RAIO X NA SAÚDE DO DF – 1ª PARTE:

A “falha” generalizada na comunicação do governo de Agnelo Queiróz não poupou nem a saúde. Nos últimos 4 anos,NENHUMA campanha de vacinação da SESDF atingiu as metas do Ministério da Saúde. A equipe é altamente técnica, todavia, a comunicação com a população é bastante precária e ineficaz.

 O mais impressionante nisso é que, além das somas milionárias destinadas para a pasta da saúde, incluindo os desvios, a aplicação incorreta e outros tantos milhões que o GDF foi obrigado a devolver à União, o governo de Agnelo “aplicou” uma verdadeira fortuna exatamente EM publicidade nos meios de comunicação considerados “tradicionais” e nos de “aliados”, desprezando a que rotularam como “mídia alternativa”, mas que vive o dia da nossa cidade, pois estamos nas paradas de ônibus, estações de metrôs, escolas, bares, periferias etc. Enfim, a mídia que fala a língua do povo e que tem crescido na velocidade da luz e influenciado no cotidiano de nossa gente.

Entramos forte também na seara política e fizemos “a diferença” nas ultimas eleições. O governo que desprezou esse segmento da imprensa, sequer chegou ao segundo turno e os políticos que melhor desempenho tiveram no último pleito foram exatamente os que compreenderam a importância da mídia não tradicional, das redes sociais e dos blogs, em especial.

Quem não se comunica se trumbica. E o povo que paga a conta, adoece.

Dados da Secretaria de Saúde apontam que apenas 76% do público-alvo para vacinação contra sarampo e poliomielite foi atingido no Distrito Federal. O objetivo era imunizar 95% das crianças, e a campanha chegou a ser prorrogada por causa da baixa adesão.

A vacina contra o sarampo é indicada para meninos e meninas de um a cinco anos incompletos – o que corresponde a 161.045 crianças brasilienses. Já contra a pólio, de 6 meses a 5 anos incompletos, são 182.211 garotos e garotas.

A campanha começou em 8 de novembro, considerado “Dia D”, e terminaria no dia 28. Depois, foi prorrogada até esta sexta-feira (12). A baixa procura levou a secretaria promover um novo “Dia D” no último sábado, quando apenas 32% e 37% das metas estabelecidas para cada uma das iniciativas haviam sido atingidas. Diante desses números negativos, a campanha foi prorrogada mais uma vez até 31/12/2014.

A campanha da gripe desse ano também não foi bem sucedida. De acordo com dados da SESDF, na 1ª fase da campanha só 35,6% do publico alvo havia sido imunizado. Esse indicador é bem abaixo da meta estipulada de 80%.

Nos últimos 4 anos, NENHUMA campanha de vacinação da SESDF atingiu as metas do Ministério da Saúde. A equipe é altamente técnica, todavia, a comunicação com a população é bastante precária e ineficaz. Nesse quesito, em 2007/2008, tivemos um titular na subsecretaria de vigilância à saúde, Dr. Joaquim Barros, que não se intimidou diante do desgoverno que se instalou e ia para o front com os agentes de vigilância ambiental, comandando ações ostensivas no combate à dengue, à febre amarela e, posteriormente, à hantavirose. O subsecretário fazia o mesmo nas campanhas de vacinação, aproveitando todas as formas de comunicação disponíveis, como: entrevistas às grandes mídias e às alternativas, gravação de vinhetas, reuniões com associações comunitárias, religiosas, com a comunidade escolar, enfim, todas as oportunidades eram aproveitadas para mobilizar a sociedade no combate à dengue e na conscientização da prevenção através da imunização.

Eis uma prova de que as mazelas em nossa saúde pública não residem nos profissionais, pois são, em sua grande maioria, qualificados e comprometidos. Faltou na saúde pública do nosso DF, infelizmente, o mesmo que faltou em todo o resto do governo que finda: comprometimento e seriedade com a coisa pública!

Faz-se imperioso que o governo, através das suas instituições, busque aperfeiçoar a forma de se comunicar com a sociedade, levando as informações necessárias e indispensáveis ao sucesso das ações planejadas. E, na área de saúde, tal premissa é fundamental, pois, o escopo da saúde pública é a prevenção. Se já falha nessa etapa, continuaremos a sofrer as mazelas de um sistema saturado e incapaz de tratar o crescente número de doentes.

Fonte:  Francisco Lima Jr. e Odir Ribeiro

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