18.5 C
Brasília
12 fev 2026 05:11

IGESDF amplia pesquisas e reforça protagonismo feminino na ciência

Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal impulsiona ciência na rede pública, com mulheres à frente de avanços

Por Kleber Karpov

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF) ampliou suas pesquisas científicas para 145 estudos em andamento em 2025, dos quais 29 são patrocinados, fortalecendo a assistência no Sistema Único de Saúde (SUS) e reforçando o papel feminino na ciência. Este avanço foi celebrado nesta quarta-feira (11/Fev), Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, com o objetivo de aprimorar tratamentos, garantir atendimento mais seguro e impactar diretamente pacientes e equipes do DF.

Os hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) sob gestão do IGESDF, estão na vanguarda da produção de conhecimento que se convertem em diretrizes clínicas e protocolos. A instituição, por sua vez, busca qualificar a assistência oferecida à população, integrando a pesquisa à rotina hospitalar para gerar soluções práticas e eficientes.

Em 2025, o Instituto registra 145 pesquisas em andamento, com 29 delas recebendo patrocínio. Os focos desses estudos abrangem áreas cruciais como a segurança do paciente, o combate a doenças crônicas e infecciosas, e a alta complexidade. Adicionalmente, há um investimento significativo em inovação de processos e na gestão em saúde.

As pesquisas não patrocinadas são concebidas a partir das necessidades identificadas na própria rede pública. Elas são conduzidas por profissionais do IGESDF, que as orientam para demandas reais do Sistema Único de Saúde. Já os estudos patrocinados, com apoio de parceiros institucionais e da indústria, proporcionam acesso a novas tecnologias, tratamentos e metodologias que visam ampliar as possibilidades terapêuticas e aprimorar o cuidado.

Inovação, Ensino e Pesquisa

À frente da coordenação científica do IGESDF está a Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep). Este setor é essencial para impulsionar a produção científica aplicada diretamente à realidade do SUS, promovendo a adoção de práticas fundamentadas em evidências e elevando a qualificação profissional dentro do Instituto.

“Celebrar essa data representa o reconhecimento do papel fundamental das mulheres na produção do conhecimento científico e na transformação da saúde pública. Para o IGESDF e para a Diep, é também um compromisso com a valorização da equidade e com o fortalecimento de uma cultura institucional que reconhece a diversidade como fator essencial para inovação e qualidade assistencial”, disse Emanuela Dourado, diretora da Diep.

A gerente de Pesquisa do Instituto, Ana Carolina Lagoa, enfatiza a relevância da conexão direta entre os estudos e o cotidiano hospitalar. “A pesquisa no IgesDF nasce da prática assistencial. Os resultados contribuem para aprimorar protocolos, qualificar decisões clínicas, otimizar fluxos de atendimento e promover um cuidado mais seguro, eficiente e baseado em evidências”, explicou Ana Carolina.

O processo para transformar uma ideia em projeto científico no Instituto é rigoroso, exige planejamento e estrita conformidade com as normas éticas. A submissão inicial é feita à Gerência de Pesquisa, através do Núcleo de Apoio ao Pesquisador (Napes). A aprovação institucional só ocorre após a anuência do Conselho Científico e da Diep. Posteriormente, o projeto é submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do IGESDF (CEP/IGESDF), e apenas após ambas as aprovações, a pesquisa pode ser iniciada.

Parcerias que impulsionam

O crescimento exponencial da pesquisa no IGESDF é amplamente sustentado por uma rede de parcerias estratégicas, que conectam o Distrito Federal a renomadas instituições tanto no Brasil quanto no exterior. Atualmente, o Instituto mantém colaborações significativas com diversos hospitais de excelência no país.

Entre os parceiros nacionais, destacam-se o Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Beneficência Portuguesa e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Além disso, o IGESDF coopera com importantes universidades brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB).

No âmbito internacional, as parcerias se estendem a instituições como a Monash University, Universidade de Melbourne e Behrn University. Organizações e empresas da indústria farmacêutica, como GSK, Takeda e Amgen, também fazem parte desta rede de colaboração.

Essas alianças estratégicas permitem ao Distrito Federal participar ativamente de estudos de ponta, facilitando que novas soluções e avanços cheguem ao Sistema Único de Saúde com maior celeridade e qualidade. Na prática, cada pesquisa pode resultar em diagnósticos mais precisos, protocolos mais eficazes, a redução de complicações e o aumento das chances de recuperação para os pacientes assistidos pela rede pública.

Protagonismo feminino na ciência

A atuação de mulheres pesquisadoras é um pilar fundamental para os avanços científicos no IGESDF. Uma das figuras de destaque é a médica gastroenterologista e hepatologista Liliana Sampaio Costa Mendes, que integra a equipe do Hospital de Base desde 2001 e tem desenvolvido pesquisas desde 1999. Doutora em gastroenterologia pela USP, ela coordena estudos patrocinados desde 2014, com foco em cirrose, doenças raras e câncer hepático.

Liliana Sampaio Costa Mendes compartilhou sua motivação para a carreira científica, destacando a busca por soluções para condições sem tratamento.

“Meu interesse pela pesquisa e pela ciência surgiu muito cedo, quando percebi que apenas através dessas perguntas, que ainda não têm respostas, é que a gente poderia trazer algum tipo de consolo e propriedade para tratar os pacientes que sofriam de moléstias que ainda não têm muitas perspectivas de tratamento”, disse Liliana Sampaio Costa.

A pesquisadora ressalta como a ciência é capaz de transformar paradigmas e salvar vidas. Ela menciona que, com o tempo, conceitos antes consolidados foram revistos, como a reversibilidade da fibrose da cirrose. Em uma de suas pesquisas, por exemplo, identificou-se que um tipo de descompensação da cirrose, antes considerado leve, era tão perigoso quanto quadros mais graves, o que levou à intervenção precoce e proteção de mais pacientes.

Conciliar a assistência médica, a pesquisa e a rotina hospitalar exige grande disciplina. Liliana enfatiza a importância de um “tempo protegido” dedicado exclusivamente ao estudo para garantir o cumprimento das metas científicas. “A pesquisa exige tempo protegido. Algumas horas semanais ou até um turno inteiro precisam ser reservados para garantir que as metas sejam cumpridas”, afirmou.

Para o IGESDF, o investimento em pesquisa significa também a busca por soluções mais eficientes e sustentáveis para a saúde pública. A presença feminina na pesquisa é cada vez mais expressiva dentro do Instituto, conforme aponta Ana Carolina Lagoa, gerente de Pesquisa.

“O que mais me orgulha é acompanhar o comprometimento e a responsabilidade com que essas mulheres conduzem suas pesquisas. Elas conseguem transformar a vivência diária nos serviços de saúde em conhecimento científico de qualidade, com impacto direto na assistência e na gestão. Ver esse retorno para a população atendida pelo IgesDF é, sem dúvida, o mais gratificante”, declarou Ana Carolina.

Liliana Sampaio Costa Mendes deixa um conselho inspirador para as futuras gerações de cientistas: “Vocês são meninas superpoderosas. Se apaixonem pelo que querem fazer, se organizem e coloquem suas metas no papel”. Emanuela Dourado, diretora da Diep, reforça que o incentivo à participação feminina na ciência é crucial para o futuro da saúde pública, destacando que “a ciência precisa de diversidade, e a presença de mulheres é essencial em todas as etapas do processo científico.”




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

MPDFT e MP de Portugal assinam acordo para fortalecer atuação conjunta

Por Kleber Karpov O Ministério Público do Distrito Federal e...

Nova CNH: Detran regulamentada atuação de instrutores de trânsito

Por Kleber Karpov O Departamento de Trânsito do Distrito Federal...

Mulheres atuam na vanguarda da pesquisa em saúde pediátrica no Hospital da Criança

Por Kleber Karpov Pesquisadoras do Hospital da Criança de Brasília...

MEC revoga edital para criação de cursos particulares de medicina

Por Kleber Karpov O Ministério da Educação (MEC) revogou, na...

PF quer suspeição de Toffoli no inquérito do Banco Master

Por Kleber Karpov A Polícia Federal (PF) pediu ao presidente...

Anvisa indica vacina contra o HPV para prevenir mais tipos de câncer

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Ibaneis Rocha anuncia expansão do BRT para Santa Maria

Por Kleber Karpov O governador Ibaneis Rocha (MDB) assinou a...

Destaques

MPDFT e MP de Portugal assinam acordo para fortalecer atuação conjunta

Por Kleber Karpov O Ministério Público do Distrito Federal e...

Nova CNH: Detran regulamentada atuação de instrutores de trânsito

Por Kleber Karpov O Departamento de Trânsito do Distrito Federal...

Mulheres atuam na vanguarda da pesquisa em saúde pediátrica no Hospital da Criança

Por Kleber Karpov Pesquisadoras do Hospital da Criança de Brasília...

MEC revoga edital para criação de cursos particulares de medicina

Por Kleber Karpov O Ministério da Educação (MEC) revogou, na...

Atenção básica de saúde ganha reforço com funcionamento da UBS 9 em Santa Maria

Por Kleber Karpov O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB)...