Por Kleber Karpov
O Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, lembrado nesta quarta-feira (19/Ago), evidencia um cenário complexo no Brasil, com o Rio de Janeiro registrando o segundo maior número de pessoas nessa condição e o Distrito Federal implementando ações diretas de acolhimento e desmobilização de estruturas. Enquanto dados do Cadastro Único (CadÚnico) apontam para um aumento expressivo no número de pessoas vivendo nas ruas em todo o país, governos locais e a sociedade civil debatem estratégias e legislações para garantir direitos e oferecer caminhos para a autonomia.
Rio de Janeiro
O estado do Rio de Janeiro se destaca negativamente nos registros oficiais, com 35.406 pessoas em situação de rua inscritas no CadÚnico, posicionando-se como o segundo do país. São Paulo lidera o ranking nacional, com 159.290 registros, e Minas Gerais ocupa o terceiro lugar, com 34.849. Segundo os dados fornecidos, em maio de 2026, o Brasil contabilizava um total de 388.855 pessoas nesta condição, embora a data futura possa indicar um erro na fonte original.
A capital fluminense concentra a maior parte desse contingente, com 22.352 pessoas. A distribuição nos principais municípios do estado é a seguinte:
- Niterói: 1.015 pessoas;
- Duque de Caxias: 977;
- Nova Iguaçu: 727;
- Volta Redonda: 488;
- São Gonçalo: 484;
- Maricá: 471;
- Macaé: 402;
- Cabo Frio: 333;
- Petrópolis: 305.
Para lidar com a questão, o estado instituiu a Lei 9.302/21, que cria a Política Estadual para a População em Situação de Rua. A legislação visa garantir o acesso simplificado a serviços públicos essenciais, como saúde, educação e moradia, além de proibir a discriminação em qualquer tipo de atendimento. A norma prevê também a criação de uma rede de acolhimento, ações de segurança alimentar e programas de qualificação profissional.
Ações no Distrito Federal
No Distrito Federal, a governadora Celina Leão (Progressistas) utilizou as redes sociais na terça-feira (18/Ago), ocasião em que reafirmou a atuaçõa da gestão focada em “enfrentamento de frente” da situação.
Segundo Celina Leão, no DF, são realizadas operações diárias que já resultaram na desmobilização de mais de 50 locais ocupados. A metodologia consiste em oferecer acolhimento e, para aqueles que recusam, proceder com a retirada das estruturas montadas em espaços públicos. “Fazemos o acolhimento, aquelas pessoas que não aceitam o acolhimento, mas retiramos aí as estruturas devolvendo Brasília à população de Brasília”, disse.
Outra medida destacada pela governadora foi a regulamentação da “internação involuntária humanizada”, uma iniciativa que, segundo ela, foi implementada durante seu mandato na Câmara Legislativa do DF (CLDF), para internar compulsoriamente pessoas que estejam colocando a própria vida em risco.
Cenário nacional
Celina Leão também comentou sobre o cenário nacional, ao reproduzir uma reportagem da Gazeta do Povo em que se afirma que os números cresceram significativamente.
“O número de pessoas em situação de rua no Brasil praticamente dobrou desde o início do terceiro mandato do Presidente Lula”, diz a reportaga ao citar dados do CadÚnico que mostravam 198 mil pessoas nessa condição em dezembro de 2022, último mês da gestão anterior
Uma história de recomeço
Em meio aos dados e políticas públicas, a história do escritor Leonardo Motta ilustra a possibilidade de superação, após viver nas ruas por um ano e três meses como consequência de duas décadas de dependência química. Hoje, sóbrio há nove anos, é casado, autor de três livros e mora na Ilha de Paquetá.
“O que me levou a essa situação foi a dependência química. Usei drogas durante 20 anos, entre álcool, cocaína e crack. Consegui sair das ruas quando aceitei ajuda e fui para uma instituição de tratamento, onde permaneci por sete meses”, relatou Motta.
Leonardo é autor da Revista na Calçada, uma publicação de poesia que busca dar visibilidade às vivências da população de rua. Nesta quarta-feira, ele participa de um evento na Biblioteca Estadual, no centro do Rio, para debater a realidade das ruas. Ele deixa um conselho baseado em sua experiência.
“O conselho que deixo para quem está nessa situação é que aceite ser ajudado. De um lado, existe alguém disposto a ajudar; do outro, é preciso que a pessoa também aceite essa ajuda”, disse.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














