamentares, de modo a permitir que Rollemberg pudesse pagar dívidas com horas extras e fazer aquisição de equipamentos, medicamentos e insumos.

Superendividados

E mais recentemente, a Leoa conseguiu fazer uma grande mobilização em torno do funcionalismo público do DF, superendividados com o Banco Regional de Brasília (BRB), em que a Presidente da CLDF, conseguiu mobilizar deputados, Tribunal de Justiça do DF, Defensoria Pública e outras instituições e garantir que mais de 1000 servidores com descontos superiores a 70% dos salários pudessem renegociar as dívidas, além de abrir um segundo canal de renegociação para endividados junto ao Banco, em menor potencial.

Contenção

Tais ações ajudaram a reduzir de forma menos drástica a queda galopante da popularidade de Rollemberg, ao se considerar fatos graves a exemplo do calote dos pagamentos das incorporações das gratificações de cerca de 100 mil servidores, garantidos em Lei, ou ainda os atrasos, em mais de seis meses, das horas extras, em 2015.

Golpe baixo

Porém, após fortalecer a base e julgar que tem votos o suficiente na CLDF para aprovar projetos de interesse do Executivo, Rollemberg na última semana, supostamente usou de influência política sobre o Rede e demais parlamentares que ‘aparentemente’ compõem a base do governo, para jogar ao escanteio à Parceira das horas de necessidade.

Parcerias

Em se tratando de parceiros, um gato escaldado com parcerias com Rollemberg é o vizinho de gabinete, o vice-governador, Renato Santana (PSD). Afinal, tão logo assumiu o governo os dos corredores do Buriti surgiram ‘burburinhos’ que o Governador deu um jeitinho de tentar neutralizar o Vice por aparecer demais, na condução de resoluções dos problemas no DF.

Vale observar que o distanciamento de Rollemberg em relação ao parceiro foi tanto que o PSD-DF, presidido por Rogério Rosso, chegou a ponto de emitir nota para reafirmar a parceria, que, aparentemente, só existiu durante as campanhas eleitorais. Embora não haja admissão pública o Buriti deixa transparecer que funciona em ‘duo’ de um lado o governador e suas crises, do outro o Vice e as tentativas de realizações.

Ainda no âmbito das parcerias, diga-se de passagem, outros parceiros ou possíveis laços políticos deixaram de se consolidar. Por essa ótica, somam às críticas à gestão de Rollemberg, nomes a exemplo dos senadores Cristovam Buarque (ex-PDT atual PPS), Antonio Reguffe (ex-PDT atualmente sem partido) e Hélio José (ex-PSD e PMB, atual PMDB).

Aliás, em se tratando de parcerias, o que não faltam são amigos, aliados, militantes e demais parceiros que ajudaram Rollemberg durante a campanha eleitoral de 2014 que, atualmente, fazem das redes sociais e mobiles, verdadeiros muros de lamentações.

Que feio governador

Como bem o disse Celina Leão, em entrevista à colunista de Eixo Capital do Correio Braziliense, Ana Maria Campos (28/Abr). “Isso não é postura de aliado. Sempre me considerei uma aliada do governo. Ele [Rollemberg] nunca me procurou para dizer que era contra a emenda. Agiu nos bastidores.”.

Em meio ao que considera uma traição, ainda em Eixo Capital, Celina Leão manda um recado ao governador: “Estou no meu melhor momento na Câmara. Muita gente diz que ele tem medo que eu seja candidata a governadora na próxima eleição. Nunca disse isso, mas quando alguém teme muito algo, isso acaba acontecendo.”.

Subserviência

Ao Política Distrital, Celina Leão foi enfática ao observar que Rollemberg pretende ter, na CLDF, uma casa subserviente ao poder Executivo, a exemplo do que ocorreu durante o governo de Agnelo Queiroz:

“O governador Rollemberg quer um parlamento submisso, ele sabe que eu sou independente, que eu sou corajosa. Esse é o foco, ele não quer um parlamento independente.“

Com tanta sede de submissão do Legislativo, os Poderes têm o exemplo deixado por Agnelo Queiroz. Com 23 deputados nas mãos, bolsos ou sabe-se lá onde, não conseguiu, sequer, chegar ao segundo turno durante as eleições de 2014. E na porteira da CLDF, o custo da submissão resultou em renovação de 50% dos mandatos dos deputados.

Como diria o sábio

Como diria o velho sábio, ao reproduzir um provérbio africano pode cair bem nesse momento. “Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo.”. Ou como diria o ‘purtuguês’: “Quem tudo quer, tudo perde.”.

Quem ganha

Nesse queda de braço ironicamente quem ganha é povo.

Ao romper definitivamente com o governo Rollemberg, se Celina Leão garantir a reeleição, ganha a população que contará com mais um aliado contra as extensões dos pacotes de maldades do senhor Governador.

Caso seja derrotada, também. Certamente o povo usará alguma expressão parecida com “bem vinda Leoa, estávamos com saudades de sua oposição ferrenha”, para fazer, exatamente a mesma coisa.

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