Por Kleber Karpov
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira (06/Mai), um Plano de Farmacovigilância Ativa para monitorar os efeitos colaterais das chamadas canetas emagrecedoras. A iniciativa, apresentada durante a 7ª reunião pública da diretoria, foi motivada pelo crescente uso desses medicamentos para fins não previstos em bula e pelo aumento de notificações de eventos adversos, que somaram 2.965 casos entre 2018 e março de 2026.
A nova estratégia do órgão regulador muda o foco da vigilância. Em vez de apenas aguardar relatos voluntários de pacientes e profissionais de saúde, a agência passará a realizar um monitoramento proativo em parceria com estabelecimentos de saúde para identificar sistematicamente os riscos associados aos medicamentos agonistas do receptor do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1).
Segundo o diretor Thiago Lopes Cardoso Campos, a medida é uma resposta direta ao “crescimento expressivo do consumo” e ao aumento de complicações no Brasil. Os dados revelam que o ano de 2025 concentrou um número significativo de notificações, com predominância de casos relacionados ao uso da semaglutida.
“Estamos diante de medicamentos com benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situações fora das indicações aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clínico adequado”, afirmou o diretor.
Riscos de produtos falsificados
A alta demanda pelas canetas emagrecedoras também impulsionou a circulação de produtos falsificados, manipulados em condições inadequadas ou de origem desconhecida. A venda de medicamentos irregulares é tipificada como crime pelo artigo nº 273 do Código Penal, representando um grave risco à saúde pública. “Medicamentos falsificados ou sem garantia de origem representam um risco sanitário gravíssimo. Não há como assegurar esterilidade, qualidade, dosagem ou eficácia, o que pode expor pacientes a eventos adversos sérios e a danos irreversíveis”, disse Campos.
Parcerias para monitoramento ativo
O plano de monitoramento é um desdobramento de uma ação anunciada no mês anterior e contará com a participação voluntária da Rede Sentinela, que inclui serviços de saúde, instituições de ensino e pesquisa, e laboratórios. A HU Brasil, antiga Ebserh, que administra hospitais universitários federais, também integra a iniciativa.
A ação é complementada por um acordo de cooperação com a Polícia Federal (PF) para a realização de operações conjuntas. O diretor explicou que a adesão está aberta a outros hospitais com capacidade técnica para qualificar as notificações e garantir a segurança no uso dos medicamentos.
Para a Anvisa, é na fase pós-comercialização que riscos raros ou tardios se manifestam de forma mais clara. O acompanhamento do comportamento dos medicamentos na “vida real” é considerado indispensável pela agência.
“Não basta registrar medicamentos. É indispensável acompanharmos como eles se comportam na vida real”, acrescentou o diretor, que argumentou que a sociedade não pode permitir que “o entusiasmo com a inovação obscureça os riscos associados ao uso indiscriminado” de novos fármacos.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, reforçou que o interesse gerado pelos medicamentos exige uma atuação firme e coordenada. Para ele, o modelo de farmacovigilância ativa desempenha um papel estratégico para a proteção da saúde da população.
“Não podemos apenas esperar que as notificações cheguem à agência. É preciso organizar junto aos serviços de saúde uma busca estruturada que permita detectar precocemente eventos adversos, qualificar as informações recebidas e ampliar nossa capacidade de análise dos riscos associados ao uso destes medicamentos”, defendeu Safatle.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














