Próteses mamárias resgatam autoestima de pacientes da rede pública de Saúde

Até novembro deste ano, foram entregues 177 dispositivos, um crescimento de 19,6% em relação ao ano anterior. Serviço não possui lista de espera

Por Larissa Lustoza

Era a primeira vez que Maria de Fátima do Nascimento, 47, usaria uma prótese mamária. Desde a cirurgia de retirada da mama, realizada em março deste ano, a paciente estava nervosa e emocionada ao aguardar a avaliação no Núcleo de Atendimento Ambulatorial de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (Naopme), da Secretaria de Saúde (SES-DF).

Todo o tratamento do câncer de mama de Maria de Fátima foi realizado no Sistema Único de Saúde (SUS). Na sua jornada estão diversas idas ao hospital. Por seis dias seguidos, ela esteve entubada e outros dez, internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. “A minha doença foi uma situação devastadora. Lembro de gritar para os médicos não me deixarem morrer, porque tenho um filho. Mas reconheço que fui muito bem acolhida”, narra.

Após a cirurgia, Maria usou um suporte oferecido pelo Hospital do Câncer, mas, ao sentir dores nas costas, a fisioterapeuta recomendou o uso da prótese, até que realize a reconstrução mamária. Encaminhada ao Naopme, em poucos dias, estava com o novo dispositivo. “Deu muito certo e coube direitinho. Estou me sentindo bem melhor”, declara.

De acordo com os dados do núcleo, até novembro deste ano, foram entregues 177 próteses mamárias, um crescimento de 19,6% em relação ao ano anterior. Em 2022, foram distribuídas 148 e, em 2021, 153.

Os dispositivos têm papel fundamental no psicológico e no emocional da paciente, já que, após a retirada da mama, ela tem a sua autoimagem afetada. “Percebemos que as mulheres se sentem mais femininas, porque trata-se de uma parte importante perdida. Quando usam as próteses, sentem como se estivessem com as mamas originais e podem realizar as atividades normalmente”, explica a chefe do Naopme, Monique Nascimento de Oliveira.

Tecnicamente, as próteses suprem a falta da mama, compensando o volume retirado e evitando o desequilíbrio da compostura. Por isso, as avaliações são realizadas por uma fisioterapeuta, que oferece as orientações sobre o uso correto e menos prejudicial à saúde.

Como adquirir

O Programa de Órteses e Próteses é parte da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência e, para a aquisição de qualquer um desses dispositivos ambulatoriais, o cidadão deve comparecer ao Naopme, situado na Estação do Metrô da 114 Sul. Lá, será preciso apresentar os documentos originais de: identidade com foto ou certidão de nascimento para menores de 12 anos; Cadastro de Pessoa Física (CPF); cartão nacional do SUS; número do cadastro SES-DF; comprovante de residência atualizado; e laudo médico ou solicitação de profissional da área de saúde.

No caso da prótese mamária, o encaminhamento é feito por diversos serviços, de hospitais a Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Ao chegar no Naopme, é realizado o cadastro e o agendamento da avaliação. “No mesmo dia da análise, a paciente experimenta a prótese junto com o sutiã e recebe as orientações. O dispositivo é dispensado no mesmo momento e, a cada ano, elas podem voltar para pegar um novo”, explica a chefe do núcleo, Monique Nascimento de Oliveira.

A prótese mamária externa pode ser retirada pela paciente anualmente, como faz Zélia dos Santos Costa, de 72 anos, que há quatro anos recebe o dispositivo na rede pública do DF. Foto: Larissa Lustoza/ Agência Saúde-DF

É o caso de Zélia dos Santos Costa, 72 anos, que está há quatro anos recebendo próteses mamárias do núcleo. “Minha mastologista me encaminhou e, por algum tempo, achei desconfortável de usar. Hoje, a fisioterapeuta me instruiu sobre o uso correto e acho que vou me adaptar bem melhor”, conta.

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...

IGESDF prepara profissionais para tornar atendimento no SUS mais ágil e eficiente

Por Kleber Karpov O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde...

Solidariedade feita à mão leva 80 turbantes a pacientes oncológicas do Hospital de Base

Por Kleber Karpov Um mutirão de artesanato movido pela solidariedade...

Anvisa interdita parte de terminal no Porto de Santos (SP)

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Destaques

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...