Coronavírus: quem tem tuberculose deve redobrar os cuidados

No DF, em 2019, 515 pessoas foram diagnosticadas com a doença. No Brasil são 75 mil novos casos a cada ano e 4,5 mil mortes

Gizella Rodrigues, da Agência Brasília

A tuberculose pode ser uma causa de agravamento da infecção pelo coronavírus. O alerta é do farmacêutico-bioquímico Fabiano José Queiroz Costa, gerente de Biologia Médica do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF) que é referência regional para diagnóstico da doença no Brasil.

Segundo ele, pacientes com a doença infectocontagiosa já apresentam problemas pulmonares e devem ter atenção redobrada com a Covid-19, que pode trazer complicações no pulmão.

“Se ele for acometido pelo coronavírus, ele é propício a desenvolver uma forma mais grave da doença”, explica, ressaltando que o paciente, nesse caso, se enquadraria no grupo de risco, formado por idosos, hipertensos, diabéticos e portadores de outras doenças crônicas. Para tais pessoas, principalmente as que estão em tratamento, o recomendado é, ao apresentar sintomas como tosse e febre, procurar imediatamente o hospital.

Segundo Fabiano, os remédios para tuberculose fazem efeito rapidamente e diminuem logo os sintomas da doença, como a tosse, a febre e a perda de peso. Assim, não é normal que tais indícios voltem a aparecer durante o tratamento. “Caso sinta qualquer sinal de gripe, ele deve procurar o atendimento médico, provavelmente está tendo uma coinfecção”, diz. “E, como tem os pulmões debilitados e o sistema imunológico comprometido, é um paciente com maior fragilidade”, ressalta.

Havia, no Distrito Federal, em 2019, 515 pessoas diagnosticadas com a doença e em tratamento na rede pública de saúde. No Brasil são 75 mil novos casos a cada ano e 4,5 mil mortes. “A tuberculose ainda mata mesmo hoje em dia. Além de ser negligenciada, esses pacientes estão mais propícios a serem acometidos por outras doenças, como por exemplo a Covid-19 em uma pandemia como essa”, afirma. “Ele vai ser um paciente que vai sofrer mais”, completa o gerente do Lacen-DF.

Apesar de o tratamento para a tuberculose ser relativamente simples, feito à base de remédios, e gratuito, totalmente disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o farmacêutico conta que é comum que os pacientes parem de tomar os medicamentos assim que apresentam melhoras nos sintomas.

“Algumas pessoas sentem uma melhora significativa nos primeiros dez ou 15 dias, mas isso não quer dizer o fim da tuberculose. A cura acontece com o mínimo de seis meses de tratamento”, reforça Fabiano. “Tem paciente que melhora e acha que está curado e suspende o tratamento”, salienta.

A tuberculose é uma doença altamente contagiosa e também é recomendado o isolamento dos doentes recém-diagnosticados pelo menos até que os medicamentos comecem a agir e impeçam a transmissão da doença.

O Lacen-DF é um dos cinco laboratórios brasileiros de referência para o diagnóstico da doença. Ele é usado para análise de amostras enviadas por clínicas e hospitais da região Centro-Oeste, Maranhão e Sergipe. Em 2019, de 3,6 mil exames realizados, 250 deram positivo para tuberculose.

O diagnóstico começa pela suspeita clínica do médico e pela investigação laboratorial, composta por quatro exames: a baciloscopia, o teste rápido molecular, a cultura e o raio-X que é complementar. Os sintomas da doença são febre, sudorese noturna, emagrecimento, cansaço, além de tosse que pode ser seca.

Fonte: Agência Brasília

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