Por Kleber Karpov
O Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes ao longo de 2025 (31/Jan). O número representa 28% do total de 84.760 ocorrências gerais notificadas ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O levantamento indica que as delegacias do país contabilizam, em média, 66 boletins de ocorrência diários envolvendo o sumiço de menores de idade.
O índice de desaparecimentos infantojuvenis apresentou alta de 8% em comparação aos 22.092 casos registrados em 2024. O aumento supera o crescimento dos casos gerais, que avançaram 4% no mesmo período. Embora o volume total seja 14% inferior ao observado em 2019, os dados confirmam uma trajetória de elevação gradual iniciada há dois anos.
Diferentemente do perfil geral de desaparecidos, no qual homens representam 64% das vítimas, o público infantojuvenil possui maioria feminina. De acordo com os dados oficiais, as meninas somam 62% das ocorrências de desaparecimento nesta faixa etária.
Categorias e causas do desaparecimento
Especialistas defendem a diferenciação técnica entre as circunstâncias do sumiço para orientar as buscas. A tipificação divide as ocorrências em voluntárias, involuntárias (sem emprego de violência) e forçadas. A coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil, Simone Rodrigues, identifica ainda o desaparecimento estratégico como medida de sobrevivência.
“Eu ainda trabalho com outra categoria, não muito usual, que é a do que chamamos de desaparecimento estratégico, para se referir à pessoa que desaparece para sobreviver. Caso de uma mulher que foge de um marido abusivo e de uma criança vítima de maus-tratos”, afirmou Simone Rodrigues.
Impacto psicológico e rede de apoio
Relatos de familiares evidenciam a agonia durante o período de buscas. O pintor Leandro Barboza, cujo filho de 10 anos permaneceu desaparecido por três dias em Curitiba, descreveu o temor de crimes graves e a exaustão física. O menor foi localizado após um cidadão identificar o alerta em redes sociais e acionar as autoridades.
“É uma agonia que só quem passa dá conta de dizer. Eu pensava o pior: que alguém tinha raptado meu filho; que tinham matado ele; que eu nunca mais ia vê-lo”, disse Leandro Barboza.
O pai destacou ainda a necessidade de suporte psicológico para orientar famílias após a localização. Segundo Barboza, o acompanhamento especializado deve ajudar na conversa entre pais e filhos para prevenir novas ocorrências e mitigar o julgamento social direcionado aos responsáveis pelas vítimas.
Protocolo legal e busca
A legislação brasileira define como desaparecido qualquer ser humano cujo paradeiro se mostre desconhecido, independentemente da motivação. A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, em vigor desde 2019, estabelece que a identificação física ou científica encerra o status da ocorrência. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a maior concentração de casos ocorre entre sextas-feiras e domingos.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










