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02 mar 2026 21:37

Estudo aponta que vítimas de feminicídio no Brasil superam em 38% os dados oficiais de 2025

Levantamento da UEL registra 6.904 casos consumados e tentados; governo federal contabiliza 1.548 mortes

Por Kleber Karpov

Um relatório do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), divulgado nesta segunda-feira (02/Mar), aponta que o Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídios consumados e tentados em 2025. O número, que representa um aumento de 34% em relação a 2024, supera em 38,8% os dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que são baseados em informações dos estados. A discrepância, segundo os pesquisadores, é resultado da subnotificação de crimes de violência contra a mulher no país.

O Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025 detalha que, dos 6.904 casos, 2.149 foram assassinatos e 4.755 foram tentativas. A estatística resulta em uma média de quase seis mulheres (5,89) mortas por dia no território nacional. Em contrapartida, os dados oficiais do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) contabilizaram 1.548 feminicídios no mesmo período.

A pesquisadora do Lesfem, Daiane Bertasso, explica que a subnotificação é um fator central para essa diferença. A ausência de denúncias por parte das vítimas e a falta de tipificação correta dos crimes no momento do registro contribuem para que os números oficiais não reflitam a realidade da violência.

“Mesmo os nossos dados sendo acima dos dados da segurança pública [Sinesp], a gente acredita que há ainda subnotificação. Porque nem todo o crime de feminicídio é noticiado, divulgado nas mídias. Pelas nossas experiências e pesquisas, a gente acredita que esse registro ainda é inferior à realidade, infelizmente”, disse Daiane.

Metodologia e perfil do crime

Para obter seus resultados, o Lesfem utiliza uma metodologia de produção de contradados a partir do Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB). A plataforma monitora diariamente fontes não estatais, como portais de notícias, e realiza um tratamento quantitativo e qualitativo das informações antes de compará-las com os registros oficiais.

“As pesquisadoras que fazem esses registros sobre os casos, que leem nas notícias, elas têm um olhar mais acurado para identificar quando é uma tentativa de feminicídio. Já em relação aos registros da segurança pública, por exemplo, nem todos os municípios e estados têm um investimento numa formação específica dos profissionais para identificar esse tipo de crime”, afirmou a pesquisadora.

A análise do laboratório indica que a grande maioria dos crimes (75%) ocorre no âmbito íntimo, praticados por companheiros, ex-companheiros ou pessoas com quem a vítima tem filhos. A própria residência da mulher (38%) ou a casa do casal (21%) foram os locais mais comuns das agressões. Quase metade (48%) dos crimes foi cometida com armas brancas, e 94% dos agressores agiram sozinhos.

Perfil das vítimas

O perfil predominante das vítimas é de mulheres na faixa etária de 25 a 34 anos (30%), com idade mediana de 33 anos. O levantamento também revelou que ao menos 22% das mulheres já haviam denunciado seus agressores antes de serem mortas ou sofrerem a tentativa de assassinato. Entre as vítimas, 101 estavam grávidas no momento da violência.

O impacto da violência se estende às famílias, com 69% das vítimas com dados conhecidos tendo filhos ou dependentes. Como consequência direta dos feminicídios, 1.653 crianças ficaram órfãs em 2025. Em relação aos agressores, a idade média é de 36 anos. A prisão do suspeito foi confirmada em 67% das ocorrências com informações disponíveis, enquanto em 7,91% dos casos, o agressor morreu após o crime, majoritariamente por suicídio.

Ciclo de violência

A pesquisadora Daiane Bertasso enfatiza que o feminicídio raramente é um ato isolado, sendo o ápice de um ciclo de violência prévio. O machismo, a misoginia e uma estrutura social voltada para valores masculinos são apontados como elementos que contribuem para a negligência dos sinais que antecedem os crimes.

“O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. E ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos”, disse.

O estudo também alerta para a influência da chamada “machosfera” em redes sociais. Segundo a pesquisadora, esses ambientes têm fortalecido ideais misóginos e machistas, impactando inclusive jovens e crianças e contribuindo para a perpetuação da violência contra a mulher.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

 

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