Cuidado adaptado muda experiência de pacientes com autismo no Hospital de Santa Maria

Ambientes adaptados, redução de estímulos e cuidado individualizado garantem experiência mais tranquila

Por Kleber Karpov

O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), está reestruturando o atendimento a pacientes com autismo por meio da adaptação de espaços e de uma abordagem focada nas necessidades individuais. A iniciativa visa evitar a sobrecarga sensorial e a ansiedade frequentemente associadas a ambientes hospitalares, como sons intensos e luzes fortes, para proporcionar um cuidado mais seguro e acolhedor.

Na unidade, o cuidado é planejado antes mesmo de qualquer procedimento. A equipe ajusta o ambiente para garantir mais tranquilidade, especialmente para crianças, com medidas como a redução de luzes e o controle de ruídos. O atendimento é conduzido no ritmo de cada paciente para evitar desconforto. Mudanças essas que integram uma reestruturação dos fluxos e condutas do hospital, que passou a priorizar a previsibilidade e o acolhimento. Ao longo dos últimos anos, os protocolos foram ajustados para tornar o atendimento mais acessível e seguro para pessoas no espectro autista.

Na odontologia, por exemplo, cada etapa é planejada de forma individualizada. Antes do atendimento, os profissionais buscam compreender a rotina, as preferências e as sensibilidades do paciente. Com base nessas informações, o ambiente é preparado e, sempre que possível, são utilizados instrumentos mais silenciosos. “Cada paciente reage de uma forma. Por isso, adaptamos tudo o que for necessário para garantir mais conforto. Às vezes, pequenas mudanças fazem toda a diferença para que o atendimento aconteça de forma tranquila”, relata o dentista Diego Sindeaux.

Estratégias simples também contribuem para criar um vínculo de segurança. Eduardo Figueiredo Martins, de 16 anos, assiste a desenhos animados durante as consultas, uma solução que ajuda a reduzir a ansiedade. A mãe do jovem, Vivian Figueiredo Santana, aprova a abordagem. “O atendimento aqui é maravilhoso, melhor que em todos os lugares por onde passamos. Fico muito tranquila em saber que meu filho está com profissionais preparados para atendê-lo”, conta.

Mensalmente, o serviço de odontologia recebe entre 28 e 30 pacientes encaminhados pelo Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. A unidade também presta atendimentos de urgência por demanda espontânea.

Atendimento especializado

O cuidado no HRSM se estende ao ambulatório de linguagem infantil, que atende pacientes com dificuldades de comunicação, fala e compreensão. A equipe trata casos de atraso no desenvolvimento da linguagem, gagueira e desafios no processo de leitura e escrita.

Para crianças com autismo, a primeira consulta é dedicada à escuta dos pais ou responsáveis para a definição de um plano terapêutico individualizado. O acompanhamento geralmente começa com 14 sessões de fonoterapia, com duração de uma hora cada. Se necessário, o paciente é encaminhado para a continuidade do tratamento via regulação.

“A maioria das crianças com autismo apresenta alguma condição associada, como o TDAH. Uma característica comum é a dificuldade na comunicação. Aqui, trabalhamos com terapias específicas para que o paciente consiga se expressar melhor. Cada plano é construído de forma individualizada”, explica a fonoaudióloga Thayná Martins.

Espaço sensorial amplia acolhimento e reduz estresse

Como parte da estratégia de humanização, o hospital implantou o Espaço Humanizar TEA, um ambiente sensorial exclusivo para crianças com autismo. O local foi projetado para reduzir estímulos excessivos e oferecer conforto, principalmente durante a espera por atendimento.

Além de funcionar como um espaço de acolhimento, o ambiente pode ser utilizado para a realização de atendimentos específicos, evitando que os pacientes sejam expostos a áreas mais intensas do hospital.

Dados do Censo Demográfico de 2022 apontam que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista, o que corresponde a 1,2% da população. O transtorno é mais frequente em homens e geralmente se manifesta na infância.

Como acessar o serviço

O acesso aos atendimentos especializados ocorre principalmente por meio do Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde do DF, a partir de encaminhamentos das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e hospitais regionais. O ambulatório funciona às quartas-feiras à tarde e em tempo integral às quintas e sextas-feiras, atendendo pacientes da região Sul do Distrito Federal. Para o acompanhamento no ambulatório de linguagem infantil, o primeiro passo é procurar uma UBS para avaliação e posterior encaminhamento.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

 

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