Por Kleber Karpov
Autoridades de saúde confirmaram novos casos de sarampo nos estados de São Paulo e Amazonas, com elevação do total nacional para 36 registros em 2026. Na última sexta-feira (11/Set), ao término da 36ª semana epidemiológica, São Paulo oficializou mais duas infecções, totalizando 32 no estado. Simultaneamente, o Amazonas confirmou três casos importados do Peru na cidade de Tabatinga. As ocorrências acendem um alerta para a vigilância epidemiológica, especialmente em áreas de fronteira, em meio a surtos da doença em outros países das Américas.
No estado paulista, os dois registros mais recentes ocorreram na capital e envolvem uma menina de seis meses, que possuía esquema vacinal incompleto, e um homem de 28 anos, esse, imunizado. Com as novas confirmações, São Paulo acumula 32 casos da doença este ano, desses, 29 na cidade de São Paulo, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.
As infecções fazem parte de cadeias de transmissão que foram notificadas em agosto. Ao longo de 2026, foram identificadas quatro cadeias distintas no estado. Equipes de vigilância epidemiológica, tanto estaduais quanto municipais, monitoram atualmente três dessas cadeias, que permanecem ativas desde junho, julho e agosto.
A primeira cadeia, associada a dois casos importados, foi notificada entre os meses de março e abril. Uma segunda cadeia de transmissão foi considerada encerrada após um período de 12 semanas sem o surgimento de novas ocorrências, segundo informações da Secretaria de Saúde.
Casos importados
No Amazonas, os três casos confirmados são de pacientes da cidade de Tabatinga, na tríplice fronteira com Colômbia e Peru. Os infectados, uma mulher de 24 anos e duas crianças de 1 e 8 anos, não eram vacinados e são procedentes da cidade peruana de Alto Monte. Eles apresentaram sintomas e receberam atendimento no país vizinho antes de serem isolados em território brasileiro.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) também investiga outros dois casos suspeitos. Um deles é de um menino de dois anos em Tabatinga, de nacionalidade peruana, que retornou recentemente do Peru. O outro é de uma menina de um ano em Caruari, sem histórico de viagens ou contato com pessoas suspeitas, cenario esse a demandar atenção redobrada das autoridades.
Como resposta, a FVS-RCP isolou os pacientes, está monitorando seus contatos e realizou um bloqueio vacinal na comunidade para conter a disseminação do vírus. O Ministério da Saúde informou que enviará equipes para apoiar os serviços de saúde em Tabatinga e Carauari, intensificando as ações de vigilância no estado.
Contexto nacional
O Brasil, que mantém a certificação de área livre da doença, registrou 36 casos de sarampo em 2026, distribuídos entre São Paulo (32), Amazonas (3) e Rio de Janeiro (1). O Ministério da Saúde destacou que as ocorrências surgem em um cenário de surtos em outras nações das Américas. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o continente já soma mais de 47 mil casos e 44 óbitos, com o Peru entre os países com maior número de registros, com quase 2 mil.
Risco de transmissão
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri, alertou para o perigo que os casos importados representam para o início de novas cadeias de transmissão locais. “É fundamental a vigilância, o bloqueio desses casos confirmados, a vacinação de pessoas suscetíveis que tiveram contato. Com esses estados registrando casos, sempre há um risco de retorno da doença. Geralmente a porta de entrada são os locais de imigração”, afirmou Kfouri.
Prevenção e calendário vacinal
A principal ferramenta de prevenção contra o sarampo é a vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema vacinal padrão prevê uma primeira dose aos 12 meses e uma segunda aos 15 meses de idade.
Para pessoas de 15 meses a 29 anos, são necessárias duas doses registradas. Indivíduos de 30 a 59 anos devem ter ao menos uma dose comprovada. Já os trabalhadores da área da saúde precisam ter duas doses, independentemente da idade. A recomendação é que todas as pessoas com até 59 anos sem comprovante atualizem sua caderneta de vacinação.
Em municípios com circulação do vírus, como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, é aplicada a chamada “dose zero” em bebês de 6 a 11 meses. Essa aplicação não substitui as doses do calendário regular, que devem ser administradas normalmente aos 12 e 15 meses.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













