BRB contesta rombo bilionário e pode expor posicionamentos de cunhos eleitorais

Por meio de Nota Oficial, BRB esclarece liquidação de R$ 10 bilhões, dos R$ 12 bilhões anunciados pela mídia, em operações ligadas ao Banco Master e reafirma solidez de gestão. Por outro lado, manifestações de personagens em situações, no mínimo incômodas, podem ter viés meramente eleitoral

Por Kleber Karpov

O Banco de Brasília (BRB) divulgou nota oficial, na sexta-feira (21/Jan), para esclarecer o cenário das operações de cessão de carteiras de crédito da instituição, após a veiculação de reportagens sobre uma suposta exposição de risco ao Banco Master. A estatal contesta os valores divulgados e assegura que mais de R$ 10 bilhões — dos R$ 12,76 bilhões alardeados pela imprensa —, passou por processos de liquidação ou substituição, portanto foram devidamente equacionados.

A manifestação do BRB ocorre em meio à repercussão da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que investiga fraudes em títulos de crédito no sistema financeiro nacional. A instituição financeira destaca ainda, atuar na condição de credora no processo de liquidação extrajudicial que envolve o Banco Master. O comunicado enfatiza ainda que todas as movimentações, incluindo a adição de garantias contratuais, foram reportadas e acompanhadas pelo Banco Central (BC).

R$ 80 bilhões em ativos

Outro fator relevante, fornecido pelo BRB está relacionado à saúde financeira do banco, com cerca de “R$ 80 bilhões em ativos, mais de R$ 60 bilhões em carteira de crédito, e registrou lucro líquido recorrente de R$ 518 milhões no 1º semestre, com margem financeira superior a R$ 2,3 bilhões”. Números esses abalizados com uma carteira de “10 milhões de clientes em 97% do território nacional”, ranqueado como o “5º maior banco do País nesse segmento e 2º entre os bancos públicos” do país.

Veja a nota completa abaixo:

“Em relação às matérias divulgadas pela mídia, o BRB reafirma a solidez da instituição diante da recente cobertura sobre operações de cessão de carteiras. Dos R$ 12,76 bilhões divulgados pela imprensa, e referentes à exposição bruta de carteiras com documentação fora do padrão exigido, mais de R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos, e o restante não constitui exposição direta ao Banco Master.

Todo o processo de substituição de carteiras e adição de garantias, prática prevista em contrato, foi reportado e acompanhado pelo Banco Central.

Importante ressaltar que o BRB atua como credor na liquidação extrajudicial e reforçou controles internos. As carteiras atuais seguem padrão adequado, e o Banco permanece sólido e colaborando com as autoridades.

Atualmente, o BRB possui mais de R$ 80 bilhões em ativos, mais de R$ 60 bilhões em carteira de crédito e registrou lucro líquido recorrente de R$ 518 milhões no 1º semestre, com margem financeira superior a R$ 2,3 bilhões, reforçando a solidez em 59 anos de atuação do Banco.

A instituição atende mais de 10 milhões de clientes em 97% do território nacional. Conta com 988 pontos físicos e a liderança no crédito imobiliário no Distrito Federal (64% de market share), sendo o 5º maior banco do País nesse segmento e 2º entre os bancos públicos, apoiado por mais de R$ 72 bilhões em captações.

Assessoria de Imprensa – Banco BRB”

Tempestade perfeita

O episódio da investigação do Banco Master pela PF, que esbarra na relação comercial com o BRB, pretenso comprador de parte dos ativos da instituição financeira, ocorre no meio de uma tempestade perfeita, na conjuntura política do país e do Distrito Federal.

De um lado, pesa a influência política de Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, preso durante a semana pela Operação Compliance Zero. Relação essa que liga o empresário a diversos personagens e caciques políticos do Congresso Nacional e de governos por todo país. Se soma também a resistência ao banqueiro, por parte do Mercado Financeiro, até poucos dias, em decorrência do “estilo arrojado” na condução dos negócios e diversificação da carteira de ativos do Master.

Do outro, nos bastidores da Capital Federal, o que se apresenta como posições isoladas sobre a gestão do BRB, pode ser uma ‘jogada ensaiada’ em uma ofensiva liderada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), que atua em duas frentes distintas: a institucional, comandada pelo ex-governador do DF (2015/2018) e atual deputado federal Rodrigo Rollemberg; e, uma outra, digital, operada pelo pré-candidato ao governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli.

A ofensiva do PSB e o ‘telhado de vidro’

A pressão sobre o BRB ocorre em um momento estratégico para o cenário eleitoral de 2026. Contudo, a estratégia de utilizar a crise do banco como plataforma de desgaste do atual governo expõe contradições dentro da própria legenda socialista.

Na frente institucional, Rollemberg ocupou a tribuna da Câmara para questionar o suposto rombo do BRB e articular uma CPI. A postura combativa, contudo, contrasta com o histórico de sua própria gestão (2015-2018). Foi durante seu governo que o banco se tornou alvo da Operação Circus Maximus, deflagrada em 2019. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o esquema teria desviado cerca de R$ 400 milhões da instituição através de fundos de previdências, e de investimentos, o que resultou no pedido de prisão de ao menos 14 pessoas — preventivas e temporárias —, dentre esses, gestores e conselheiros do Banco, nomeados durante a gestão socialista. Membros da cúpula receberam pagamentos de R$ 40 milhões em propinas.

Na outra ponta, a estratégia do PSB, operada por parte de Ricardo Cappelli, atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), recentemente passou a lidar com denúncias graves, de transformação da ABDI em um “bunker digital” para alavancar a pré-candidatura ao GDF, com utilização de recursos públicos.

Tais denúncias, formalizadas por parte da senadora, Damares Alves (PL/DF), expõe um volume questionável de gastos, sob a presidência de Capelli, conforme relevação em reportagens recentes. Dentre esses, a explosão de custos, em que anterior da gestão Cappelli, a ABDI pagava uma média mensal de R$ 115 mil em publicidade, valor que saltou, após a posse, para R$ 563 mil mensais, um aumento equivalente a 386%.

Ou ainda a assinatura de termos aditivos, a contrato firmado em setembro de 2024, seguidos de novos acréscimos em fevereiro desse ano, com elevação o total de um contrato com empresa de comunicação para mais de R$ 8,1 milhões.

Desvio de finalidade e “bunker digital”

De acordo com Damares Alves, tais documentos podem evidenciar a prática, por parte de Cappelli, de desvio de finalidade, no que tange a gestão da ABDI, uma vez que recursos destinados a fomentação da indústria nacional, pode estar a ser drenada para financiar uma máquina de guerra política.

Ainda de acordo com a senadora, relatórios de tráfego pago indicam que foram gastos cerca de R$ 188 mil para impulsionar quase 800 publicações, muitas delas com teor de ataques a adversários locais e promoção pessoal do pré-candidato. E o mais grave, a estrutura funcionaria com auxílio de funcionários da ABDI, a exemplo do gerente de comunicação, Bruno Trezena, cujo telefone chegou a constar nos registros de contratos de impulsionamentos das redes sociais de Cappelli.

Na reportagem, o deputado distrital, Daniel de Castro (Republicanos) informou ter solicitado os registros de frequência do presidente da ABDI,  para verificar a suspeita da possível prática de crime. “Esse cidadão está o tempo todo na rua, desgastando o governo atual numa perspectiva política. Eminentemente, no meu ponto de vista, num flagrante delito de campanha eleitoral extemporânea”, afirmou o parlamentar.

De volta ao BRB…

Capelli a pedir o afastamento do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) e da vice-governadora do DF, Celina Leão (Progressistas), o faz com base em investigações preliminares da PF e deduções apresentadas pelo jornalista. No contexto, a julgar a procedência na afirmação do banco sobre a liquidez dos créditos, no curso das investigações da PF, bem como confirmação dos ativos, diante de auditorias a serem realizadas, pode ser um indício que afirmações sobre “quebradeira em cascata” serem meras especulação de cenários. A exemplo de denúncias vazias de Capelli em relação a supostos roubos de recursos da saúde, provenientes do Fundo Constitucional do DF (FCDF).




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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