Por Kleber Karpov
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) realizou, durante o ano de 2025, um total de 256 atividades coletivas para conscientizar adolescentes sobre a gravidez precoce. As ações, focadas em saúde sexual e reprodutiva, alcançaram mais de 10 mil jovens em todo o DF, com parte das execuções ocorrendo em parceria com a Secretaria de Educação (SEEDF) por meio do Programa Saúde na Escola (PSE).
A gestação durante a adolescência acarreta implicações para a saúde das jovens mães, dos filhos e para o sistema de saúde. Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez nessa fase eleva a probabilidade de complicações e pode agravar problemas socioeconômicos preexistentes.
Dados do Ministério da Saúde indicam que 66% das gestações na adolescência no país são indesejadas. Para Viviane Albuquerque, responsável pela área técnica de Saúde da Mulher na SES-DF, o percentual sugere que muitas situações decorrem de desinformação ou da ausência de redes de apoio familiar e comunitário.
“A gravidez precoce pode elevar o risco de morte da mãe e do bebê, acarretando riscos como prematuridade, anemia, aborto espontâneo, eclâmpsia e depressão pós-parto. No âmbito social, é uma das principais causas de abandono escolar, e isso irá repercutir negativamente na vida dessas meninas”, alerta Viviane Albuquerque.
Métodos contraceptivos
As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a porta de entrada preferencial para os serviços da SES-DF. Nesses locais, são disponibilizados gratuitamente diversos métodos contraceptivos, como preservativos, contraceptivos de emergência, pílulas de uso rotineiro e injeções hormonais.
As UBSs também realizam a inserção do dispositivo intrauterino (DIU) e o agendamento de consultas para procedimentos de laqueadura e vasectomia. Adicionalmente, a rede da SES-DF iniciou a colocação do implanon, um implante subdérmico com duração de até três anos. O público-alvo para este método inclui adolescentes de 15 a 19 anos e a população em situação de rua.

Atendimento integral
Segundo a enfermeira Ivea Viana, da UBS 1 da Estrutural, o acesso aos serviços é simplificado, exigindo apenas um documento de identidade e o cartão do SUS. Ela ressalta que “não é necessária a autorização dos responsáveis para serem atendidas. Aqui, fazemos o teste rápido de gravidez e, confirmada a gestação, já é feita a abertura do pré-natal”.
Quando uma jovem gestante ingressa na UBS, ela passa a ter acesso a uma rede de apoio completa. Nos casos em que a gravidez é resultado de violência sexual, como em relações com menores de 14 anos, a unidade de saúde tem o dever legal de realizar uma notificação compulsória.
“Quando a paciente chega grávida, iniciamos o acompanhamento da gestação, do estado emocional da mãe e passamos todas as orientações. Se a gestação é resultado de um abuso, seguimos os critérios do Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei (PIGL), realizada no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), independentemente de a gravidez ocorrer na adolescência ou não – mulheres vítimas de estupro têm direito a esse suporte”, assegura Ivea Viana.
A legislação federal garante que, no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), a gestante receba atendimento multidisciplinar. A decisão sobre a interrupção ou continuidade da gravidez, nos casos previstos em lei, cabe à mulher ou ao seu representante legal.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










