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21 mar 2026 02:21

O PT não pode se apequenar, pois o Brasil é maior e o momento é delicado

Por Francisco Lima

Não sou filiado ao PT, e não escrevo aqui como simpatizante ou militante da legenda. Busco dar um olhar influenciado pelas ciências políticas e pelo meu gosto pelo tema.

Preocupam-me os comentários costumeiramente postados nas redes sociais em defesa do PT e dos seus governos (Lula e Dilma). Expressões do tipo “elite branca”, para citar apenas este exemplo, atribuídas a personalidades simpáticas ao partido do poder, lembram mais fascismo do que uma defesa equilibrada de um ponto de vista sobre o momento político nacional. O Brasil é mais importante, o momento é muito delicado e o PT é bem maior que esse tipo de posicionamento.

Tenho visto, também, militantes postarem nas redes sociais que a mais importante emissora de TV do país estaria devendo bilhões e à beira da falência. Ora, e se estiver mesmo, o que isso tem a ver com o momento político e as ações dos partidos: governo e oposição? Não é, sequer, este o centro dos debates atuais.

Vão resgatar um discurso do falecido Leonel Brizola? A ele, e apenas a ele e por razões óbvias, justificava-se e caia bem esta fala contra tal emissora.

O PT, o único partido de trabalhadores do país, o único realmente com origem “nas bases”, legenda que reuniu alguns dos melhores nomes da resistência à ditadura, como Lula e a própria presidente Dilma, que já teve nomes “iluminados” pelas academias, vai descer ao rol dos que ele combateu até chegar ao poder e fazer uso da mesma linguagem para justificar o fato de ter-se permitido cair em um sistema político que ele não ajudou sequer a construir, mas que é impossível governar fora deste?

Sinceramente, sinto falta dos pensadores do PT que davam o norte à legenda nesses momentos. Lamentavelmente, muitos foram expulsos por “pensar diferentemente”, outros saíram para poder ter o direito de “pensar diferentemente”. Mas tenho a convicção de que alguns ficaram. Não sei se sufocados pelos que se revelaram mais patrimonialistas e materialistas do que aqueles que combatiam, ou se também cederam às tentações do poder.

O fato é: mesmo não tendo nenhuma ligação com a sigla, como afirmo já no início deste texto, não aceito que o PT neste momento se aproprie “do olhar da senzala” e encare a oposição como um senhor de engenho. Seria o mesmo que retroceder e apequenar ao máximo um partido que teve forças para enfrentar a ditadura e a inteligência para herdar e a coragem para ampliar os programas sociais compensatórios, que só foram possíveis graças à Constituinte de 1988, que determinou que se investisse 24% e não mais os 12% do PIB nesses programas, na mesma Constituição que o PT se recusou a assinar.

O momento é delicado, mas a nossa democracia amadureceu graças também ao PT. Apequenar-se ao fazer uso desses discursos seria o mesmo que negar-se a si e a sua história. Não resta outra saída ao PT neste momento, a meu ver, senão assumir o seu tamanho, tudo aquilo em que ele se transformou ou foi-se deixando transformar – para o bem e para o mal – , e expor ao país uma realidade que ele tanto combateu e pela qual, devido principalmente ao seu gigantismo e enraizamento, foi “engolido”. Não adianta tentar quebrar termômetros para baixar uma febre patrimonialista secular criada e alimentada pelos setores que hoje tentam “fazer oposição”.

Por fim, que os oposicionistas de plantão não insistam na ideia do impeachment executado pelas ruas. Não é assim que a coisa funciona. Este processo (o impeachment) não é sequer jurídico, embora necessite de um parecer mínimo dos juristas. É um processo exclusivamente político, e só quem pode executá-lo, à exemplo do que aconteceu com Fernando Collor, é o Congresso Nacional. Então, CPI´s e passeatas não derrubarão presidente em nossa democracia. Apenas os presidentes da Câmara e do Senado, se quiserem e tiverem coragem, e apenas esses, poderão “promover” as sessões onde de fato acontece o impeachment.

Sejamos todos honestos e olhemos o país e o momento com a grandeza que eles exigem e do tamanho que a nossa democracia nos fez.

Francisco Lima Jr.(48), Jornalista, Cientista Político pela UnB, Professor de Jornalismo nas Faculdades Icesp/DF, titular do www.blogdoprofessorchico.com.br, blogueiro colaborador na Agência Política Real, Colaborador no Programa Diário Brasil, na TV Gênesis e Presidente da Associação Brasiliense dos Blogueiros de Política (ABBP). [email protected]

 

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