19.5 C
Brasília
03 fev 2026 04:01

Revalida: aguardamos um veto presidencial

Por Dr. Gutemberg Fialho

Foram aprovados esta semana pelo Congresso Nacional o projeto que institui o Programa Médicos pelo Brasil e o que regulamenta o Revalida, exame de revalidação de diplomas médicos obtidos no exterior. Os dois temas são bastante sensíveis para o exercício da Medicina no Brasil e para a qualidade da assistência prestada à população. O Médicos pelo Brasil veio para corrigir falhas graves que havia no Mais Médicos. Não criou a carreira médica de Estado defendida pelas entidades médicas brasileiras, mas é um avanço no que diz respeito à relação de trabalho, com contrato celetista.

Deformações introduzidas no texto original da Medida Provisória do Médicos pelo Brasil chegaram a fazer crer que ela fosse perder a validade. No último momento foram rejeitadas emendas como a que permitia aos entes federativos criar programas nos moldes do Mais Médicos. Houve também avanços, inclusive ao se aprovar o reenquadramento da gratificação dos médicos federais, inferior à de todas as carreiras superiores do serviço público federal.

Mas criou-se uma situação temerária ao se aprovar a participação de instituições de ensino superior privadas no Revalida, mesmo que tenham conceito 4 e 5 no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. Constam na base de dados do Sinaes 33 instituições particulares que conseguiram conceitos acima de três – o que já indica problemas em boa parte dos cursos de Medicina no Brasil. Entre elas figura a Universidade Brasil, cujo dono e reitor foi preso pela Polícia Federal, na Operação Vagatomia, acusado de comandar um esquema transnacional de fraudes na concessão do financiamento estudantil, nas bolsas do Programa Universidade para Todos e na revalidação de diplomas médicos obtidos no exterior.

Esse mesmo acusado foi fundador e reitor de um grupo educacional presente em 10 estados brasileiros e mais de 70 municípios. Resta saber quais dessas têm curso de Medicina ou pleiteiam a autorização do Ministério da Educação para abrir um – e o ministro da pasta já sinalizou que pretende suspender a moratória na abertura de novos cursos. O custo de um diploma em Medicina está sendo medido pelo interesse econômico, mas ele pode ter o custo de vidas humanas. Aguardamos um veto presidencial.

Dr. Gutemberg Fialho é Médico e advogado,
Presidente da Federação Nacional dos Médicos 
e do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal

Destaques

Primeiro sorteio do Nota Legal em 2026 será em 20 de maio Primeiro sorteio do Nota Legal em 2026 será em 20 de maio

Por Kleber Karpov A Secretaria de Estado de Economia do...

Casa da Mulher Brasileira recebe carreta de Mamografia com exames gratuitos

Por Kleber Karpov A Casa da Mulher Brasileira (CMB) da...

Saúde do trabalhador: população ganha acesso ao painel de Vigilância à Saúde do DF

Por Kleber Karpov A Secretaria de Saúde do Distrito Federal...

Infarto agudo do miocárdio é a principal causa de mortes no DF para pessoas entre 30 e 69 anos

Óbitos por diabetes, tiro e AVC têm redução, mas...

Dia D da Saúde promove combate à dengue e vacinação contra a febre amarela

Por Kleber Karpov Profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito...