Sindmédico denuncia caos na saúde e diz que corrupção é “nefasta”

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Gutemberg Fialho, presidente do sindicato, afirmou ter recebido uma denúncia no início de julho afirmando que um cardiologista do Hospital de Base do DF (HBDF) precisou tirar o marca-passo de um paciente para colocar em outro

Por Mirelle Pinheiro

A divulgação dos grampos que denunciam um suposto esquema de propina nas secretarias de Saúde e da Fazenda do Distrito Federal expõe, não somente a fragilidade do governo, mas inflama as denúncias de sucateamento dos hospitais públicos, uma vez que os recursos, possivelmente desviados, poderiam ajudar a equipar as unidades de saúde. Com base nesse cenário, o Sindicato dos Médicos (SindiMédico-DF) divulgou uma nota, nesta terça-feira (19/7), detalhando possíveis imprudências e definindo o caso dos grampos como “revoltante”. Para a entidade, o caso é hediondo porque “se traduz diretamente em sofrimento e morte”.

Gutemberg Fialho, presidente da entidade, afirmou ao Metrópoles ter recebido uma denúncia no início de julho afirmando que um cardiologista do Hospital de Base do DF (HBDF) precisou tirar o marca-passo de um paciente para colocar em outro. “Esses casos são recorrentes. Apresentamos esse e outros fatos ao Ministério Público e a OAB. No São Vicente de Paulo, antigo HPAP, a situação ficou tão grave que tivermos de fazer uma campanha para arrecadar cobertores para os pacientes que passavam frio”, disse.
“Agora, querem implementar as OSs, que se tornaram um exemplo de corrupção no país. Se ele não consegue controlar o desvio de verba em sua gestão, imagina quando a administração dos hospitais passar para entidades privadas?”, questionou.

A entidade destacou, ainda, a falta de enzimas cardíacas, reagentes simples para hemogramas e medicamentos, como dipirona sódica, na rede pública. Lembrou a situação dos tomógrafos que estão sem manutenção, assim como máquinas de hemodiálise. “É preciso que seja feita uma investigação isenta sobre esse caso de corrupção para que esses recursos voltem aos hospitais”, finalizou Gutemberg.

Em resposta, a Secretaria e Saúde informou que dispõe de marca-passos em estoque e os produtos foram “adquiridos dentro das normas legais e sem qualquer tipo de entrave ou atrasos, como sugere a denúncia. Esses equipamentos são ofertados à população por meio do Hospital de Base e do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, unidades que realizam a implantação”, diz a nota.

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A pasta também destacou não proceder a denúncia de que um de seus subsecretários tenha rasgado empenhos ou atuado para atrasar o andamento do processo de aquisição de marca-passos para a rede.

Sobre os casos de propina, o governo respondeu que “denúncia contida nas conversas é evasiva, sem detalhar quais seriam as supostas irregularidades nem seus eventuais beneficiados. Qualquer denúncia, se detalhada e contextualizada, será apurada com rigor”.

Grampos
Em gravações divulgadas na semana passada, a presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues e o vice-governador Renato Santana (PSD) falam de um suposto esquema de pagamento de propina na área da saúde do DF, envolvendo também a Secretaria de Fazenda. Em outro grampo, Marli e o ex-secretário de Saúde Fábio Gondim falam que há um “meio podre” infiltrado na pasta.

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Fonte: Metrópoles