Por Kleber Karpov
O Brasil enviou, nesta segunda-feira (18/Ago), um documento de 91 páginas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para responder a uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais contra empresas estadunidenses. Nele, o governo brasileiro nega que o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), discrimine empresas estrangeiras e, tampouco prejudicar a concorrência do sistema visa à segurança do sistema financeiro. O documento, assinado pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi divulgado na página da USTR.
A investigação do USTR, iniciada em julho a pedido do governo de Donald Trump, busca apurar possíveis práticas brasileiras com impacto negativo as empresas norte-americanas em setores como pagamentos digitais, etanol, propriedade intelectual e desmatamento. O governo brasileiro contestou ainda, a legitimidade da investigação, em decorrência da ausência de base jurídica ou factual.
Falta de base jurídica
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que “o Brasil reitera que não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, que são inconsistentes com as regras e o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”. A nota esclareceu ainda que a participação brasileira no processo se dá em “espírito de diálogo e de esclarecimento de fatos e não constitui reconhecimento da validade ou jurisdição do procedimento”.
O documento destaca que a relação comercial com os Estados Unidos é mutuamente benéfica e que a economia estadunidense apresenta um “superávit histórico” na troca comercial com o Brasil. Essa afirmação, segundo o governo brasileiro, reforça a visão do Brasil de que suas políticas econômicas e regulatórias são compatíveis com as normas internacionais estabelecidas pela OMC.
Outros setores questionados
Em relação ao PIX, a defesa brasileira destacou a neutralidade do sistema, administrado pelo Banco Central. O Brasil ressaltou que outros bancos centrais, incluindo o Federal Reserve (Fed), já testam ferramentas semelhantes, como o FedNow.
Sobre a acusação de pirataria e de violação à propriedade intelectual, a defesa informou que o Brasil tem um “regime legal abrangente” para proteger os direitos de propriedade intelectual, em conformidade com padrões e acordos internacionais da OMC. O Brasil também negou que decisões judiciais, como as do Supremo Tribunal Federal (STF), tenham resultado em medidas discriminatórias que prejudiquem as companhias americanas ou a sua competitividade. O documento destacou que a imposição de multas e medidas coercitivas é um padrão do Estado de Direito brasileiro, assim como ocorre nos Estados Unidos.
O Brasil ainda defendeu as políticas de etanol como alinhadas aos compromissos multilaterais e ressaltou que aplica tarifa zero em produtos aeronáuticos estadunidenses. A resposta brasileira está sob análise do USTR, que realizará uma audiência pública em 3 de setembro. O desfecho da disputa dependerá da decisão do governo de Donald Trump.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














