Quando o look fala mais que o depoimento

Por Gustavo Frasão

A moda comunica. A imagem comunica. A postura, o tom de voz, os gestos — tudo comunica. E, no caso de figuras públicas, tudo isso comunica ainda mais.

No depoimento à CPI das apostas esportivas, nesta terça-feira (13/5), em Brasília, a influencer Virgínia Fonseca apareceu de moletom com o rosto da filha estampado, cabelo solto, óculos joviais e um copo rosa da própria marca nas mãos. Propaganda em ambiente inapropriado, no mínimo. Bom, em meio a uma investigação de grande alcance, com cifras milionárias e contratos de publicidade sob escrutínio, a influenciadora optou por uma estética que parecia casual, quase improvisada.

Mas quem trabalha com comunicação e imagem sabe: nada ali foi por acaso.

A escolha do look constrói uma narrativa visual poderosa. A do moletom com o rosto da filha não é apenas uma declaração de afeto materno — é uma estratégia de humanização. É o “sou mãe”, “sou jovem”, “sou diferente disso tudo que estão dizendo”. A imagem buscava reforçar a personagem da influenciadora despretensiosa, emocionalmente distante da gravidade do momento institucional.

Esse tipo de construção estética pode parecer espontâneo, mas está longe de ser neutro. Em uma sociedade saturada por imagens e onde a atenção vale mais do que a explicação, o visual se tornou discurso. E a linguagem visual, quando bem costurada, pode ser mais eficaz do que mil palavras — ou mil depoimentos.

Não se trata aqui de atacar ou absolver Virgínia, falar ou não falar dela. O ponto é compreender o quanto a comunicação e a imagem são ferramentas de narrativa. O quanto o look “despretensioso” é, muitas vezes, uma estratégia calculada para suavizar, distrair, emocionar, engajar ou persuadir.

Claro, há quem questione o foco dado à aparência de uma figura pública enquanto o país enfrenta escândalos estruturais e crises profundas, como o rombo de bilhões de reais no INSS. Mas uma coisa não exclui a outra. Discutir o uso da estética como blindagem simbólica é, também, discutir poder — e quem o exerce, como e por que.

A CPI continua. As investigações seguem. Mas o episódio já deixa uma lição importante para quem observa os bastidores do poder no Brasil de 2025: em tempos de redes sociais, a imagem também é argumento. E, às vezes, o que parece silêncio visual é, na verdade, um grito estratégico.


Gustavo Frasão
Jornalista


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