Presidência do IPREV-DF mais uma nomeação equivocada de Rollemberg?

63
Print Friendly, PDF & Email

Rollemberg deve ‘conceder’ presidência do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal à companheira de investigado da Operação Caixa de Pandora, a pedido do presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

Uma fonte que não deseja ser identificada revelou ao blog Política Distrital que o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), deve atender a um “pedido especial” do presidente nacional do PPS, Roberto Freire. Rollemberg deve nomear à presidência do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (IPREV-DF), a terapeuta ocupacional, ex-diretora da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) e chefia de Governança, projetos e compliance do Iprev-DF, Márgara Raquel Cunha, nomeada no Instituto em Janeiro desse ano.

Essa seria apenas mais uma indicação política uma vez que, de acordo com a fonte, a sugestão de Márgara, como é conhecida, para assumir a presidência do IPREV-DF partiu do ex-presidente e atual conselheiro político do PPS-DF, Fernando Cláudio Antunes Araújo, intermediado pelo presidente nacional do partido, Roberto Freire, junto ao Governador.

Márgara é companheira de Araújo, e este por sua vez, ex-secretário adjunto da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF)(2009) e braço direito do então secretário de Saúde, atual deputado federal, Augusto Carvalho (ex-PPS atual SD), na gestão do ex-governador, José Roberto Arruda (ex-DEM). Mas chama a atenção que Araújo figurou na imprensa em 2009 por ser um dos investigados pela operação a Polícia Federal (PF), a operação Caixa de Pandora, além de ter se envolvido em outros escândalos relacionados à SES-DF.

Caixa de Pandora

Publicidade

Na época, Araújo foi acusado, juntamente com Carvalho, por cobrar propina da empresa Uni Repro Soluções Tecnológicas. A Empresa mantinha contrato de prestação de serviços com a SES-DF, que em apenas dois anos teve os gastos em serviços gráficos aumentados, de R$ 235 mil (2006) para mais de R$ 14,8 milhões (2008).

Em matéria publicada pela Agência Brasil (7/Dez/2009) o nome de Araújo também apareceu em relato de uma conversa gravada por outro investigado de Caixa de Pandora. De acordo com a matéria: “Depois que a PF deflagrou a operação, alguns fatos controversos sobre Antunes começaram a vir à tona. No inquérito, ele é citado durante uma conversa entre Durval Barbosa, outro alvo da operação. No diálogo gravado por Barbosa com autorização judicial, os dois mencionam que parte do dinheiro arrecadado por Antunes e pelo deputado Augusto Carvalho servia para “ajudar” o presidente nacional do PPS, o ex-deputado federal Roberto Freire.

Devolução de dinheiro à condomínio

Ainda de acordo com a matéria: “Em outra situação, Antunes foi condenado em primeira instância pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) a devolver R$200 mil ao condomínio no qual foi síndico por quatro anos (1998-2002). Ele é servidor da Controladoria-Geral da União (CGU) cedido ao GDF, membro fundador da organização não governamental Transparência Brasil e presidente licenciado da União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finança se Controle (Unacon). Durante o processo, o juiz Fabrício Fontoura Bezerra se convenceu de que, segundo as provas periciais, “as contas apresentadas por Antunes contêm várias irregularidades que, juntas, somam a quantia de R$200.384,70”.

O Embuste dos kits
Outro caso que envolve o nome de Araújo foi publicado pela Revista Carta Capital, intitulada ‘O Embuste dos kits’ (Edição 564 – 23/09/2009). A reportagem relata a ação do Ministério Público do Distrito Federal e Terriórios (MPDFT), coordenado pelo promotor, Jairo Bisol, titular da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), que descobriu um verdadeiro é ‘esquema’ dentro da SES-DF. Uma falsa aquisição de 30 kits de equipamentos, ao custo de R$  3 milhões, para desafogar rede de UTIs, quando na verdade Bisol descobriu uma fraude que tinha como ‘pano de fundo’ a contratação da Organização Social,  Real Sociedade Espanhola de Beneficência, da Bahia, para gerir o Santa Maria.

De acordo com a matéria publicada em diversos jornais e revistas, o companheiro de Márgara teve panel importante na fraude: “O mistério em torno do tal Gustavo foi resolvido pelo MP. Ele é irmão de Rodrigo Aquino, dono da Intensicare Gestão em Saúde Ltda, de equipamentos hospitalares. E sócio do empresário Davi Correia — amigão do secretário-adjunto Fernando Antunes” (…) “A explicação dada a Bisol sobre o imbróglio aqui descrito beira o surreal. Ao depor no MP, o secretário-adjunto Fernando Antunes admitiu a amizade com Davi Correia, da Equipamed, e fez uma confissão aparentemente absurda: os 30 kits levados ao Almoxarifado Central, anunciados como parte de um projeto de ampliação de UTIs, ao custo de 3 milhões de reais, resultavam de um empréstimo de aparelhos usados, a serem devolvidos em 90 dias.”

Márgara tentou ajudar o companheiro?

As peripécias do ex-secretário adjunto da Saúde foram tantas que resultou no que o alguns veículos consideraram uma tentativa de obstrução à investigação do MPDFT, por meio da Justiça. O Blog do Donny Silva, intitulada ‘Para não explicar, investigados tentam usar mandado de segurança para atrapalhar investigação do MP’ relata (27/Abr/2010) : “Márgara Raquel preferiu tentar atrapalhar o trabalho investigativo do MP e ingressou com um Mandado de Segurança contra Jairo Bisol, promotor titular da 1º PROSUS. Tentou obstar a investigação, mas não conseguiu a liminar.”. Isso em relação ao Processo :2010.01.1.045402-3, que correu na 10ª Vara Civil de Brasília e ainda ao Processo 2010.01.1.022434-4 da Quarta Vara Quarta Vara Da Fazenda Publica Do Distrito Federal .

Araújo sob investigação

Em 31 de Dezembro de 2014, Araujo lotado na SES-DF, foi convocado a comparecer à Comissão Permanente de Disciplina para tomar conhecimento da instauração do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) n.º 181/2014 e prestar o respectivo interrogatório e acompanhar o feito na condição de acusado por supostas irregularidades na celebração e execução de contrato.

Augusto Carvalho condenado

Em 2014 o Carvalho foi condenado em primeira instância pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), por improbidade por improbidade Administrativa. Isso na época em que foi  secretário de (2006 e 2010), pela denúncia apresentada pelo MPDFT, em que Carvalho contratação a Real Espanhola com dispensa de Licitação, em 2009, ao custo de R$ 220 milhões, para gerir o HRSAn. O deputado vai recorrer da sentença.

Iprev a maior arrecadadora do GDF

Criado em 2008, o Iprev-DF unificou o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores titulares de cargos efetivos ativos e inativos e os pensionistas dos poderes Executivo e Legislativo do DF. Também inclui o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), as autarquias e as fundações. Sozinho o Iprev-DF movimenta anualmente cerca de R$ 3 bilhões, recurso que arrecada e capitaliza para o pagamento atual e futuro das aposentadorias, pensões e outros benefícios.

Ao informar ao blog sobre a nomeação de Márgara a fonte revelou uma preocupação pertinente: “Será prudente Rollemberg atender esse pedido de Roberto Freire? Não estaria o governador, colocando uma possível raposa para tomar conta do galinheiro, considerando que basta uma pesquisa na internet para verificar que consideram a sra. Márgara, ‘laranja’ de Araújo?”, questionou.

5

Comentário