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15 abr 2026 22:11

Uso de canetas emagrecedoras por idosos requer cuidados técnicos

Redução de massa muscular pode comprometer capacidade funcional e autonomia

Por Kleber Karpov

O uso de medicações injetáveis para emagrecimento por pessoas com 60 anos ou mais exige monitoramento rigoroso para evitar o declínio funcional acelerado. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Leonardo Oliva, a ausência de orientação adequada expõe o público idoso a riscos imediatos, como náuseas, vômitos e desidratação grave. O alerta, feito nesta terça-feira (06/Jan), destaca que o uso indiscriminado desses fármacos pode agravar distúrbios eletrolíticos e levar à desnutrição a médio prazo.

A perda de massa magra representa uma das maiores preocupações clínicas para os especialistas em geriatria. Estima-se que cerca de um terço do peso perdido com esses medicamentos corresponda a tecido muscular, o que pode resultar em perda de funcionalidade definitiva. A redução da força compromete a realização de atividades cotidianas, aumentando a vulnerabilidade dos pacientes.

O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, indicou que a combinação de baixo apetite e rápida redução ponderal pode precipitar síndromes como a sarcopenia e a fragilidade física. Para mitigar esses danos, o tratamento da obesidade em idosos deve ser acompanhado por fisioterapeutas ou educadores físicos, garantindo a manutenção da integridade muscular durante o processo.

Finalidade terapêutica vs. estética

Especialistas reforçam que as canetas emagrecedoras são indicadas para o tratamento de doenças crônicas como diabetes tipo 2, apneia do sono e obesidade mórbida. O uso para fins puramente estéticos, visando a perda de poucos quilos, não possui respaldo médico e deve ser evitado. Leonardo Oliva esclareceu que a obesidade é uma patologia complexa e que a inovação tecnológica da medicina deve ser aplicada apenas em contextos clínicos apropriados.

“A gente vê os indivíduos que querem perder três quilos utilizando essas medicações. Não há indicação médica para isso”, afirmou Leonardo Oliva. O médico orienta que o emagrecimento não deve ser acelerado, pois a velocidade da perda de peso é diretamente proporcional à tendência de perda de massa muscular.

Riscos do mercado paralelo

A SBGG alerta para a necessidade indispensável de prescrição médica e aquisição de produtos em estabelecimentos legalizados. A venda de fármacos falsificados em mercados paralelos expõe o usuário a riscos de contaminação por bactérias e fungos, além da incerteza sobre a composição química da substância injetada. O controle das agências reguladoras garante que o manejo e a produção sigam padrões de segurança biológica.

A obrigatoriedade da receita médica visa assegurar que o paciente passe por uma avaliação clínica prévia. Representantes da entidade enfatizam que o acompanhamento médico serve para calibrar a ingestão de nutrientes e garantir a saúde emocional durante a restrição calórica. O foco do envelhecimento saudável deve estar na qualidade de vida e na manutenção da saúde, superando questões meramente estéticas ou de balança.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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