SindMédico-DF: Contratações na Saúde não cobrem demissões de médicos

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Entram 103 agora, mas saíram 213 de janeiro de 2016 a março de 2017. Outros 150 podem se aposentar ainda este ano

O governador Rodrigo Rollemberg anunciou a contratação de 103 novos médicos para os quadros da Secretaria de Saúde do DF. No entanto, de janeiro de 2016 a março de 2017, foram contratados apenas 17 profissionais da área, enquanto saíram 213. Só em março, saíram 66 médicos e apenas dois deles por motivo de aposentadoria.

Segundo o vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando, a maior parte das exonerações se deve à falta de condições de trabalho e ao não pagamento das gratificações de titulação e insalubridade aos profissionais que assumiram a partir de 2015.

Para piorar, segundo dados disponíveis no Portal da Transparência do DF, este ano, 148 médicos completam 30 anos ou mais de trabalho, um dos pré-requisitos básicos para aposentadoria. “Com a ameaça da reforma da Previdência, a perseguição do governo Rollemberg aos servidores e o declínio das condições de trabalho do profissional da saúde e da assistência à população, a tendência é um grande número de aposentadorias este ano”, indica Carlos Fernando.

Só na UPA de Ceilândia se perdeu 19 clínicos desde 2016. Hoje restam apenas 17 e também não existe pessoal de enfermagem suficiente para fechar as escalas de trabalho. Este ano, de 22 pediatras nomeados para atuar por contrato temporário de um ano, no Pronto Atendimento Infantil do Hospital Regional do Gama, 17 deixaram o emprego antes mesmo de completar um mês no cargo.

“Fizemos um trabalho de recomposição dos salários para ingresso na carreira, em 2013. O atual governo, com os cortes de gratificação que está promovendo, está levando os salários de volta para 2011, quando não se conseguia contratar ninguém. Já vimos essa história e não há nenhuma garantia de que esses 103 novos nomeados permaneçam ou sequer       que venham a tomar posse”, aponta o vice-presidente do SindMédico-DF.

Ainda segundo o Portal da Transparência e a Lei 5.277/2013, as vagas existentes para o quadro médico do GDF chegavam, em março, a 4.599.

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