Mulheres ganham até 46% menos do que homens

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Estudo da Codeplan apresenta desigualdades de gênero e traça perfil da discriminação no DF e na periferia metropolitana de Brasília

Por: Gabriela Moll, da Agência Brasília

Enquanto as trabalhadoras do Plano Piloto têm salários 17% inferiores aos dos homens, as mulheres da Fercal recebem até 46% menos. A disparidade definida por gênero foi mostrada nesta quinta-feira (5), em estudo realizado pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). De acordo com o relatório, a renda média de uma mulher que trabalha no DF é de R$ 2.680 e a dos homens, de R$ 3.439.

A pesquisa Mulheres no Distrito Federal e nos Municípios Metropolitanos: Perfis da Desigualdade indicou diferenças econômicas e sociais entre mulheres e homens e entre mulheres negras e não negras do Distrito Federal e dos 12 municípios goianos que compõem a periferia metropolitana de Brasília: Águas Lindas, Alexânia, Cidade Ocidental, Cristalina, Cocalzinho, Formosa, Luziânia, Novo Gama, Padre Bernardo, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso.

A divulgação do estudo é parte da programação do Março de Todas as Mulheres, da Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. “Essa pesquisa nos ajuda a traçar os caminhos necessários para atingir nosso objetivo maior, que é a inclusão social e a igualdade”, afirmou a secretária da pasta, Marise Nogueira.

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Apesar de as mulheres representarem mais da metade dos 2,8 milhões de habitantes do DF, os homens são os chefes da casa, independentemente de serem ou não provedores da renda. O relatório aponta que 72% dos lares são chefiados por homens e que 89% das mais de 230 mil mulheres que declararam serem chefes de casa não moram com homens.

Machismo
“Os dados mostram a reprodução cultural do machismo nos laços de chefia”, resumiu o coordenador-geral do projeto, Flávio Gonçalves, diretor de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan. Os dados também indicam que 87% dos homens responsáveis pelos domicílios contam com mulheres no lar para dividir as atividades.

A deputada Érika Kokay, presente na divulgação do estudo, acrescentou: “Há um nível de desigualdade, de subalternidade, expressa no mundo do trabalho e no espaço doméstico e que tem que ser combatida”. Para a parlamentar, as mulheres precisam ganhar poder e assumir cargos de chefia, o que não ocorre, muitas vezes, por conta da discriminação: “Na Câmara dos Deputados, temos 9,9% de mulheres, mas há países em que as mulheres usam burca e há muito mais representatividade”.

O estudo da Codeplan registra, por exemplo, que a participação da mulher no mercado de trabalho varia de acordo com determinantes como filhos e casamento. Mulheres com filhos menores de três anos têm menos 36,15% de chance de ingressar no mercado de trabalho, enquanto para os homens, esse percentual é de 42,56% positivos. “O filho empurra o homem para o trabalho, enquanto tira a mulher desse espaço”, explicou Gonçalves.

Racismo
A pesquisa também destacou diferenças entre mulheres declaradas negras e não negras. As negras representam 55% do segmento feminino no DF e 66% na periferia metropolitana. “O racismo, às vezes, faz mais diferença no tecido social do que o próprio machismo da sociedade brasileira, e ambas as questões contribuem muito para a violência”, analisou a secretária de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Marise afirmou que o governo prevê programas para construir políticas de combate à violência e ao racismo, como a Casa da Mulher Brasileira do DF, que será entregue em abril: “Além de enfrentar a violência, temos projetos para promover a autonomia econômica das mulheres, o que é fundamental para a luta”.

Ela adiantou que a ideia é trabalhar com as Secretarias de Educação e de Cultura para traçar as diretrizes das políticas públicas: “Temos que tratar esses temas transversalmente, porque o quadro das desigualdades é amplo”.

O presidente da Codeplan, Lucio Rennó, afirmou que o estudo é de grande utilidade para o Estado criar oportunidades e políticas de igualdade. Também participou da divulgação do estudo o professor e assessor da presidência da Codeplan, Aldo Paviani.

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Fonte: Agência Brasília

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