Conferência debate saúde do trabalhador e aponta caminhos para políticas públicas no DF

Evento aborda impactos de novas relações de atuação, doenças ocupacionais e participação social na construção de um SUS mais inclusivo

Por Michelle Horovits

Como garantir a saúde de quem sustenta a economia? Essa é a pergunta central que norteia a 3ª Conferência Distrital de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, promovida pela Secretaria de Saúde (SES-DF). Durante dois dias (16 e 17 de junho), o evento reúne profissionais de diversas áreas, formais e informais, para discutir os desafios da saúde no ambiente de trabalho e propor políticas públicas para proteger quem mais precisa.

A conferência amplia o debate sobre o direito à saúde como um direito humano fundamental, com foco especial nos impactos das novas formas de trabalho — como a informalidade, a “uberização” e o teletrabalho —  e no bem-estar físico e mental dos trabalhadores. Burnout, depressão e doenças ocupacionais estão entre os problemas que mais têm afetado a rede pública de saúde.

Com abertura oficial no início desta semana (15), o evento contou com a participação do secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, que também preside a conferência. “É um momento muito importante para refletirmos sobre o nosso maior bem: os servidores. Após a pandemia, vimos um aumento expressivo dos afastamentos por motivos ligados à saúde mental. Nesse contexto, a conferência chega para discutirmos soluções que garantam ambientes de trabalho mais saudáveis, com pessoas felizes e engajadas.”

Além de propor melhorias na Política Distrital de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, o debate busca fortalecer a participação social e o controle democrático no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é garantir que as decisões de saúde pública contem com a escuta e o envolvimento de quem vivencia os desafios do mundo do trabalho.

“Hoje há um adoecimento significativo ligado ao trabalho, e precisamos ouvir os trabalhadores para construir políticas mais eficazes”, reforça Abdiel Nunes de Andrade, autoridade de monitoramento da Lei de Acesso à Informação da SES/DF. “Este é um espaço de diálogo, escuta e construção coletiva para um SUS mais democrático, participativo e inclusivo.”

A próxima etapa é a construção de um relatório consolidado com as reivindicações e que será levado para conferência nacional, prevista para ocorrer em agosto.

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