Por Kleber Karpov
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), afirmou nesta segunda-feira (30/Mar) que deve solicitar ao presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, o afastamento de executivos que participaram das operações com o Banco Master. A ação visa garantir a transparência na gestão do banco público, que registrou um prejuízo bilionário decorrente da aquisição de carteiras de crédito sob suspeita de irregularidades.
Prejuízo e cobrança por transparência
A crise no BRB foi deflagrada após a instituição comprar carteiras de crédito supostamente falsas vendidas pelo Banco Master. Para cobrir o rombo financeiro resultante, o banco necessitaria de aproximadamente R$ 8 bilhões. Além disso, o BRB adquiriu cerca de R$ 16 bilhões em ativos de terceiros que foram negociados pelo Master.
Em função do cenário, a governadora defendeu que os profissionais sob investigação não devem continuar ocupando cargos de liderança, como superintendências ou funções de supervisão. Segundo Leão, a prioridade é a total transparência nas ações da instituição financeira.
“O próprio Nelson está tomando todas as providências. A primeira medida que a gente vai realmente solicitar ao Nelson é que faça transparência geral. Que nenhum superintendente, ninguém que participou naquele momento, que está sob investigação, fique no banco, em cargos de supervisão ou de superintendência”, declarou Celina à imprensa.
Durante a solenidade de posse, em discurso, Celina Leão jogou por terra qualquer possibilidade de se deixar envolver, passivamente, em exploração política do episódio que envolve tratativas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em relação ao BRB. A Leoa foi taxativa ao negar qualquer tipo de envolvimento com o episódio e que as investigações devem ocorrer dentro da lei, com independência e transparência.
“Nunca fiz acordos que ferem a consciência. O BRB é um patrimônio do povo do DF. Deixo claro que não participei de nenhuma decisão, sequer [fui] consultada. No nosso governo, não cabe omissão. As investigações estão em andamento e devem ocorrer com independência, transparência e dentro da lei”, afirmou Celina Leão.
Operação de compra frustrada e balanço
Além das transações de crédito, o BRB tentou adquirir o próprio Banco Master em uma operação avaliada em R$ 2 bilhões. A transação, contudo, não recebeu autorização do Banco Central, que, posteriormente, determinou a liquidação do Master.
O detalhamento completo dos impactos financeiros dessas operações nas contas do BRB deve ser apresentado no balanço financeiro referente ao ano de 2025. O prazo para a divulgação do documento se encerra nesta terça-feira (31 de março).
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











