Por Kleber Karpov
Em discurso na tribuna da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF)(18/Ago), o deputado distrital Jorge Vianna (Democrata) alertou para o risco iminente da morte de um profissional de saúde por espancamento, em decorrência da crescente onda de agressões em hospitais e unidades de saúde, tanto públicas quanto privadas. O parlamentar citou uma série de ataques recentes para ilustrar a gravidade da situação e criticou a percepção de impunidade que, segundo ele, incentiva a violência.
Sequência de ataques no DF
Vianna iniciou seu pronunciamento com uma declaração de impacto, afirmando que um profissional de saúde havia sido morto por espancamento, para em seguida esclarecer que se tratava de uma notícia falsa, mas que poderia se tornar realidade em breve. “Eu vou deixar aqui gravado agora, porque vai chegar um momento que alguém vai chegar dizendo assim: ‘Morreu alguém espancado no hospital público hoje'”, declarou.
Para sustentar seu alerta, o deputado listou casos recentes de violência, a exemplo de casos de agressão sofrida por uma farmacêutica no Paranoá, de ataque a uma enfermeira em Samambaia e, mais recentemente, a agressão a uma médica em Santa Maria.
O parlamentar ressaltou que a violência não se restringe à rede pública. Sem mencionar o nome, Vianna recordou o caso de grande repercussão envolvendo o senador Magno Malta (PL/ES) que agrediu uma técnica de enfermagem em um hospital privado de luxo em Brasília. O deputado foi categorico ao observar que “em qualquer lugar, os profissionais de saúde estão apanhando”.
Impunidade e falhas na segurança
Segundo o deputado, a principal causa para a escalada dos ataques é a sensação de que agredir um servidor público não resulta em consequências severas. Vianna criticou o procedimento padrão adotado pelas autoridades, que considera brando e ineficaz para coibir novas agressões.
Vianna detalhou o que acontece após uma agressão, descrevendo como o agressor, que ele deixa de considerar um paciente para tratar como “criminoso”, é conduzido à delegacia, assina um termo circunstanciado e é liberado. “E ele vai embora, às vezes até fazendo um vídeo dizendo assim: ‘Ah, eu fiz justiça. Olha aí, vocês têm que vir mesmo'”, afirmou o distrital.
“Ali ele deixa de ser um paciente, uma vítima, para ser um criminoso. Chega lá, leva com todo o cuidado para a delegacia, porque até se tentar levar ele algemado, ah, meu Deus, o mundo acaba, porque estão pegando um paciente, estão colocando algema no paciente que foi reivindicar pelo seu direito. Que direito? Até o qual o limite do direito? Porque ele é paciente enquanto ele está lá no hospital aguardando. Depois que ele se torna um agressor, para mim é um criminoso. E aí leva para, para a delegacia, assina um termo circunstanciado. Acabou o problema. Tchau.”, disse Jorge Vianna.
Frustração
O deputado também mencionou suas tentativas de promover mais segurança, como a autoria de uma lei para garantir segurança privada nas unidades de saúde, que segundo ele “até agora, nada” foi feito para implementá-la. Vianna reconheceu a instalação de câmeras de monitoramento, um pedido seu, mas ponderou que elas não impedem a agressão, apenas registram o crime.
Crítica ao discurso político
Vianna também responsabilizou parte da classe política por incitar um ambiente de hostilidade. O parlamentar criticou candidatos que, em período eleitoral, visitam hospitais para fazer “firula” e proferir discursos populistas com frases prontas como “o hospital é um caos” e “o que falta é gestão”, sem apresentar soluções concretas.
Para o deputado, essa retórica, repetida há décadas, alimenta a frustração da população e a direciona contra os trabalhadores da linha de frente. “Entra governo, sai governo e não acontece”, lamentou Vianna sobre a falta de mudanças efetivas.
Ao final de seu discurso, o deputado expressou a esperança de não precisar voltar à tribuna para noticiar uma morte. Ele concluiu que, se tal fatalidade ocorrer, será um atestado de falha coletiva. “Se alguém morrer, aí sim, nós vamos estar assinando, nós todos, uma carta de incompetência, uma declaração de incompetência”, finalizou.
Confira a manifestação, na íntegra:
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














