Hélio José critica incoerência de Rollemberg sobre falta de escolas em áreas de projetos habitacionais sociais

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Parlamentar considera incoerência governador culpar gestão anterior sobre falta de escolas, no caso do desmaio de aluno de oito anos, morador do Paranoá que estuda no Cruzeiro, mas se auto-promover com com entregas de chaves e escrituras

Por Kleber Karpov

Na segunda-feira (20/Nov), o governador do DF, o socialista, Rodrigo Rollemberg (PSB) culpou, após três anos de mandato, o antecessor, Agnelo Queiroz (PT), por faltar escolas em áreas cobertas por prédios e casas dos programas Minha Casa, Minha Vida, do governo federal e Morar Bem do GDF. Rollemberg argumentou que a gestão anterior fez edificações, porém, sem prever a construção de escolas.

Tal manifestação aconteceu, durante entrevista concedida por Rollemberg, após a solenidade de entrega de escrituras a moradores da Região Administrativa de Samambaia. Mas, para alguns, o real objetivo foi ‘escapar’ da culpa, em relação ao caso do estudante do ensino fundamental da Escola Classe 8 do Cruzeiro, que desmaiou de fome, por ter que enfrentar, diariamente, horas sem alimentação adequada.

A criança, de oito anos é moradora da Região Administrativa Paranoá e percorre, diariamente, cerca de 30 quilômetros para poder estudar. Entre a saída de casa e o retorno, o estudante do ensino fundamental recebe apenas lanche na escola, o que em diversas ocasiões se resume a suco e biscoitos.

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Desculpa vazia

Para o senador Hélio José (PROS-DF),  a ‘desculpa’ de Rollemberg, replicada pelo secretário de Estado de Educação (SEDF) Júlio Gregório, perdeu a sustentação, tanto por questões técnicas quanto em decorrência dos três anos de mandato da atual gestão, o que classificou de “falta de gestão”.

O parlamentar afirma ver com ‘estranheza’ a posição do governador e lembra que, para se aprovar um projeto urbanístico é necessário haver previsão de equipamentos públicos, devidamente aprovado no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT). “Todo projeto urbanístico executado pelo governo tem que comportar, necessariamente, a previsão de equipamentos públicos. É uma premissa básica do PDOT.”, disse.

De acordo com o senador, no pior dos cenários, mesmo que houvesse tal previsão e a gestão anterior tenha realizado a entrega das unidades habitacionais com pendência de instalações dos equipamentos públicos, “cabe ao governo que o sucedeu, dar continuidade as implementações desses equipamentos públicos.”.

O parlamentar chamou de “contrassenso”, a ação de Rollemberg, “após três anos” ainda tentar responsabilizar a gestão anterior por problemas que deveriam ser resolvidos na atual. Isso, enquanto, em paralelo, Rollemberg se utiliza da ‘conveniência’ das habitações sociais, construídas pelo antecessor, para se promover com as entregas de imóveis e de escrituras.

“A mim me parece um contrassenso por parte do governador, quando cansamos de assistir ele [Rollemberg] em diversas reportagens e propagandas de entregas de chaves e de escrituras de imóveis, desde 2015, inclusive lá no Paranoá Parque,  sem ter construído uma única unidade, agora, para tentar ocultar o problema, de má alimentação dos estudantes das escolas públicas, no seu próprio governo, tentar jogar a responsabilidade para o governo anterior, pela falta de equipamentos públicos, que já deveria ter instalado. Não me parece sensato, e não podemos esquecer que já se passaram três anos de mandato e a população ainda aguarda não só as escolas, mas também as unidades de saúde, o acesso a segurança, o que infelizmente não temos visto acontecer nessa gestão”, disparou ao observar.

Relembrar é viver

A referência de Hélio José, em relação à publicidade de Rollemberg, pode ser, facilmente, encontrada nas redes sociais do próprio governador. Um exemplo foi a entrega de apartamentos a moradores do Riacho Fundo II (7/Mai), em que o chefe do Executivo manifestou felicidade pela entrega de 759 unidades habitacionais na atual gestão.

Atualização: 28/11/2017 às 16h55 para revisão 

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