Por Kleber Karpov
A atuação das doulas, profissionais que oferecem suporte físico e emocional a gestantes, foi regulamentada em todo o Brasil pela Lei Federal 15.381, sancionada em abril deste ano. A medida garante a presença delas em hospitais públicos e privados durante a gestação e o pós-parto, fortalecendo a busca por um parto mais seguro e humanizado. O Distrito Federal, no entanto, já é pioneiro na área, com uma portaria da Secretaria de Saúde (SES-DF) que regulamenta a atividade na rede pública desde 2020.
O acompanhamento oferecido por essas profissionais visa desmistificar a percepção do parto como um evento de puro sofrimento. “A doula é de extrema importância para que a mulher tenha apoio em todas as frentes. Tem-se muito a cultura de que o parto é só sofrimento e chegamos para desmistificar isso”, afirma a doula Lais Pelegrini.
O suporte começa ainda na gestação, com a preparação da mulher para o parto e a maternidade. “Fornecemos, por exemplo, aulas de educação pré-natal, falamos sobre as fases do trabalho de parto, amamentação, cuidados com o recém-nascido, violência obstétrica, entre outros temas”, explica a doula Rebeca Marques.
Durante o trabalho de parto, as doulas auxiliam na comunicação com a equipe médica e aplicam técnicas para o conforto da gestante. “Traduzimos os termos médicos, que às vezes são incompreensíveis para os leigos, como dilatação e descida do bebê. Utilizamos exercícios próprios de alívio da dor e de auxílio na hora do nascimento”, detalha Marques.
Pioneirismo no Distrito Federal
Desde 11 de novembro de 2020, a Portaria da SES-DF nº 868 estabelece as diretrizes para a atuação das doulas na rede pública. O documento permite que as profissionais utilizem métodos não farmacológicos para o alívio da dor e ofereçam apoio contínuo, sem interferir nos procedimentos médicos ou de enfermagem.
A norma distrital também assegura que a presença da doula, contratada pela família, é um direito da gestante, podendo ocorrer de forma simultânea à presença de um acompanhante de sua escolha.
Integração com a equipe de saúde
A colaboração entre doulas e profissionais de saúde é vista como um fator que contribui para um ambiente mais acolhedor. Vanessa Benjamin Barbosa, coordenadora do Comitê de Qualidade e Segurança do Paciente da Casa de Parto de São Sebastião, ressalta que a doula estabelece um vínculo de confiança prévio com a gestante, funcionando como uma ponte com a equipe médica.
“A equipe médica, claro, vai estar preocupada com o emocional da gestante, mas a visão é mais relacionada ao parto em si, à técnica. Além disso, não é possível estar o tempo inteiro com uma única gestante. Nesse sentido, a doula conhece previamente aquela mulher, já tem um vínculo de confiança. Elas acabam se tornando uma ponte entre gestante e equipe médica”, destaca Vanessa.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











