Por Kleber Karpov
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), em uma ação conjunta com o Tribunal de Justiça (TJDFT), o Ministério Público (MPDFT) e a Defensoria Pública (DPDF), lançou nesta quarta-feira (24) o Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal. A apresentação ocorreu no Espaço Cultural Renato Russo, durante o evento “Comunicação que Protege”, com o objetivo de fortalecer as ações de prevenção à violência contra a mulher e promover uma cobertura jornalística mais ética e humanizada sobre o tema.
O material é resultado de um trabalho interinstitucional e oferece orientações para jornalistas, comunicadores e estudantes. Segundo o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, a iniciativa busca aprimorar a forma como os casos de violência são noticiados, evitando a reprodução de abordagens que possam gerar impactos negativos.
“Este guia não foi construído para dizer à imprensa o que fazer, mas para fortalecer um diálogo necessário. Muitas vezes, reproduzimos termos e abordagens sem perceber os impactos que podem gerar. O que buscamos é construir caminhos conjuntos para alcançar mulheres que ainda não conseguem acessar a rede de proteção e contribuir para prevenir novas violências e ampliar o acesso da população às redes de apoio e proteção existentes no Distrito Federal”, afirmou Alexandre Patury.
Esforço coletivo para proteger vidas
A elaboração do documento contou com a participação de especialistas de diversas instituições. A coordenadora da Mulher do TJDFT, a magistrada Fabriziane Zapata, destacou que o guia foi baseado em estudos acadêmicos e referências internacionais para auxiliar a imprensa a tratar o feminicídio não como um fato isolado, mas como o ápice de uma escalada de violência com sinais identificáveis.
O promotor de Justiça George Lordello, coordenador da Comissão de Prevenção e Combate ao Feminicídio do MPDFT, ressaltou o caráter coletivo da iniciativa. “Este guia nasce de um esforço coletivo e do entendimento de que a forma como comunicamos a violência contra a mulher pode proteger vidas. Uma cobertura responsável ajuda a romper silêncios, estimula a busca por ajuda, fortalece a confiança nas instituições e contribui para prevenir novas violências”, disse.
Para a defensora pública Antônia Carneiro, o documento simboliza a união de esforços. “Este guia simboliza a união de instituições que compreendem que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da atuação integrada do poder público, da sociedade e dos meios de comunicação”, pontuou.
A secretária da Mulher interina, Jackeline Aguiar, também reforçou o compromisso do governo local. “A forma como comunicamos os casos de feminicídio produz impactos reais na sociedade. Quando feita com responsabilidade, a comunicação orienta, conscientiza e ajuda a salvar vidas”, declarou.
Ferramenta valorizada por jornalistas
A diretora da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e coordenadora-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, Renata Mielli Mafezoli, elogiou o lançamento. Para ela, a ferramenta contribui para o exercício responsável da profissão e para o combate à violência de gênero.
“O jornalismo tem um papel fundamental na desconstrução de estereótipos, na promoção da transformação social e no enfrentamento das diversas formas de opressão. Por isso, iniciativas como esta fortalecem o exercício responsável da profissão e oferecem subsídios importantes para que os profissionais da comunicação atuem de forma cada vez mais qualificada e comprometida com a proteção dos direitos das mulheres”, afirmou Renata Mielli Mafezoli.

Cobertura responsável
A publicação aborda temas como a contextualização adequada dos casos, o uso de linguagem responsável, a prevenção da revitimização de vítimas e familiares, e a importância de divulgar os serviços da rede de atendimento a mulheres em situação de violência. O conteúdo foi apresentado por Marcelo Zago Gomes Ferreira, da SSP-DF, e pela magistrada Fabriziane Zapata.
Presente no evento, a estudante de Jornalismo Rafaela Machado ressaltou a relevância do debate. “A divulgação de informações corretas ajuda as mulheres a compreenderem que não estão sozinhas e que existem canais de apoio e proteção disponíveis. A imprensa tem um papel fundamental nesse processo”, comentou.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













