Tudo o que você precisa saber sobre a febre maculosa

Nunca houve caso confirmado da doença contraída em Brasília; último caso suspeito é de 2019 e foi adquirido em outra unidade da Federação

Por Thaís Miranda

A febre maculosa tem ganhado destaque nos noticiários. Em atenção aos recentes casos fatais da doença contraídos em uma festa no interior de São Paulo, em que houve a presença de brasilienses, o Governo do Distrito Federal (GDF) adotou medidas preventivas diante da epidemia registrada. O último caso suspeito no DF foi em 2019, com provável contração da doença em outro estado.

Arte: Agência Brasília

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2007 e janeiro de 2023, não houve nenhum óbito provocado pela febre maculosa no DF. Neste mesmo período, também não houve nenhum caso confirmado da doença no DF. De acordo com o biólogo da vigilância ambiental da Secretaria de Saúde (SES), Israel Moreira, Brasília não é uma área endêmica para doenças transmitidas por carrapato.

“O principal vetor transmissor da febre maculosa é o carrapato do gênero Amblyomma. A doença que ele pode transmitir é mais comum, mais prevalente nas regiões Sul e Sudeste, com alguns casos registrados também no Nordeste”, pontuou.

Apesar de Brasília não ser considerada uma área de risco para a febre maculosa, desde o dia 2 de junho, os agentes da SES atuam em um novo mapeamento de possíveis áreas de risco.

“Essa já é uma medida de vigilância que a gente tem rotineiramente. Todos os dias fazemos serviço de vigilância no DF. Em todos os hospitais, postos de atendimentos, unidades de pronto atendimento (UPAs) e unidades básicas de saúde (UBSs) há equipe da vigilância epidemiológica que será notificada em casos suspeitos da doença”, explicou o gerente de Zoonoses da SES, Isaías Chianca.

Para levantar a suspeita de febre maculosa, o paciente deve apresentar febre, dor de cabeça e manchas pelo corpo. Esses sintomas aparecem somente após o período de incubação da doença, que pode levar até 14 dias. Para o reforço da suspeita de contaminação, os sintomas precisam estar associados a algum contexto em que o paciente tenha tido contato com carrapatos.

“É extremamente importante a conduta tanto do profissional de saúde, em investigar, e do paciente, de contar onde esteve nos últimos dias. O período de incubação da doença é de dois a 14 dias, somente depois disso é que os sintomas aparecem. Como é um período longo, a pessoa pode não associar os sintomas a uma possível picada de carrapato há duas semanas”, detalhou o diretor de Vigilância Epidemiológica da SES, Fabiano dos Anjos.

Inquérito ambiental

A partir da notificação de um caso suspeito na unidade pública de saúde, a vigilância epidemiológica instaura um inquérito ambiental, em que se verifica os possíveis locais onde essa pessoa esteve e se a doença foi contraída no DF ou em outro estado.

“Assim que temos uma suspeita, nós da Zoonoses já fazemos o inquérito ambiental e tomamos as medidas de bloqueio necessárias. No caso da febre maculosa, nós vamos até o local narrado pelo paciente, fazemos o levantamento sorológico em possíveis hospedeiros e aplicamos o inseticida. Também são feitas ações de educação ambiental com as pessoas que convivem nos arredores”, explicou Isaías.

Segundo o especialista, as equipes estão em busca dos brasilienses que estiveram na festa no interior de São Paulo. “Algumas pessoas de Brasília estiveram presentes nessa festa. Estamos tentando localizá-las para mandar uma equipe de campo e fazer um inquérito onde moram para descartar qualquer outra possibilidade”, concluiu.

“A doença causa hemorragia e a evolução do quadro clínico é muito rápida para a gravidade, por isso a letalidade é rápida também. A intervenção precisa ser imediatamente. O tratamento correto e rápido mata a bactéria e interrompe seu ciclo de multiplicação”Fabiano dos Anjos, diretor de Vigilância Epidemiológica

Os residentes do DF que estiveram na festa em que houve o foco de febre maculosa podem se comunicar com a equipe da Zoonoses por meio dos telefones (61) 99145-6114 e (61) 99221-9439 ou pelo e-mail [email protected].gov.br.

Tratamento

A suspeita de que o paciente possa estar com febre maculosa já permite que o médico inicie imediatamente o tratamento com antibiótico antes mesmo da confirmação, tendo em vista as chances de cura no estágio precoce da contaminação.

“A doença causa hemorragia e a evolução do quadro clínico é muito rápida para a gravidade, por isso a letalidade é rápida também. A intervenção precisa ser imediatamente. O tratamento correto e rápido mata a bactéria e interrompe seu ciclo de multiplicação”, explicou Fabiano.

O critério de confirmação da febre maculosa é específico: deve-se fazer o exame de sorologia em dois momentos, um imediatamente à suspeição clínica e outro a partir de 15 dias. Os resultados dos dois exames são comparados e, se houver aumento na titulação das células de defesa, confirma-se a infecção.

Prevenção

Não há vacina para prevenir a contaminação de febre maculosa. Todavia, há cuidados que podem diminuir a ocorrência de carrapatos em um ambiente. A maneira mais eficaz de controlar a presença desses aracnídeos é manter a vegetação aparada, principalmente durante o verão — já que o carrapato depende de boas condições para sobreviver e, com a roçagem, este ciclo é interrompido em até 99% dos casos.

As pessoas devem evitar transitar em locais propícios à presença de carrapatos, como ambientes próximos a corpos d’água (rios e lagos, por exemplo). Esses locais costumam ser visitados por vários outros animais, o que pode favorecer a disseminação de carrapatos na vegetação.

Recomenda-se andar em calçadas ou em locais asfaltados, e não pelas gramas. Ao frequentar parques, por exemplo, o visitante deve tomar alguns cuidados para se prevenir.

“A gente recomenda que utilize roupas compridas e claras — para localizar facilmente um carrapato andando pela roupa — e sapatos fechados. O uso de repelente apropriado pode ser uma boa medida adicional. É importante que se vistorie o corpo a cada hora”, detalhou o biólogo Israel.

Recomenda-se também manter em dia o controle carrapaticida nos pets, tendo em vista que eles podem ser picados e contaminados com a doença. Além disso, manter o pet sempre na guia impede o acesso a locais infestados.

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