Família de paciente com KPC formaliza queixas em órgãos de Saúde

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Desta vez, o HRS e a UPA da cidade são alvo de denúncia de negligência com um paciente de 63 anos, colonizado com bactéria multirresistente

Por Manuela Rolim 

Descuido, desleixo e desatenção. Todos são sinônimos de negligência. E assim a  realidade das unidades hospitalares do DF  é descrita pelos usuários. Segundo os próprios pacientes, faltam tratamento adequado, acompanhamento médico e leitos. Por outro lado, sobram tempo de espera e, agora, bactérias multirresistentes. Desta vez, o Hospital Regional de Sobradinho (HRS) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade são alvo de denúncia  de negligência com um paciente de 63 anos, colonizado com bactéria multirresistente.

O nome dele é Sebastião Mangaraviti da Silva e, segundo sua filha, a analista de sistemas Priscilla Moreira Mangaraviti, 35, foi internado três vezes. De acordo com ela, Sebastião tem a doença de Alzheimer e, devido a uma infecção, teve de ser internado na UPA. “Foi nessa primeira internação que ele contraiu a KPC. Saiu um laudo com a confirmação da bactéria. Começou o tratamento e, dentro de cerca de 20 dias, recebeu alta. Porém, três dias depois, ele teve que voltar, mas também foi liberado”, conta Priscilla, ressaltando que, na terceira internação, Sebastião adquiriu outro tipo de bactéria multirresistente.

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“Foi aí que os problemas começaram”, relata a analista de sistemas. Segundo ela, o pai estava sendo bem assistido pela equipe, até que um médico resolveu transferir o paciente ao HRS. “Foi de repente, sem  aviso aos familiares. Meu pai já estava em isolamento na UPA, terminando o tratamento. Ele foi transferido  sem nenhum acompanhamento. A equipe do hospital não sabia que ele ia chegar, não estava preparada”, conta.

Remédio

No HRS, a situação piorou. De acordo com Priscilla, os funcionários esqueceram de dar o antibiótico   duas vezes e, por isso, ele teve que ser transferido para a  UTI. “Além disso, meu pai ficou em uma maca onde ele não cabia. Não fizeram exames, nada. Outros pacientes estão na mesma situação. Vi outro idoso internado em péssimas condições, em um consultório sujo, com muito lixo. No dia seguinte, esse idoso morreu”, conta.

Após procurar a Defensoria Pública do DF, a analista de sistemas conseguiu transferir o pai para o Hospital de Santa Maria (HRSM). “Ali, ele está sendo muito bem tratado.  O sentimento é de revolta, eu vi gente morrendo e poderia ser meu pai. Se eu não tivesse de olho nos funcionários, jamais iria saber que esqueceram de dar o antibiótico por mais de 24 horas”, acrescenta.

Priscilla denunciou o caso ao Ministério e à   Secretaria de Saúde, à ouvidoria do HRS, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária  e ao Conselho Regional de Medicina.

Governo assegura cuidados

O Jornal de Brasília procurou a Anvisa, mas não teve resposta até o fechamento desta edição. O JBr. também procurou a Secretaria de Saúde, que, inicialmente, comunicou que o paciente Sebastião Mangaraviti da Silva permanecia internado no Hospital de Sobradinho. No entanto, após ser informada pela própria reportagem, a pasta corrigiu que Sebastião, de fato, já está em Santa Maria, em quarto separado, com orientação de isolamento de contato.

Segundo o órgão, ele está sendo medicado com antibióticos e recebendo cuidados   adequados ao caso. A secretaria confirmou que o paciente está colonizado com bactéria multirresistente.

Prevenção

A pasta destaca ainda que foram adotadas medidas   para impedir a proliferação de bactérias multirresistentes. “Avisos com orientação sobre os cuidados a serem tomados pelos acompanhantes – precaução de contato – e desenhos explicativos foram colocados em todos os leitos em isolamento”, declara o órgão, via assessoria.

Segundo a pasta,  são disponibilizados capotes e luvas para acompanhantes. A secretaria esclarece  que o acompanhante ou visitante deve seguir as orientações e adotar os cuidados indicados para evitar a contaminação. “A Saúde lembra, mais uma vez, que não há surto e que a situação está sob controle. Em relação ao isolamento, o procedimento padrão é evitar contato desprotegido com o paciente”, conclui.

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