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04 abr 2026 01:30

Som alto no Carnaval pode causar perda auditiva, alerta equipe do IGESDF

Zumbido e ouvido tampado sinais de alerta; protetor auricular e pausas evitam danos auditivos

Por Kleber Karpov

O zumbido persistente e a sensação de ouvido tampado após dias de folia carnavalesca são sinais de alerta para possíveis agressões às partes internas do ouvido, com risco de danos temporários ou permanentes à audição. Profissionais do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF) orientam que medidas preventivas, como o uso de protetores auriculares e a realização de pausas em ambientes silenciosos, são cruciais para evitar a perda auditiva, uma condição irreversível em casos de exposição prolongada a ruídos excessivos.

O médico otorrinolaringologista do HBDF, João Henrique Zanotelli, explica que o excesso de ruído pode provocar dois tipos principais de lesão. O trauma acústico agudo surge de uma exposição intensa em curto período, como ficar muito próximo a uma caixa de som. Já a exposição repetida e prolongada pode levar à perda auditiva progressiva e irreversível, uma vez que as células da audição não se regeneram.

“O trauma acústico agudo acontece após uma exposição intensa em curto período, como ficar muito próximo a uma caixa de som. A pessoa pode perceber a audição ‘abafada’ e apresentar chiado ou zumbido. Em alguns casos é temporário, mas nem sempre. Já a exposição repetida e prolongada pode levar à perda auditiva progressiva e irreversível, porque as células da audição não se regeneram”, explica Zanotelli.

Segundo o especialista, um método simples para identificar um volume perigoso é verificar se é necessário gritar para ser ouvido em uma conversa. Ambientes onde a voz precisa ser elevada indicam níveis de ruído acima do seguro. Como referência, exposições a 90 decibéis não deveriam ultrapassar quatro horas por dia, enquanto a 100 decibéis, o tempo seguro cai para cerca de uma hora. Perto de trios elétricos, o volume pode ser ainda maior, o que reduz o tempo seguro de exposição.

“Se você precisa elevar muito a voz para ser ouvido, o ambiente provavelmente está acima do nível seguro. Como referência, exposições a 90 decibéis não deveriam ultrapassar quatro horas por dia. Já a 100 decibéis, o tempo seguro cai para cerca de uma hora, e perto de trios elétricos o volume pode ser ainda maior”, alerta Zanotelli ao observar que “Quanto maior a intensidade do som, menor é o tempo seguro de exposição.”

Prevenção e sintomas de alerta

A fonoaudióloga do HBDF Thaynara dos Santos, profissional que atua diretamente na prevenção e no cuidado com a audição, enfatiza a importância de não negligenciar os sintomas iniciais. Zumbido, sensação de ouvido tampado, sensibilidade aumentada aos sons e dificuldade em compreender a fala indicam que as células auditivas sofreram fadiga.

“Zumbido, sensação de ouvido tampado, sensibilidade aumentada aos sons e dificuldade para entender a fala indicam que as células auditivas sofreram fadiga. Exposições frequentes podem causar perda auditiva causada pelo ruído excessivo, além de zumbido crônico e dificuldade permanente para compreender fala, principalmente em ambientes ruidosos”, afirma Thaynara dos Santos.

A fonoaudióloga sugere ações preventivas como manter distância das caixas de som e dos trios elétricos, evitar longos períodos de permanência no mesmo ponto e realizar pausas em ambientes calmos. Alternar dias de maior exposição com dias de descanso também é recomendado para a saúde auditiva.

O advogado Paullo Inácio, de 36 anos, compartilha que antes não costumava se preocupar com os riscos do som alto durante o Carnaval, tomando apenas o cuidado de ficar longe das caixas de som. Além de relatar, ter sentido zumbido após eventos e, nesses casos, procura um local silencioso até melhorar. No entanto, especialistas alertam que a repetição dessas situações aumenta o risco de dano definitivo. “Não costumo me preocupar com os riscos do som alto durante o Carnaval. O único cuidado que tomo é ficar longe das caixas de som”, conta.

A utilização de protetores auriculares é uma das formas mais eficazes de prevenção, sendo acessíveis, discretos e não impedindo a diversão. Thaynara dos Santos aponta que esses dispositivos podem diminuir o volume do som que chega ao ouvido entre 15 e 35 decibéis, dependendo do modelo, permitindo a continuidade da música com menor risco de lesão.

“Os protetores podem reduzir o som que chega ao ouvido entre 15 e 35 decibéis, dependendo do modelo. Há opções simples vendidas em farmácias e lojas de material de construção. A pessoa continua curtindo a música, mas com menor risco de lesão”, orienta a fonoaudióloga.

Grupos de risco

Crianças, idosos e indivíduos que já apresentam perda auditiva necessitam de atenção redobrada. O sistema auditivo infantil, ainda em desenvolvimento, é mais suscetível a danos, exigindo o uso de protetores adequados para a idade e o afastamento da proximidade das caixas de som. Idosos e aqueles com queixas auditivas devem limitar o tempo de exposição e reforçar a proteção.

O otorrinolaringologista João Henrique Zanotelli alerta que alguns sintomas indicam a necessidade de avaliação médica, principalmente se não houver melhora após ficar em um local silencioso e dar um descanso para os ouvidos. É importante buscar atendimento se houver zumbido persistente por mais de 24 a 48 horas, dor no ouvido, sensação contínua de ouvido tampado ou audição reduzida, ou tontura e outros sintomas associados.

“As equipes estão preparadas para acolher, avaliar e orientar cada caso. No Carnaval e durante todo o ano, a melhor estratégia é simples: prevenir hoje para continuar ouvindo bem amanhã”, conclui Zanotelli.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

 

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