Por Kleber Karpov
Um total de 179 novos policiais penais nomeados pelo GDF iniciou, na quinta-feira (05/Fev), a segunda etapa do Curso de Formação Profissional da carreira, no auditório do Complexo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O evento de abertura contou com a presença do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), da vice-governadora o DF, Celina Leão (Progressistas) e de outras autoridades.
O efetivo se soma aos 1.330 policiais penais contratados desde 2019, e tem por finalidade aumentar a eficiência e a humanização do sistema prisional. No evento, Rocha enfatizou a importância do trabalho desses profissionais para a segurança da capital, lembrando que a Polícia Penal do DF se destaca por sua excelência em segurança e ressocialização.
“Quando me perguntam por que o crime organizado não se cria em Brasília, eu dou exemplo de como a nossa Polícia Penal faz um trabalho de excelência. Trabalha com segurança, mas pensa também na ressocialização”, declarou Rocha.

O governador também destacou o grande desafio enfrentado pelos policiais penais, dado o número de internos no DF. “É uma situação muito difícil, porque são 17 mil apenados [nas unidades prisionais do DF], e, no Brasil, das 5.400 cidades, 3.770 não têm uma população desse tamanho”, declarou Rocha.
Rocha lembrou ainda que, além das nomeações, a atuação do governo se destaca também pelo investimento na melhoria das condições aos servidores e assistidos, além da infraestrutura de trabalho. A exemplo da aquisição de 71 viaturas, 274 computadores e coletes balísticos para todos os policiais na ativa. O governador ressaltou a evolução da carreira.
“Primeiro, houve uma evolução muito grande da carreira, seja na questão salarial, seja nas garantias de trabalho, na melhoria dos equipamentos e na entrega de bons equipamentos, para que eles possam realizar um trabalho que talvez seja um dos mais duros dentro do nosso sistema policial, que é cuidar daqueles que já estão apenados”, enumerou Rocha.
Fim de uma “subcategoria”
Celina Leão por sua vez salientou o processo de transição e reconhecimento dos policiais penais, antes considerados como uma “subcategoria”. “Foi uma luta muito grande. Eu estava na Câmara, como deputada, quando conseguimos mudar, porque antes era uma subcategoria. Hoje, é uma carreira reconhecida como fundamental para a segurança pública”, afirmou Celina Leão.
A vive-governadora pontuou ainda, a relevância dos policiais penais para a segurança do Distrito Federal. “Aqui no Distrito Federal não temos facções telefonando das cadeias, porque temos essa categoria. Acredito no sistema prisional produtivo, em que o interno possa trabalhar”, completou a vice-governadora.

Fundo Penitenciário
O governo do Distrito Federal busca a criação do Fundo Penitenciário, em parceria com a Câmara Legislativa do DF (CLDF), e o reajuste salarial da categoria, alinhando-se com outras forças de segurança. A criação do fundo visa estruturar o sistema penitenciário e assegurar melhores condições de trabalho.
“A criação do fundo vai estruturar o sistema penitenciário”, complementou o chefe do Executivo. “É uma lei de reestruturação que encerra essa história de os policiais penais serem tratados apenas como subcategoria, passando a ter condições de trabalho cada vez melhores. Essa é a importância da forma como temos trabalhado”, disse Ibaneis Rocha.
Wenderson Teles, secretário de Administração Penitenciária do DF (SEAPE), reforçou o papel multifacetado da Polícia Penal. “É uma carreira fundamental para a segurança pública do Distrito Federal, atuando desde a produção de inteligência, passando pela manutenção da ordem das unidades prisionais até o processo de ressocialização. A Polícia Penal atua da repressão à reintegração social, o que é essencial para a redução da criminalidade”, explicou.
Teles também celebrou os progressos recentes, incluindo a implementação do manual de identidade visual, a criação do banco de horas e a ampliação da Fábrica Social. “Avançamos muito graças ao trabalho técnico, à seriedade e ao compromisso com a segurança pública”, destacou.
O curso de formação profissional
O Curso de Formação Profissional da Carreira Polícia Penal do DF (CFP/PPDF) é a primeira turma de 2026. Os 179 policiais estão divididos em quatro turmas, que cumprirão 210 horas-aulas ao longo de 45 dias. Esta é a segunda e última etapa da formação para os profissionais nomeados em dezembro de 2025, após terem concluído a primeira etapa em 2023.
João Vitor Anunciação, coordenador do Sistema Prisional do Distrito Federal, ressaltou a complexidade do ambiente penitenciário. “O sistema penitenciário exige preparo e responsabilidade”, apontou, lembrando que são mais de 17 mil internos distribuídos em sete unidades prisionais.

A formação abrange aspectos físico, técnico e emocional, com aulas de legislação penitenciária, direitos humanos, ética profissional e fundamentos de atuação legal. Inclui também capacitação operacional e prática de condutas de segurança, técnicas de abordagem e matérias específicas do cotidiano das unidades prisionais. Após a conclusão, os alunos estarão aptos para as funções da carreira e para o porte de arma.
Os policiais penais Tiago Chaves, 39 anos, e Priscila Felix, 32 anos, nomeados em 2025, compartilharam suas expectativas. “É uma expectativa de muitos anos”, disse Chaves, definindo a formação como uma virada de chave. Priscila Felix enfatizou o papel da profissão. “O policial penal tem uma função muito especial e definitiva na sociedade. Nosso papel é de cuidado mesmo”, afirmou.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











