Trump contra o Pix: entenda o que pode ter motivado críticas dos EUA

Sistema de pagamento brasileiro funciona desde 2020

Por Rafael Cardoso 

Os Estados Unidos iniciaram na terça-feira (15) uma investigação interna contra práticas comerciais do Brasil que consideram suspostamente “desleais”. Entre elas, o Pix. As críticas ao sistema de pagamento brasileiro podem ser explicadas pela concorrência com Whatsapp Pay e bandeiras de cartão de crédito norte-americanas, e por ter se tornado uma alternativa ao dólar em algumas transações internacionais.

A medida foi anunciada pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em documento chamado “Investigação da Seção 301 sobre Práticas Comerciais Desleais no Brasil”. Não há menção direta ao Pix, mas o texto cita os “serviços de pagamento eletrônico do governo”.

“O Brasil também parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, entre outras, a vantagem de seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, diz a única menção ao tema.

Um dos motivos especulados para a medida é de que o Banco Central (BC) teria favorecido o Pix em detrimento do WhatsApp Pay em 2020. O aplicativo é da empresa Meta, do empresário Mark Zuckerberg, aliado de Trump.

Em junho de 2020, o WhatsApp anunciou que o Brasil seria o primeiro país a receber uma funcionalidade nova no aplicativo de mensagens: a possibilidade de enviar e receber dinheiro a partir de cartões cadastrados. Uma semana depois, o BC e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderam a função.

As justificativas eram de que seria necessário avaliar riscos, garantir funcionamento adequado do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e existirem potenciais riscos para a concorrência.

A economista Cristina Helena Mello, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), entende que a medida tomada à época foi correta.

“O WhatsApp criou uma forma de transferência de dinheiro de pessoas para pessoas, mas estava fazendo isso fora do sistema financeiro legal. Não estava fazendo com integração com o nosso sistema financeiro. Portanto, escapava da regulação do Banco Central, o que fere regras brasileiras de acompanhamento de transações monetárias”, diz a economista.

O Pix foi lançado oficialmente no Brasil no dia 16 de novembro de 2020, mas os estudos para a implementação do novo sistema de pagamento existiam pelo menos desde maio de 2018. Naquele ano, o BC instituiu um grupo de trabalho chamado “GT – Pagamentos Instantâneos”.

Em dezembro do mesmo ano, o BC divulgou um comunicado com os requisitos fundamentais para o que chamou de “ecossistema de pagamentos instantâneos brasileiro”. O objetivo, segundo o texto oficial, era criar um sistema “de uma perspectiva neutra em relação a modelos de negócio ou participantes de mercado específico”, que fosse “eficiente, competitivo, seguro, inclusivo”.

Alternativa ao dólar

A economista da PUC-SP também entende que o Pix incomoda o governo norte-americano por ter se tornado uma alternativa ao dólar em algumas transações internacionais que envolvem brasileiros.

“Alguns países aceitam pagamentos de brasileiros com Pix. Por exemplo, Paraguai e Panamá. Em alguns comércios, eles têm cartazes dizendo: ‘brasileiros, paguem com Pix’. Comerciantes abriram contas aqui no Brasil, recebem o pagamento aqui. E isso, antigamente, passava pelo dólar. Isso é prejudicial ao interesse de controle norte-americano. Quanto menor a demanda por uma moeda, menos ela vale”, diz.

Para Cristina Helena Mello, operadoras de cartão de crédito norte-americanas também podem se sentir ameaçadas com a nova funcionalidade do “Pix Parcelado”, previsto para começar a funcionar em setembro de 2025. Os usuários brasileiros vão poder parcelar transações de maneira semelhante ao cartão de crédito, enquanto o recebedor continua recebendo o valor total instantaneamente.

Independentemente das críticas e motivações norte-americanas, a economista da PUC-SP defende o Pix como um sistema de pagamento eficaz e inclusivo. Números do Banco Central mostram que o Pix movimentou R$ 26,4 trilhões em 2024.

“Ele, de fato, permitiu que uma série de pessoas de menor renda tivesse acesso a uma forma de transação monetária barata. Os pequenos negócios, as pessoas mais simples mesmo, como pedreiros, faxineiras, mesmo pessoas em situação de rua”, defende a economista.

“O Brasil desenvolveu uma forma de meio de pagamento que oferece uma série de vantagens. O Pix é ágil, promoveu um processo de bancarização, de inclusão de pessoas que não tinham conta. E faz parte da lei de competência e de concorrência oferecer um produto cada vez melhor”, complementa.

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...

IGESDF prepara profissionais para tornar atendimento no SUS mais ágil e eficiente

Por Kleber Karpov O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde...

Solidariedade feita à mão leva 80 turbantes a pacientes oncológicas do Hospital de Base

Por Kleber Karpov Um mutirão de artesanato movido pela solidariedade...

Anvisa interdita parte de terminal no Porto de Santos (SP)

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Destaques

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...